Política cultural para a infância

Para promover atividades culturais e artísticas voltadas para crianças, o Ministério da Cultura deve lançar em outubro uma política para a infância, disse a secretária de Cidadania Cultural do órgão, Marta Porto, durante o 1º Encontro Nacional de Cultura e Infância, no Rio. O evento integra o Festival Internacional de Linguagens (Fil).

 

Segundo a secretária, a política definirá parâmetros para atividades abrangentes e inovadoras, que incentivem a “fruição estética”. “Queremos incluir a cultura no dia a dia das crianças. Isso é uma coisa muito frágil”, declarou. De acordo com Mara Porto, a política tem o intuito de ampliar o repertório cultural da população, muitas vezes, restrito às festas populares de cada localidade.

 

Ao orientar estados e municípios, a política também deve incentivar a formação de produtores e o desenvolvimento de novas linguagens para as crianças e suas famílias. A secretária explica que para isso devem ser aproveitadas experiências bem sucedidas como a da Fundação Bienal, em São Paulo, que poderá ser reproduzida em escolas ou em municípios menores.

 

“Como trabalhar uma exposição artística? Como transformar quadros em ação de desenvolvimento cultural para crianças que não têm aquela fundação ali perto? Temos que elaborar uma política que não seja só focada nos criadores, mas também na população”, afirmou.

 

Durante o Encontro de Cultura e Infância, que promoverá rodas de discussão até a quinta-feira (14), especialistas e artistas também defenderam a expansão da programação cultural para o público infanto-juvenil e suas famílias.

 

A presidenta da associação Midiativa, a jornalista Beth Carmona, falou sobre a necessidade de mais capacitação em novas mídias.

 

“Essa é uma geração capaz de fazer multitarefas, da internet, de games, de muita agilidade. Temos que nos preparar no universo digital para atendê-los”, disse Beth, que por mais de dez anos dirigiu canais de televisão com programação para crianças e adolescentes. “A TV ficou pequena, eles estão todos conectados. Mas percebo que falta quem pense produtos audiovisuais adequados.”

 

Ao falar sobre o impacto da arte sobre crianças que estão em tratamento em hospitais, o fundador e coordenador da organização não governamental Doutores da Alegria, Wellington Nogueira, também destacou o potencial de bem-estar e de confraternização que a arte pode proporcionar. Para ele, é fundamental ampliar os espaços de apresentações artísticas e culturais.

 

As propostas discutidas para a infância durante o encontro serão compiladas pelos participantes e devem integrar a política nacional. Um documento está sendo elaborado pelo Ministério da Cultura em conjunto com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. A iniciativa tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

    Author: Redação

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