Revolução de 30

 

Para se compreender a Revolução de 30, necessário se faz conhecer os fatos que a antecederam. Importante é o texto acerca de Washington Luís para entender a situação nacional de então.

Dentre os fatores que levaram à Revolução de 30, válido seria ressaltar alguns. Em primeiro lugar, a emergência de uma classe média, do tenentismo, de uma incipiente burguesia e do movimento operário, todos insatisfeitos com a República Velha, contribuiu sobremaneira para a derrocada do regime.

Além disso, os demais Estados da Federação estavam insatisfeitos com a exclusão que São Paulo e Minas lhes impunha. Os outros setores econômicos – charqueadores, produtores de açúcar, de cacau, de borracha, de arroz, os industriais, etc – não viam com bons olhos a política de priorização do café. Os incentivos que lhes eram oferecidos eram parcos.

A crise de 29 recrudesceu a insatisfação desses setores. A valorização do café havia atingido níveis absurdos, a ponto de o Brasil produzir quase duas vezes mais do que a capacidade de absorção do mercado mundial.

Mesmo os membros da situação, que por anos estiveram coesos, começaram a desentender-se desde o início da década, culminando no racha das oligarquias para a sucessão de 30. De um lado, na Aliança Liberal, Getúlio Vargas; do outro, na Concentração Conservadora, Júlio Prestes. Parte da elite que por anos esteve unida estava agora na chapa oposicionista, aliada aos demais setores sociais.

Com a eleição de Júlio Prestes, parecia ter passado o “momento revolucionário”. Entretanto, ao reabrir-se o Congresso, a 3 de maio, verificaram-se sérias divergências entre parlamentares da oposição e a maioria governista.

Um fato imprevisto agravou a crise que se havia reacendido: foi assassinado a 26 de julho, numa confeitaria do Recife, o governador da Paraíba, João Pessoa. Embora o assassino estivesse motivado por questões da política local, João Pessoa figurava como candidato à Vice-presidência, juntamente com Getúlio Vargas, o que fez da sua morte uma grande comoção nacional. Estava fornecido o pretexto para a eclosão da Revolução, cujas causas, já se sabe, eram mais profundas.

Preparou-se a revolução. No dia determinado, 5 de outubro de 1930, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha iniciam o movimento tomando, com apenas 50 homens, o Quartel-general de Porto Alegre. Simultaneamente eclodia a revolução em Minas Gerais e na Paraíba.

Iniciando o levante no Recife, Juarez Távora pôs em fuga o governador de Pernambuco, Estácio Coimbra. Em breve o Norte e o Nordeste do país estavam em poder dos revolucionários.

Seguro da vitória da revolução naquelas regiões, empreendeu Juarez Távora sua marcha em direção à região Sudeste atravessando Alagoas, Sergipe e atingindo a Bahia.

No Sul, as forças revolucionárias comandadas por Getúlio Vargas depois de enfrentar pequena resistência no Rio Grande do Sul, encaminharam-se em direção a Santa Catarina e Paraná. Quando se preparavam para atacar Itararé, posição bem defendida e considerada imprescindível para a ocupação de São Paulo, um grupo de generais e almirantes sediados no Rio, decidiu atuar, depondo o Presidente Washington Luís.

Estabeleceu-se assim uma Junta Pacificadora composta pelo general Mena Barreto, general Tasso Fragoso e almirante Isaías Noronha. Não se sabe ao certo se a Junta Pacificadora estava comprometida com os revolucionários, se desejava mudar o encaminhamento da revolução ou se, patrioticamente, agiu para evitar mais derramamento de sangue e as conseqüências de uma guerra civil. Admitiu, sem resistência, a liderança de Getúlio Vargas, que, chegando ao Rio a 3 de novembro de 1930, assumiu provisoriamente o governo da República como delegado da Revolução, em nome do Exército, da Marinha e do “Povo”, por quem eles se julgavam legitimados. Estava vitorioso o movimento.

Autoria: Adriano Rafael Queiroz

    Author: Redação

    Share This Post On