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	<title>Brasil Cultura &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Leci Brandão, “socialista com certeza”, fala de política e samba</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 14:04:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Almanaque Brasil Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[As longas guias de contas azul-marinhas e vermelhas indicam, em seu pescoço, quem são seus orixás. Filha de Ogum e Iansã, mas especialmente de Dona Leci, Leci Brandão não esconde o espírito guerreiro de suas divindades. Um dos maiores nomes do samba, a cantora – que quase virou jornalista – diz que sempre fez “reportagens...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0.5cm;">
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><img class="alignleft size-full wp-image-5819" title="Leci Brandão" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Leci-Brandão.bmp" alt="Leci Brandão" />As longas guias de contas azul-marinhas e vermelhas indicam, em seu pescoço, quem são seus orixás. Filha de Ogum e Iansã, mas especialmente de Dona Leci, Leci Brandão não esconde o espírito guerreiro de suas divindades. Um dos maiores nomes do samba, a cantora – que quase virou jornalista – diz que sempre fez “reportagens musicais” para retratar a realidade das periferias.</span></div>
<p><span style="font-size: small;"><span id="more-5818"></span></p>
<p></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;">Criada no subúrbio do Rio de Janeiro e constantemente presente às periferias de todo país, Leci conhece bem a realidade do povo brasileiro. Nesta entrevista ao portal Vermelho, dada no final de agosto em um restaurante de São Paulo após almoço entre amigos, a cantora fala de música, mas principalmente de sua visão política. “Fazia meu trabalho e percebia que existia uma identidade entre os movimentos populares e eu”, diz, lembrando que sofreu algumas interrupções em sua carreira “porque o sistema não gosta de artista consciente, do artista que fala de luta social ou que briga politicamente por alguma coisa”. Por fim, afirmou: “sou socialista com certeza”.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;"><a name="article"></a></p>
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><strong>Você ganhou o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Cantora de Samba. Como vê esse tipo de reconhecimento?</strong></span></div>
<p><span style="font-size: small;">Mandei o meu CD (“Eu e o samba”) para o concurso, havia cerca de 300 artistas concorrendo e foram premiados 31 deles. E tive essa grande felicidade. Não sabia que meu CD teria essa aceitação tão legal. Fiquei muito feliz mesmo. Agora, preciso arrumar nova gravadora – já que a que estava prometeu divulgação e não fez – e começar o novo álbum. Ou seja, agora, estou desempregada. Preciso também de incentivo para gravar meu DVD voltado para a questão da diversidade. Quero gravar músicas de todas as regiões e espero que consiga até o final do ano.</p>
<p><strong>Você é uma artista muito respeitada também no meio hip hop, que é um movimento cultural muito ligado à política&#8230;<br />
</strong><br />
Os meninos do rap e do hip hop, para mim, representam a juventude que fazia o protesto lá nos anos 1960, que o pessoal da MPB fazia e não faz mais. São esses meninos que fazem a música de protesto. Eles falam da realidade das comunidades deles de maneira muito apropriada e não são reconhecidos, não há espaço para eles na mídia. Agora, o funk, por exemplo, que fala de baixaria e tal, a mídia gosta. As letras sérias desses meninos não têm abertura. Fico muito entristecida com a mídia nesse sentido.</p>
<p></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;">
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><strong>Acredita que movimentos culturais como o hip hop pode reaproximar a juventude da política?<br />
</strong><br />
Com certeza. Esse resgate pode ser feito inclusive com muita propriedade pelo pessoal do rap, do hip hop e do próprio samba porque nosso trabalho é popular, estamos sempre cantando nas periferias, nas praças, nas cadeias. Acho que a gente pode fazer uma modificação na forma como a juventude encara a política.</span></div>
<p><span style="font-size: small;"><strong>O que a levou a se aproximar de partidos e organizações de esquerda?</strong></p>
<p>Na verdade, nunca me aproximei dos partidos. Os partidos é que sempre me convidaram porque as pessoas percebiam nas minhas músicas e nas minhas apresentações – ainda no Teatro Opinião e na Mangueira – o meu posicionamento político, que sempre esteve presente em meu trabalho. Então, passei a ser chamada por sindicatos e partidos para shows sem que fosse filiada a nenhum deles. Costumo dizer que faço “reportagens musicais” porque procuro retratar a realidade. A música “Anjos da Guarda”, por exemplo, nunca foi tocada em rádio, mas tudo quanto é sindicato de professores pelo país toca essa música em passeata. Acabou sendo uma simbiose: fazia meu trabalho e percebia que existia uma identidade entre os movimentos populares e eu. Sempre foi assim nesses meus 35 anos de carreira, o que inclusive fez com que eu sofresse algumas interrupções porque o sistema não gosta de artista consciente, do artista que fala de luta social ou que briga politicamente por alguma coisa.</p>
<p></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;">
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><strong>Em que momento ficou clara para você essa característica do “sistema”?</strong></span></div>
<p><span style="font-size: small;">Durante os cinco anos em que fiquei sem gravadora. Apresentei um repertório em 1981 – que entre outras músicas tinha “Zé do Caroço”, que hoje é um sucesso, e “Deixa, deixa” – e uma gravadora multinacional disse que aquele repertório não a interessava, que eu devia ir para casa fazer outras músicas. Ou seja, fiquei sem gravadora até 1985. E fiquei sobrevivendo fazendo shows. Colocava meu LP debaixo do braço e ia ao trabalho.</p>
<p><strong>Recentemente você reassumiu cargo no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial&#8230;</strong></p>
<p>É. Estive no Conselho convidada pela então ministra (da Secretaria da Igualdade Racial) Matilde Ribeiro. Com sua saída, achei que não devia continuar e agora o ministro Edson Santos me convidou para retornar e tomei posse dia 11.</p>
<p></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;">
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><strong>E que possibilidades você vê na atuação desse Conselho na luta contra a discriminação racial?<br />
</strong><br />
O Conselho recebe reivindicações variadas dos movimentos sociais – como os de negros, indígenas, ciganos, palestinos etc. Precisamos, por exemplo, atentar sempre para a questão da lei 10.639/2003 (que estabelece o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira), para as ações direcionadas ao combate da anemia falciforme – com maior concentração nas crianças de raça negra -, acompanhar a aplicação, pelas empresas, do cumprimento das cotas porque infelizmente tudo depende de cotas. Mas, brigamos principalmente para que as políticas públicas que o governo oferece para a população menos favorecida sejam efetivamente colocadas em prática.</span></div>
