Rádio Brasil Cultura – “História Hoje” 30/03: Conheça a trajetória do comediante paulistano Ankito

ankitoHá sete anos, morria no Rio de Janeiro, Anchizes Pinto – o Ankito -, considerado um dos cinco maiores comediantes do cinema brasileiro.

Filho de artistas de circo, Ankito começou a trabalhar profissionalmente aos sete anos de idade no globo da morte.

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Anchizes Pinto nasce em 26 de novembro de 1924 na cidade de São Paulo. Criado em família circense, começa a carreira como acrobata. Filho do palhaço Faísca e sobrinho do famoso Piolin, aos 7 anos pisa no picadeiro e arrisca a vida no globo da morte. Estreia profissionalmente em 1941, ao participar de quadro circense no Cassino da Urca como acrobata, modalidade que lhe confere cinco títulos sul-americanos de acrobacia.

 

Entra em seguida para o teatro, quando substitui um ator, e seu desempenho lhe garante a permanência no elenco. Em 1952 ganha as telas de cinema ao criar um tipo ingênuo e divertido com o qual atua em mais de 30 filmes.

 

De cara ganha o estrelato involuntariamente. Ao ser chamado por Watson Macedo para uma participação pequena em É Fogo na Roupa (1953), sai-se tão bem que o diretor aumenta seu personagem e transforma-o no protagonista do filme. No elenco, aparecem também Adelaide Chiozzo, Violeta Ferraz, Heloisa Helena e Spina.

 

Com o êxito das comédias da Atlântida protagonizadas por Oscarito, a Herbert Richers investe em seu talento para fazer frente à concorrência e produz diversos filmes estrelados por ele, como De Pernas pro Ar (1956), de Victor Lima, fazendo dupla com Grande Otelo; Garota Enxuta (1959), de J.B.Tanko, um dos grandes sucessos de bilheteria do ano, com roteiro de Chico Anysio e as presenças de Nelly Martins, Grande Otelo e Agnaldo Rayol; e Um Candango na Belacap (1961), de Roberto Farias, no qual faz dupla de novo com Grande Otelo e atua ao lado de Vera Regina, Marina Marcel e Milton Carneiro.

 

A comparação com Oscarito é inevitável: atores histriônicos e oriundos do circo, cada um cria à sua maneira o perfil do brasileiro bem-humorado e esperto que sabe tirar partido de oportunidades com humor e malandragem. Acusado de copiar o concorrente, retruca genialmente: “Tentar imitar, bem que tentei, mas não consegui”.

 

Em 1986 trabalha com o diretor Júlio Bressane em Brás Cubas, inspirado no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, fazendo uma participação especial ao lado de Luiz Fernando Guimarães, Cristina Pereira, Colé, Regina Casé e Wilson Grey.

 

No teatro, reaparece em 2000 na peça A Controvérsia, de Jean-Claude Carrière, sob a direção de Paulo José, ao lado de Otávio Augusto e Matheus Nachtergaele. Em televisão, faz aparições no programa humorístico Zorra Total da TV Globo.

 

Em 2006 participa da novela Alma Gêmea, de Walcir Carrasco, sob a direção de Jorge Fernando, na qual interpreta o “falecido”, marido da personagem de Nicette Bruno e, como sempre, arranca gargalhadas com um simples olhar.

 

Em 2006 Anchizes Pinto, o Ankito, mantém-se em plena atividade e corre o país com sua arte, seu carisma e sua alegria. Um mestre na arte de fazer rir, mantém no cotidiano a simplicidade e o bom humor que são as marcas registradas em suas inesquecíveis atuações.

 

Saiba mais sobre Ankito:

 

AUGUSTO, Sérgio. Este Mundo é um Pandeiro: A Chanchada de Getúlio a JK. São Paulo: Cinemateca Brasileira; Companhia das Letras, 1989.

 

CASTRO, Alice Viveiros de. O Elogio da Bobagem: Palhaços no Brasil e no Mundo. Rio de Janeiro: Família Bastos, 2005.

 

Nota da redação: Ankito morreu em 30/03/2009, aos 85 anos, no Rio de Janeiro.

    Author: Redação

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