<p><span style="font-size: small;"><strong>Nesse sentido, como avalia o governo Lula?<br />
</strong><br />
Para repetir o que o presidente costuma falar, nunca antes na história do país tivemos ações desse tipo. E é verdade. Nunca tivemos uma secretaria, com status de ministério, que se preocupasse com essas questões. Foi um compromisso do Lula para atender às demandas da população negra. Outra questão que acho importante é o Bolsa Família. Há muita gente que acha que não se deve dar alimento, que tem que dar trabalho. Mas tem gente que nunca comia nada, que passava fome mesmo e o programa fez com que as pessoas pudessem ao menos se alimentar. O programa Minha Casa, Minha Vida é outro projeto muito legal porque as pessoas vão ter realmente a possibilidade de ter uma casa. A retirada do IPI beneficiou a classe C, que passou a poder ter seu carrinho, trocar sua geladeira, seu fogão. A questão do crédito – e mesmo dos juros que baixaram um pouco – criou condições para que as pessoas mais simples pudessem ter suas coisas. O ProUni e as cotas nas universidades são também muito importantes. Estamos brigando para que a cota seja cumprida porque se não o negro jamais vai poder ter curso superior. O governo Lula, em termos de oportunidades para a população mais carente, está sendo muito bom. Não é à toa que, com todas as confusões que existem na política, a aprovação dele continua em alta. Lula é chamado até para tentar resolver conflito no Oriente Médio. Não estudou na Sorbonne, mas é um cara muito inteligente.</p>
<p></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><strong>Você falou sobre as “confusões da política”. E hoje parece haver uma resistência muito grande aos políticos&#8230;</strong></span></p>
<div style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"></span></div>
<p> </p>
<p><span style="font-size: small;">É uma grande campanha, na verdade. Hoje a televisão e os jornais conduzem o pensamento brasileiro de uma forma muito direta. Episódios como o “mensalão” e confusões desse tipo são muito ruins para a política brasileira. O problema é que as pessoas pensam em radicalizar, ou seja, dizer que todo político é corrupto, é ladrão e não é assim. Há muitas pessoas no parlamento cuidando para fazer leis que ajudem nosso povo. Não se pode colocar tudo na mesma frigideira. Existem os bons parlamentares. Agora, acho que tem de haver uma assepsia muito grande porque na hora em que surge qualquer foco ruim, você percebe que todo mundo tem uma historinha ruim para contar sobre o outro, ou seja, parece que está todo mundo preso na mesma corda.</p>
<p><span style="font-size: small;"><strong>É um problema da estrutura política?<br />
</strong></span><span style="font-size: small;"><br />
É um problema da estrutura política nacional. As pessoas não se candidatam para exercer a política, mas para se dar bem, para enriquecer seu patrimônio, empregar outras pessoas, fazer acordos com empreiteiras. Mas, nas últimas eleições muitas oligarquias perderam poder político. Percebe-se que o eleitor está mais atento. Hoje tem a TV Senado, a TV Câmara, que já ajudam a aproximar a população do legislativo. Agora, a população também precisa saber que deve dar oportunidade às pessoas que são honestas e estão querendo fazer algo legal.<br />
</span><span style="font-size: small;"><strong><br />
Como avalia a experiência das mulheres na política, especialmente as mulheres negras?</strong></span></p>
<div><span style="font-size: small;"></span></div>
<p> </p>
<p></span><span style="font-size: small;">Todos os nossos ícones caíram por terra, como Benedita (da Silva), a Matilde (Ribeiro) e isso é muito ruim para a mulher negra. A gente se sente muito carente de líderes. Quer dizer, será que nunca teremos uma mulher negra que entenda dos nossos problemas, sem que haja alguma coisa para a mídia explorar e acabar com a sua imagem? A mídia é cruel com a mulher negra. A ministra Matilde fez uma série de ações positivas e ninguém publicou nada, agora quando teve o episódio do cartão (corporativo), ela saiu em todos os jornais.<br />
<span style="font-size: small;"><strong><br />
Você é socialista?</strong></span></p>
<div><span style="font-size: small;"></span></div>
<p> </p>
<p></span><span style="font-size: small;">Sou socialista com certeza e acho que percebi isso desde que comecei a trabalhar fora. Na fábrica de cartuchos em que trabalhava, quando via uma injustiça, eu sempre saia para defender os trabalhadores, tomava a frente, ajudava pessoas que eram analfabetas e queriam escrever para a família. Brigava pelos direitos das pessoas e nunca gostei de injustiça de nenhuma espécie. E vou continuar sendo assim.</p>
<p>Saiba mais sobre a vida e a obra de Leci Brandão em <a href="http://www.lecibrandao.com.br/">http://www.lecibrandao.com.br</a></p>
<p></span></p>
<h2 style="margin-top: 0cm; margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;">Por Priscila Lobregatte</span></h2>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><a href="http://www.vermelho.org.br/">http://www.vermelho.org.br</a></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.5cm;"> </p>
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		<title>Novidades do novo texto da Lei Rouanet</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 20:39:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ana Carolina Caldas entrevistou o Ministro da Cultura Juca Ferreira. Com exclusividade ele antecipou novidades do novo texto da Lei Rouanet, falou sobre o Vale Cultura e a importância das Conferências de Comunicação e de Cultura. Blog Vanhoni:Em primeiro lugar gostaríamos que o senhor falasse um pouco, a pedido do deputado Angelo Vanhoni, a respeito...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><img class="alignleft size-full wp-image-5618" title="Juca Ferreira ao Telefone" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Juca-Ferreira-ao-Telefone.jpg" alt="Juca Ferreira ao Telefone" width="225" height="300" />Ana Carolina Caldas entrevistou o Ministro da Cultura Juca Ferreira. Com exclusividade ele antecipou novidades do novo texto da Lei Rouanet, falou sobre o Vale Cultura e a importância das Conferências de Comunicação e de Cultura.<span id="more-5617"></span></p>
<p>Blog Vanhoni:Em primeiro lugar gostaríamos que o senhor falasse um pouco, a pedido do deputado Angelo Vanhoni, a respeito das mudanças a partir do governo Lula, no cenário cultural brasileiro.</p>
<p>Juca Ferreira: <span>Quando nós chegamos em 2003 no Ministério ficamos surpresos e perplexos com a desorganização, a desestruturação e a fragilidade da área cultural no governo. O Ministério não tinha relevância, não estava a altura da grandeza da cultura brasileira, da diversidade cultural brasileira, não conseguia lidar com os principais aspectos dos processos culturais, ou seja, não dava nenhuma contribuição e o pior de tudo é que foi construído um mito que tem origem em toda essa afirmação de uma ideologia neoliberal no mundo, de que o estado não tinha papel na cultura. O grande slogan que nós encontramos aqui era “Cultura é um bom negócio”, e a idéia era repassar a responsabilidade do desenvolvimento cultural para a área privada, então nós começamos um processo longo. Já no discurso de posse do ministro Gil, ele afirmou que interessava ao Ministério toda a produção simbólica brasileira, que cultura não é só arte, muito menos arte consagrada, e que nós teríamos uma responsabilidade imensa de montar relações do Ministério com todo o corpo simbólico do país. Manifestações tradicionais, jogos eletrônicos, produção audiovisual e nós fomos estruturando esse trabalho em três dimensões: Cultura como fato simbólico, como necessidade básica do ser humano, não há como pensar o ser humano sem pensar na necessidade de simbolização, que é isso que nos diferencia dos outros animais; depois Cultura como direito de cidadania, todo brasileiro tem direito de ter acesso pleno à cultura, coisa que não acontece e, terceiro, fortalecer a economia da Cultura, que é uma economia importante. Essas três dimensões nós fomos estruturando dentro de uma política pública, dentro de uma idéia de que o Estado tem obrigação, na medida em que é uma necessidade básica o Estado passa a ter obrigações.<br />
Todos estes anos a gente reestruturou o Ministério. Conseguimos sair de 0,2% do orçamento para em torno 0,8%. É um crescimento significativo, mas muito insuficiente, por isso que a gente não comemora. Conseguimos ampliar a renúncia fiscal, conseguimos dinamizar o Ministério. Hoje o Ministério de fato se relaciona com aspectos estratégicos da produção simbólica brasileira. Estruturamos o projeto Cultura Viva, que criou os Pontos de Cultura, que é um reconhecimento de que a sociedade faz cultura independente do Estado. São mais de 100 grupos sociais existentes, às vezes em condições sociais absolutamente degradadas, nas favelas, nas periferias, nas regiões metropolitanas, nos assentamentos rurais, nas tribos indígenas. Nós começamos a estimular, fomentar e proporcionar recursos para a ampliação destas experiências. Estruturamos a área de patrimônio e memória, encontramos o “Monumenta” praticamente inerte (um convênio que foi estabelecido com o Banco Interamericano e que não tinha vida). Nós hoje estamos atendendo quase todos os Estados do Brasil, financiando a recuperação de imóveis e de centros históricos, inclusive imóveis privados. Criamos o Instituto Brasileiro de Museus, assumimos a responsabilidade de contribuir para todos os museus, os públicos e os privados, considerando que são de utilidade pública, estruturamos uma política na área de inclusão digital. Nós estamos disponibilizando computadores, banda larga, e treinando grupos culturais para se expressarem, para se comunicarem via internet.<br />
Estou dando um apanhado muito sucinto, mas de alguma maneira o Ministério mudou a qualidade da relação, deu visibilidade e estamos trabalhando também na área de regulamentação. As leis que regem a cultura empurraram mais da metade da cultura para a ilegalidade, para a informalidade e é preciso incorporar, porque é uma economia importante, é uma atividade básica, é fundamental para a sociedade. Então é da responsabilidade do governo, do legislativo e dos produtores culturais criar um ambiente favorável para a institucionalização do conjunto da cultura brasileira.</span></p>
<p><span>Blog Vanhoni: Segundo informações do próprio Ministério da Cultura, apenas 14% da população brasileira vai regularmente aos cinemas, 96% não freqüentam museus, 93% nunca</span><strong> </strong><span>foram a uma exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança. Qual o alcance do Vale Cultura dentro deste cenário e de que forma contribuirá para alterar estes índices?</span></p>
<p><span>Juca Ferreira: Como eu disse, nós estamos trabalhando a cultura não só como fato simbólico mas como um direito de todos os brasileiros. Nós sabiamos, mas nunca havia sido feita uma pesquisa desta natureza. Nós demandamos ao IBGE e ao IPEA e a pesquisa apresentou números “dantescos”. O Brasil não consegue incorporar em nenhuma das atividades culturais, excluindo apenas a tv aberta, nem 20% dos brasileiros. Um pouco mais de 5% dos brasileiros entrou alguma vez num museu. Então não há possibilidade de você ficar financiando a produção cultural se o povo não tem acesso. É preciso, além de financiar a produção cultural, estimular esta produção. A gente tem que abrir as portas dos teatros, dos cinemas, criar possibilidades das pessoas terem acesso a livros. Nós estamos agora zerando, até o final do ano, o número de municípios sem bibliotecas no Brasil. Esse processo está criando vários mecanismos: financiamento direto à produção cultural popular, estímulos a barateamento dos custos dos produtos culturais que nós financiamos.<br />
Criamos um instrumento agora, o Vale Cultura. É a primeira vez no Brasil que se financia o consumo cultural. Este mecanismo, quando estiver em uso pleno, vai beneficiar em torno de 14 milhões de pessoas, vai disponibilizar o consumo cultural para esse número de brasileiros. Nós vamos injetar 2 bilhões e 7 milhões por ano, quando estiver plenamente em uso, e com a incorporação do dinheiro dos empresários e os 5 Reais que cada trabalhador dará para ter acesso ao Vale Cultura, a injeção pula para 7 bilhões de Reais. Esse recurso vai irrigar toda a produção cultural brasileira, vai facilitar negócios culturais, livrarias, teatro, cinema perto de onde os trabalhadores moram, eliminando uma concentração terrível que é a concentração territorial, e vamos estimular também, por exemplo, a compra do cd legal no lugar do cd pirata. As consequências são altamente positivas, mas a maior de todas elas é que nós estaremos estimulando o consumo cultural.</span></p>
<p><span>Blog Vanhoni: Aqui no Paraná nós realizamos junto ao mandato do deputado Angelo Vanhoni</span><strong> </strong><span>dois</span><strong> <a href="http://vanhoni.wordpress.com/2009/04/10/alteracao-da-lei-rouanet-primeiro-debate-curitiba-teatro-fernanda-montenegro-07-de-abril-de-2009/" target="_blank">debates sobre a lei Rouanet</a> </strong><span>nessa primeira etapa de consulta pública e dos debates que o Ministério realizou. Gostaríamos de saber, juntamente com os artistas e entidades que nos procuram, quando chegará o novo texto e quais as novidades que ele traz?</span></p>
<p><span>Juca Ferreira: O projeto já saiu do Ministério e está na mão da Casa Civil. Eles fazem este trabalho de revisão sempre, porque é uma lei que vai ser enviada ao Congresso. As novidades são, basicamente, que nós não vamos mais ficar dependendo da renúncia fiscal, que é um mecanismo que não se presta para atender a toda a cultura brasileira. O Fundo Nacional de Cultura vai se tornar o principal instrumento. Nós vamos modernizar o Fundo, setorializá-lo. O Vale Cultura é parte da reforma, é um outro mecanismo que a gente está criando. Vamos fortalecer os fundos privados, que existem há 18 anos e ainda nenhum aconteceu, estamos criando vantagens para a ampliação destes fundos. Que estes fundos etimulam o investimento privado e o financiam, e a renúncia fiscal, que nós vamos manter, mas, vamos reformatar para virar uma verdadeira parceria publico/privada. Porque como é hoje o Governo entra com o dinheiro, se responsabiliza por todos os procedimentos burocráticos e quem decide o que deverá ser financiado é a área privada. Então esta é uma divisão injusta e ruim. Você permite a privatização do dinheiro público, permite o excesso de concentração. Por exemplo, 80% do dinheiro vai para duas cidades no Brasil: Rio de Janeiro e São Paulo, e dentro destas duas cidades, apenas 3% dos proponentes ficam com mais da metade do dinheiro da Lei Rouanet. Quer dizer, é um escândalo! É falta de controle do dinheiro público, é privatização do dinheiro público e não cumpre a finalidade que é a de irrigar e fortalecer a produção cultural brasileira.</span></p>
<p>Blog Vanhoni: Na época da consulta pública e dos debates a proposta recebeu elogios, porém, provocou muitas polêmicas. Como o senhor avalia a incorporação das propostas decorrentes da consulta pública dentro do texto que será encaminhado ao Congresso?</p>
<p>Juca Ferreira: <span>Nós recebemos mais de 2 mil propostas de aprimoramento do texto, que é um</span> <span>sucesso absoluto de uma consulta pública. É evidente que tem gente que é contra a reforma. Quem ganha na situação atual, esses 3% de proponentes não querem mudar porque eles tem acesso a todo o dinheiro. Tem instituição privada que recebe mais dinheiro pelo mecanismo da renúncia, onde a gente paga até o papel higiênico, do que por exemplo a Funarte, que tem a obrigação de atender às demandas e necessidades do teatro, da dança, das artes visuais, da música e do circo no Brasil inteiro. Então é um escândalo, e é evidente que tem pessoas contra. Mas mesmo assim, todos os argumentos pertinenentes que foram levantados nós absorvemos. Por exemplo, a necessidade de explicitar os critérios públicos já no Projeto de Lei, a necessidade de proteger a renúncia fiscal para que ela não entre em normativas posteriores a</span> <span>criação dela e que a restringem. Vários aspectos nós absorvemos, nós abrimos pra valer esse debate, fizemos uma escuta rigorosa, somos responsáveis com o processo que nós deflagramos. Neste período trabalhamos em cada uma destas 2 mil propostas e as absorvemos o máximo possível. O projeto, todos haverão de convir, é muito mais denso que a minuta inicial que colocamos para consulta e acho que hoje nós temos uma base de apoio enorme no Brasil inteiro. Fora do Rio de Janeiro e São Paulo é quase unânime. Tem um pouquinho, dois ou três produtores culturais de Minas que tinham vantagens no sistema atual e, no Rio de janeiro e em São Paulo já temos um quadro fartamente favorável, mas, tem uma polêmica estabelecida porque é aí que ficava quase todo o dinheiro da Lei Rouanet, para pouquíssimos.<br />
Tem uma novidade na Lei Rouanet que está indo para o Congresso, na proposta de substituição da Lei Rouanet por um novo sistema que é muito boa. Quase a metade do dinheiro do Ministério que nós vamos alocar no Fundo Nacional de Cultura para ser distribuído para promover a produção cultural no Brasil, 47% vai ser repassado fundo a fundo para os municípios e estados dentro de uma proporcionalidade que considere a densidade demográfica, o grau de desenvolvimento cultural, a estruturação da sua área cultural institucional. Então é uma grande novidade. Nós estamos dando ouvidos ao Sistema Nacional de Cultura através desse novo projeto.</span></p>
<p>Blog Vanhoni: Em Curitiba, assim como em vários municípios e estados brasileiros, a sociedade civil se mobiliza para a Conferência Nacional de Cultura. Qual é a expectativa do Ministério na organização das etapas estaduais e municipais? Quais os mecanismos que a sociedade civil dispõe junto ao Ministério para garantir sua participação no processo de organização destas etapas?</p>
<p>Juca Ferreira: <span>Em relação a Conferência, essa vai ser a Conferência mais importante, a última do Governo Lula. Nós vamos colocar em discussão todos os mecanismos criados, todo esse processo de institucionalização da cultura brasileira, que nós tivemos a preocupação de além de desenvolver as políticas, criar normativas legais que pudessem de fato desafogar os procedimentos. Normativas que garantam o exercício pleno do direito do autor, normativas que garantam a livre expressão no Brasil. Nós estamos trabalhando um corpo legal bastante amplo que vai do Plano Nacional de Cultura, modificação da Lei Rouanet, a PEC 150 que é uma iniciativa do Congresso mas conta totalmente com o nosso apoio. Estamos trabalhando juntos. Estamos trabalhando a lei da modificação do direito autoral no Brasil para dar vida de fato ao direito autoral no Brasil. Esse conjunto, não só as políticas, como as normativas serão colocadas à discussão dos conferencistas, para que a gente tenha um encontro bastante positivo e é um exercício democrático fundamental essas consultas permanentes através das Conferências e outros mecanismos que a gente cria. A gente não faz nada sem consulta dentro do Ministério, porque não acreditamos em política pública construída dentro de gabinete.</span></p>
<p>Blog Vanhoni: Neste momento começa a mobilização para as etapas municipais e estaduais da Conferência Nacional de Cultura, qual é a recomendação do Ministério para estas etapas?</p>
<p>Juca Ferreira: <span>São várias, mobilizar todos os setores, evitar apadrinhamentos, mobilização parcial, fortalecimento de apaniguados. Primeiro isso; criar de fato um fórum que seja um ponto de intersecção de todos os interesses, todos os conceitos, todas as atividades culturais. Depois temos que estruturar de tal maneira que a começar da base do município, e depois nos estados e nas conferências regionais, a gente tenha um processo de aprofundamento dos debates. É preciso compreender que a cultura está acima de todos os dissensos ideológicos e político partidários. Há a possibilidade de se construir uma política pública de cultura que seja uma liga, uma argamassa que nos una a todos e possibilite sustentar o edifício da democracia brasileira, e possibilite que o dissenso se dê num ambiente de coesão.</span></p>
<p>Blog Vanhoni:<strong> </strong>Temos pela frente também a Conferência Nacional de Comunicação que dialoga com o campo da cultura e vice-versa. A Cultura Digital é um dos temas transversais entre estas pastas. Apesar dos esforços do Ministério da Cultura em estimular o software livre, um grande obstáculo para a inclusão digital no Brasil ainda é o monopólio das prestadoras de serviço de acesso à internet. O Mandato acompanhou o lançamento do Fórum da Cultura Digital Brasileira e gostaríamos de saber qual é a sua avaliação sobre como as pautas da Conferência Nacional de Cultura podem intervir neste processo?</p>
<p>Juca Ferreira: <span>Olha, o Ministério da Cultura tem estado ativamente trabalhando nas pautas de comunicação. Foi o Ministério que estimulou o fortalecimento e a criação de uma rede nacional de tvs públicas. A TV Brasil nasce de uma experiência que foi induzida e estimulada pelo Ministério, que foram os seminários e encontros das tvs públicas, o Fórum de tvs Públicas. Nós temos não só exercitado uma política de inclusão digital como nós temos</span> a<span>ssumido a discussão. Estamos conversando com o Senador Azeredo no sentido de modificar o projeto de lei, que consideramos negativo, de regulação da internet, que ele está trabalhando no senado, e nós achamos que tem um campo enorme para avançar na área da comunicação. Porque o monopólio não é só esse que você referiu. Nós temos dificuldade de incorporar o cinema brasileiro nas tvs. As tvs comerciais não compreendem a importância de assimilar a produção independente em suas grades de programação. restringindo praticamente, algumas evidentemente, à sua própria produção, coisa que nenhum país democrático permite. Então a conferência de comunicação é estratégica. Talvez seja, nos próximos meses a principal atividade que pode empurrar a democracia brasileira mais adiante.</span></p>
<p>Blog Vanhoni: Ainda sobre o software livre, de que forma, no seu entendimento, as plataformas livres podem estimular o desenvolvimento na área da cultura?</p>
<p><span>Juca Ferreira: Nós temos utilizado no Ministério o software livre. Nós achamos que o software proprietário cria uma fidelidade injusta, incabível. Você não pode aprimorar o software, você fica prisioneiro de outras ferramentas. É uma economia que cria uma indução à fidelidade a determinadas empresas. Eles compatibilizam um software com outro, com outro e com ferramentas, e você acaba prisioneiro de uma economia e fica incapaz de desenvolver sua própria autonomia e cobram muito caro por esse serviço. Na área do software livre houve um desenvolvimento enorme, porque houve uma opção política não só no Brasil e do governo, mas no mundo inteiro, de áreas empresariais no sentido de ir quebrando esses monopólios tecnológicos dentro da área da informática. Não é só o Ministério da Cultura que usa o software livre na área do governo, ele é fartamente usado. Foi uma opção política do governo. Isso disponibiliza e permite que cada usuário modifique, adapte, aprimore esse software, e não fique prisioneiro de uma cadeia de serviços, podendo conectar com vários outros serviços.<br />
É uma ferramenta importante, é uma opção política importante, que tem possibilitado a informatização mais rápida, mais veloz, porque o preço é proibitivo desses softwares proprietários. Com isso a gente está criando uma possibilidade de acesso ao meios digitais e à digitalização de acervos e expressão artística e cultural dentro do meio digital, criando hoje um campo de cultura digital muito forte no Brasil, criando um campo de informação digital pulverizado, não mais de poucos controlando a comunicação no Brasil. Acho que nós estamos vivendo já, apesar do acesso ainda ser restrito, pois são poucos os brasileiros que tem acesso aos computadores. A grande maioria ainda não tem, nem em casa, nem no trabalho, nem na escola. Mas a política do governo Lula é democratizar ao máximo possível o acesso a</span> <span>informática. O presidente inclusive tem uma meta de disponibilizar o acesso livre em banda larga para todas as escolas públicas do Brasil. Então nós estamos vivendo um momento muito importante, que evidentemente vai se expressar dentro da Conferência de Comunicação, se expressa já nas políticas, inclusive nas políticas de cultura, e evidentemente que, se você cria um território que vai demandar conteúdos audiovisuais numa quantidade inimaginável hoje, porque as pessoas vão deixar de estarem vinculadas a uma programação feita por poucos e todos vão querer fazer sua propria programação, assistir o que quiserem na hora que quiserem, então isso tudo abre as portas para nos tornamos um grande produtor de conteúdos audiovisuais, e isso passa pela digitalização de toda a nossa produção</span>.</p>
<p>Blog Vanhoni: Ministro, muito obrigado, estamos chegando ao fim do nosso tempo previsto. Gostaríamos que nestes últimos minutos o senhor fizesse suas considerações finais.</p>
<p>Juca Ferreira: <span>Eu quero primeiro agradecer a entrevista, dizer que o deputado Vanhoni é um grande parceiro do Ministério da Cultura, é um deputado que tem a cultura como parte de suas atividades parlamentares. Ele tem ajudado a fazer do parlamento um aliado das demandas do segmento cultural, não só nessas áreas que nós abordamos aqui, mas, como por exemplo, eu como ministro da cultura visitei uma área do Paraná que é colonizada por eslavos, por ucranianos e poloneses, e foi ele que me induziu à visita e eu saí muito agradecido, porque amplia nosso campo da diversidade cultural brasileira. O Brasil tem uma origem cultural que foi um amalgamento, como diz Jorge Mautner, de negros, índios e portugueses, mas hoje, no século 21 e desde o início do século passado, nós tivemos fluxos migratórios que multiplicaram essa complexidade cultural brasileira. Hoje nós temos mais libanenses no Brasil do que no Líbano, quase 30 milhões de italianos e descendentes de italianos vivendo no Brasil, a maior colônia japonesa no exterior, temos mais de 500 mil ucranianos no Brasil e uma quantidade ainda maior de poloneses, alemães, ou seja quase todas as culturas do mundo hoje contribuem para esse adensamento cultural do Brasil.<br />
Eu diria que o Brasil é o maior laboratório interétnico e multicultural do mundo, e isso com o ponto de partida generoso que o Brasil tem de incorporar a todos e de criar um ambiente, não só que possibilita que a pessoa seja o que quiser ser, tenha a  identidade cultural que queira ter, que tenha a ver com seus antepassados e ao mesmo tempo cria um diálogo intercultural, um amalgamento, uma mestiçagem cultural, uma sociedade aberta para incorporar todos esses valores, esses signos que são produzidos por essa complexidade. Eu acho que o deputado Vanhoni acertou em ressaltar para o Ministério da Cultura e para o ministro a importância de incorporar plenamente essa comunidade de eslavos que vivem no Paraná, e ele de alguma maneira representa eleitoralmente essa comunidade, entre outras que ele representa, e o Ministério da Cultura é eternamente agradecido, porque nós temos trabalhado o tempo inteiro para fortalecer a diversidade cultural brasileira, mas chegou a hora de no próprio discurso nós incorporarmos esse adensamento que houve durante todo o século passado e que hoje faz do Brasil esse país com essa riqueza, que eu diria ser infinita culturalmente.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><em><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-5619" title="ana carolina" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/08/ana-carolina-150x150.jpg" alt="ana carolina" width="150" height="150" />O ministro da Cultura, Juca Ferreira concedeu, para Ana Carolina Caldas, entrevista para o Blog Vanhoni. </em></p>
<p><strong><span>Link para o </span></strong><strong><a href="http://www.archive.org/details/EntrevistaJucaFerreira" target="_blank">áudio integral da entrevista</a></strong><strong><span>.</span></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.culturafazdiferenca.blogspot.com/"><span>http://www.culturafazdiferenca.blogspot.com/</span></a></strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"> </p>
<img src="http://www.brasilcultura.com.br/?ak_action=api_record_view&id=5617&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>“SENTIR PARA A AJUDAR A CURA” – Uma Experiência apreciativa &#8211; Livro, que tem seu lançamento nas Livrarias Curitiba do Catuaí Shopping de Londrina.</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 14:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sentir para Ajudar a Curar]]></category>
		<category><![CDATA[Tereza Hatue de Rezende]]></category>

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		<description><![CDATA[Tereza Hatue de Rezende estará em Londrina, no próximo dia 29, sexta-feira, às 19h, para palestra e sessão de autógrafos de seu livro &#8220;Sentir para Ajudar a Curar&#8221;, já em sua segunda edição. Dizem que a relação humana mais próxima que existe é a de mãe e filha e, um dos maiores desafios de uma...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><img class="alignleft size-full wp-image-5145" title="001bbmaeefilha2" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/05/001bbmaeefilha2.bmp" alt="001bbmaeefilha2" />Tereza Hatue de Rezende estará em Londrina, no próximo dia 29, sexta-feira, às 19h, para palestra e sessão de autógrafos de seu livro &#8220;Sentir para Ajudar a Curar&#8221;, já em sua segunda edição. </span>Dizem que a relação humana mais próxima que existe é a de mãe e filha e, um dos maiores desafios de uma mãe é contribuir para o crescimento e o desenvolvimento físico e espiritual de sua filha, orientando-a e incentivando. Ao mesmo tempo, toda mãe quer se sentir próxima e presente na vida de sua filha.<span id="more-5144"></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.5cm;" align="left"><span style="font-size: small;">Com base nisto, justamente, que uma inteligente nissei, Tereza Hatue de Rezende (o sobrenome brasileiro é por conta de seu casamento com o jornalista Claret de Rezende), paulista de Avaré mas londrinense por adoção (e nos últimos 30 anos curitibana por opção) faz em “SENTIR PARA A AJUDAR A CURA” – Uma Experiência apreciativa &#8211; Livro, que tem seu lançamento nas Livrarias Curitiba do Catuaí Shopping de Londrina.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm; margin-bottom: 0.5cm;" align="left"><span style="font-size: small;">Tereza e Bia contam mais sobre o livro e a experiência que viveram.</span></p>
<p class="western" style="text-align: center; line-height: 0.42cm; margin-bottom: 0.5cm;"><span style="font-size: small;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5146" title="001bblivrotereza" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/05/001bblivrotereza-300x229.gif" alt="001bblivrotereza" width="300" height="229" /></span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm; margin-bottom: 0.5cm;" align="left"> </p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">Entrevista com a escritora Tereza Hatue de Rezende</span></strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.5cm;" align="left"><span style="font-size: small;">Beatriz Akemi de Rezende, 26 anos, nasceu com uma malformação congênita venosa na região da face e do pescoço que poderia levá-la à morte. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">Como surgiu a idéia de escrever um guia para cuidadores?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – De volta ao Brasil reuni todas as anotações que nós tínhamos trazido dos Estados Unidos e pensei: por que não compartilhar esta experiência com as outras pessoas? O livro fala sobre como usar os nossos cinco sentidos, mais o coração. Isso todo mundo tem e não custa muita coisa. Muitas pessoas pensam que ajudar custa caro, que é preciso apelar para presentes extravagantes para fazer com que a pessoa se sinta melhor.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia – Mas na verdade, são os pequenos gestos que fazem a diferença, as atitudes. Um carinho, uma atenção, um sorriso de bom dia. Coisas simples que mudam a sua forma de encarar os problemas.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">O livro conta com dados importantes sobre diversos assuntos. Por que você decidiu incluir essas informações?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – Eu precisava explicar e justificar o que eu estava sugerindo. Busquei uma bibliografia vasta para encontrar respaldo científico. Precisava do respaldo de autoridades até mesmo para dar credibilidade ao que eu pratiquei com a Bia nos Estados Unidos, por isso, o livro está recheado de referências. E incluí a bibliografia completa das obras que pesquisei para o leitor que queira se aprofundar nestes temas. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;"><strong>Na apresentação do livro você diz que, inconscientemente, aplicou a investigação apreciativa para ajudar a Bia a se recuperar. O que é investigação apreciativa e como vocês adaptaram o método à realidade de vocês?</strong></span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – A investigação apreciativa é uma metodologia empregada em empresas, desenvolvida pelo americano David Cooperrider. Em poucas palavras, consiste em ignorar os problemas, apontar os aspectos positivos do passado e do presente e projetar essas boas experiências para o futuro. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tanto eu quanto a Bia não nos apegamos às experiências negativas. Desde o começo, tínhamos a certeza de que tudo ia dar certo. Nunca pensamos o contrário. Tanto é que, antes de deixar o Brasil, já tínhamos mandado confeccionar uma placa em homenagem ao médico, agradecendo-o por tudo que ele tinha feito.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia – Quando lembro da minha experiência nos Estados Unidos, não consigo pensar nela como algo que me causou sofrimento. Apesar de ter sido realmente difícil, me lembro, na maior parte do tempo, das coisas boas. Dos esquilos que a gente via da janela do quarto, da minha mãe contando piadas para mim de manhã, dos novos amigos que fiz. São essas coisas que acabam guardadas na memória e no coração.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">De que forma as práticas apresentadas no livro ajudaram na recuperação da Bia?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia – Com certeza toda a atenção e o carinho que recebi foram fundamentais para acelerar a minha recuperação. Não só todo o cuidado que recebi da minha mãe, mas a atenção que recebi de toda a equipe médica, dos amigos que fiz lá e dos meus amigos no Brasil, que criaram uma rede de apoio para mim por meio do Orkut. Para se ter uma idéia, o Dr. Suen, que nos visitava em nosso apartamento todos os dias, nos levou para passear e até para velejar.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – Lá em Little Rock, uma vivia para a outra, foi o que nos manteve fortes. Porque você se sente solitário em um país que não é o seu, principalmente tendo que falar uma língua que não é a sua.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">A doença de Bia foi transformada em case de um programa do Discovery Channel. Por que vocês aceitaram participar?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – Quando nos convidaram, a Bia estava em dúvida se deveria participar do programa. Eu disse a ela que teria um ônus e um bônus. O ônus é que ela ficaria exposta. Mas o bônus é que ela teria a chance de dizer a todas às outras pessoas que têm o mesmo mal que ele tem cura.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia – E também mostrar a elas que é possível ter uma vida normal ou muito próxima do normal, mesmo sendo diferente. Eu, por exemplo, consegui estudar e me formar, fui atleta a vida inteira e tenho muitos amigos. Muitas vezes, a pessoa tem um probleminha e acaba se escondendo do mundo porque acha que ninguém vai a encarar como uma pessoa comum. Mas nada me impediu de fazer o que eu queria, pelo contrário. Não gosto de limitações. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">Como foi ver a história de vocês na tevê e ser acompanhada por câmeras o tempo inteiro?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia – Foi estranho. Eles nos acompanharam durante poucos dias, mas estes foram bem desgastantes. Começaram a acompanhar o caso daqui do Brasil. Um mês antes da cirurgia vieram a Curitiba. Queriam mostrar como era a minha vida em família, o relacionamento com os amigos, o que eu fazia. Me filmaram trabalhando, pedalando no velódromo&#8230; Estavam atrás da gente e pediam para falar tudo em inglês, o que tornou as coisas ainda mais difíceis. Se já é complicado falar de alguma coisa que te incomoda em português, imagine em outra língua. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Lá nos Estados Unidos, acho que a pior parte ficou com a minha mãe. A cirurgia levou cerca de 14 horas. Eu estava dormindo, mas ela teve que ficar 14 horas com as câmeras em cima dela, pedindo para fazer ar de pensativa, perguntando como é que ela estava se sentindo, se ela estava com medo&#8230;</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><strong><span style="font-size: small;">Como tem sido a repercussão do livro?</span></strong></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Tereza – Muita boa, tanto é que o livro já foi traduzido para o inglês e espanhol. Recebemos e-mails com relatos de pessoas de diferentes países do mundo – Estados Unidos, Argentina, Japão, China, Portugal. Ainda este ano uma segunda edição do livro será lançada. Também temos o plano de viabilizar uma ONG para preparar cuidadores voluntários, com base nas práticas do livro. O Brasil tem a sexta maior população de idosos no mundo, mas poucas pessoas estão sendo orientadas para serem cuidadores.</span></p>
<h5 class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Para cuidadores</span></h5>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">De acordo com Tereza Hatue de Rezende em Sentir para Ajudar a Curar, você é um cuidador amoroso se:</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Já perambulou por vários centros médicos</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Ouviu os diagnósticos mais diversos (e controversos)</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Pesquisou na internet para saber o máximo sobre a doença</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Reuniu todos os exames e os enviou aos maiores centros especializados, à espera de um diagnóstico alentador</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Fez amizade com vários portadores da mesma doença (é bom não só para conhecer alternativas de tratamento, mas também para formar uma rede de solidariedade e comunicação, que pode ser valiosa)</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Cuidou para que todos os membros da família se sentissem incluídos</span></p>
<ul>
<li>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Pediu apoio moral e espiritual</span></p>
</li>
</ul>
<h5 class="western" style="line-height: 0.42cm;"><a name="extraconteudo"></a><span style="font-size: small;">Guia</span></h5>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Estas foram algumas das atividades simples desenvolvidas e apresentadas no livro por Tereza, e que ajudaram Bia a se recuperar:</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Dar risada. Relate casos engraçados que aconteceram com você, conte piadas e faça com que o “cuidado” também conte as suas próprias histórias.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Faça o jogo de lembrar. Peça para que o “cuidado” lembre dos dois momentos mais felizes de sua vida, de sua infância e de sua juventude. Os livros e as músicas preferidas e assim por diante. O cuidador também deve participar do jogo.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Explore as papilas gustativas. Faça com que a comida seja atraente aos olhos e ao paladar de quem está sendo tratado, mesmo que existam restrições alimentares. Enfeite os pratos, deixe-os bem coloridos, desenhe ou escreva mensagens.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">- Ouça música. Grave em um MP3 ou gravador as canções favoritas do paciente ou então contrate ou peça a um amigo instrumentista para se apresentar no hospital. </span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">A doença de Bia foi diagnosticada e tratada como um hemangioma até que, em dezembro de 2006, ela e a mãe, Tereza Hatue, encontraram em um hospital de São Paulo Rafaela (acompanhada da mãe Izamar), que tinha o mesmo problema e que foi curada depois de uma temporada de três anos de cirurgias e tratamentos nos Estados Unidos.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Em março de 2007, Bia e Tereza já estavam em Little Rock, Arkansas, e por lá permaneceram durante 60 dias. Através de uma cirurgia, foram retirados vários “tumores vampiros” (que se alimentavam do sangue do organismo) do pescoço, face, língua e garganta.</span></p>
<p class="western" style="line-height: 0.42cm;"><span style="font-size: small;">Bia ficou cerca de um mês e meio sem poder comer, falar ou sair de casa enquanto se recuperava do procedimento. Para amenizar o sofrimento da filha durante todo esse tempo, Tereza desenvolveu brincadeiras e práticas simples que trabalhavam com os cinco sentidos: audição, olfato, tato, paladar e visão. Estas atividades foram fundamentais para manter a auto-estima e o bom humor de ambas. </span><span style="font-size: small;">Todas as experiências vividas por mãe e filha durante a estada em Little Rock foram registradas em uma espécie de diário e no final do ano passado, transformadas no livro Sentir Para Ajudar a Curar – Uma Experiência Apreciativa, escrito por Tereza com a participação de Bia.Neste livro, a autora, que já escreveu outras duas obras – Ryu Mizuno – Saga Japonesa em Terras Brasileiras, e Sinfonia de Vida, uma antologia poética-biográfica de Helena Kolody – descreve as atividades que ajudaram Bia a se recuperar e como a presença de um cuidador preparado e preocupado é fundamental para o processo de cura de pacientes e familiares.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.5cm;" align="left">Serviços:</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.5cm;" align="left"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-5147" title="tn_280_651_tereza" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tn_280_651_tereza-150x150.jpg" alt="tn_280_651_tereza" width="150" height="150" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0.5cm;" align="left"><span style="font-size: small;">“SENTIR PARA A AJUDAR A CURA” – Uma Experiência apreciativa &#8211; Livro, que tem seu lançamento nas Livrarias Curitiba do Catuaí Shopping de Londrina.</span></p>
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		<title>Ariano Suassuna 2</title>
		<link>http://www.brasilcultura.com.br/entrevistas/ariano-suassuna-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 05:46:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Ariano Suassuna: “Eu acredito na cultura popular” &#160; O romancista e teatrólogo Ariano Suassuna nasceu na cidade paraibana de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, em 16 de junho de 1927. Em 3 de agosto de 1989 para eleito para a Cadeira nº. 32 da Academia Brasileira de Letras. Formou-se em Direito...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class=MsoNormal><b></b>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b><img src="http://www.brasilcultura.com.br/imagens/suassuna.jpg" class="size-full aligncenter"></b></p>
<p class=MsoNormal><b></b>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>Ariano Suassuna:</b></p>
<h2 align=center>“Eu acredito na cultura popular”</h2>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><i>O romancista e teatrólogo Ariano Suassuna nasceu na cidade paraibana de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, em 16 de junho de 1927. Em 3 de agosto de 1989 para eleito para a Cadeira nº. 32 da Academia Brasileira de Letras. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco, mas em 1956 deixou a advocacia para tornar-se professor de Estética dessa universidade. Suas obras são marcadas pela valorização da autêntica cultura nordestina. Exemplo claro é a forte presença da literatura de cordel nos seus livros e peças teatrais. Destacam-se O Auto da Compadecida (1955), peça encenada em nove línguas; e A Farsa da Boa Preguiça (1960, publicada em 1973), considerada por ele sua melhor obra.</i></p>
<p class=MsoNormal><i>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No dia 22 de outubro passado, Ariano participou da IX Semana Universitária da Universidade Estadual do Ceará, quando fez palestra para mais de mil estudantes, professores e servidores. Enaltecendo o povo brasileiro, suas tradições e costumes, em sua exposição repudiou a intervenção estrangeira na nossa cultura, particularmente a utilização, cada vez mais constante, de palavras em inglês. Sempre irônico e bem-humorado, afirmou: “Um dia me chamaram para palestrar num colégio, e, quando cheguei lá, na entrada tinha uma faixa onde estava&nbsp; escrito: Ato show com Ariano Suassuna. Eu disse logo: ‘Só entro se tirarem isso daí. O que conheço de show é uma interjeição utilizada na minha terra para espantar galinhas’”. </i></p>
<p class=MsoNormal><i>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </i></p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>&nbsp;</b><i>Muitos poetas, cantores e compositores populares viveram durante toda sua vida na miséria. Alguns deles morreram de fome ou doença dela decorrente. Por que, em nosso país, existe tanto descaso com os principais atores da cultura popular?</i></p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>Ariano Suassuna</b> – Isso é resultado de uma injustiça que existe na própria sociedade brasileira. Quer dizer, não são somente os poetas populares que são injustiçados, mas todo o povo do Brasil real. No momento em que os portugueses desceram aqui, começou essa secular injustiça social. Quando Cabral se sentou numa cadeira acompanhado de seus capitães e chegaram dois índios pra falar com eles, nesse momento esses índios representavam a semente do povo brasileiro – e começou aí essa injustiça social. Nós, brasileiros privilegiados, somos descendentes de Cabral e dos outros portugueses da classe dele. Mas também o povo brasileiro descende dos índios, negros e portugueses pobres e, depois, de outros europeus e asiáticos pobres que vieram ao nosso país. Então, essas injustiças acabam atingindo toda a sociedade brasileira, e os poetas populares já são injustiçados até em relação aos outros. Agora, essa marginalidade também é um pouco dos escritores, sejam eles quais forem. E, quando se trata de um artista popular, é maior ainda.</p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>&nbsp;</b><i>A cultura popular resiste bastante no nosso país. Poderíamos dizer que ela, particularmente a do Nordeste, é como o sertanejo de Euclides de Cunha, “ antes de tudo,&nbsp; um forte”?</i></p>
<p class=MsoNormal><i></i>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>Ariano</b> – Exatamente. Ela tem demonstrado uma capacidade de resistência muito grande. Apesar de todo o descaso e, às vezes, perseguição, ela continua a existir e persistir no nosso país. Eu acredito que a cultura popular dá a todos nós um grande exemplo, e temos que aprender muito ainda com ela.</p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>&nbsp;</b><i>Que mensagem você enviaria aos escritores que estão começando ou mesmo àqueles que ainda estão relutantes em entrar no mundo da literatura?</i></p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
<p class=MsoNormal><b>Ariano</b> – Olhe, eu não teria muita coisa a dizer a eles, não. Mas acho que pelo menos eu diria, porque foi assim que aconteceu comigo, que lessem muito. Porque a leitura pra mim foi fundamental. Foi a leitura que me abriu o mundo. Eu nunca saí do Brasil, mas eu conheço a Rússia como muitos russos não conhecem. Nem é todo português que conhece Portugal como eu. Tudo isso por causa da leitura. Quer dizer, eu não fui à Rússia, mas li com muita atenção e muita paixão Gogol, Dostoievski, Tolstoi, que me fizeram conhecer muito aquele país. Por isso, o conselho que dou é que leiam muito mesmo.</p>
<p class=MsoNormal>&nbsp;</p>
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