Para M. Suplicy, Brasil deve evitar estereótipo do “Carnaval”

Em visita ao Reino Unido, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu que o Brasil deve abandonar o estereótipo do “Carnaval e futebol” e apostar mais na promoção de seu ‘soft power’
(poder brando, em tradução livre) – a capacidade de um país influenciar outros por meio de sua cultura e ideias.

Segundo Marta, porém, o trabalho de promoção do Brasil no exterior – em um momento em que o país atrai interesse internacional por causa da Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 – deve pôr mais ênfase na cultura nacional, evitando o esteriótipo do país do “Carnaval e futebol”.

“Quando era ministra do turismo fiz um trabalho hercúleo (para evitar o esteriótipo), que a Embratur continuou”, afirmou a ministra. “Neste momento, queremos mostrar a diversidade. Temos artistas plásticos e teatro de primeiro mundo, música, cerâmica. Queremos mostrar essas
coisas que são parte de nosso acervo cultural. O resto também é. Nossas praias, tudo isso é bonito, e bom, e atrai, mas a identidade brasileira é a cultura.
Este é o momento de aproveitarmos para fazermos a nossa marca como país – o tal do soft power.”

Segundo a ministra, a Inglaterra “está brigando para manter o ‘soft power’ que eles levantaram com a Olimpíada de Londres”. “(Essa imagem de que o Reino Unido é) um país de conquistas
na tecnologia, cultura, (que tem capacidade de) organização – foi o que eles conseguiram mostrar”, disse Marta.

“Nós temos tudo para mostrar um ‘soft power’ mais poderoso”, afirmou, após atentar para a necessidade de se dar visibilidade para manifestações culturais de diversos Estados e cidades
brasileiras.

Marta se encontrou em Londres com a ministra da Cultura britânica, Maria Miller, e com autoridades responsáveis pelo festival cultural organizado durante os Jogos Olímpicos deste ano.

O objetivo era entender o que o Brasil pode aprender com a experiência britânica para aplicar nos eventos culturais relacionados a Copa de 2014 e a Olimpíada do Rio, em 2016.

CEUs no exterior

Durante a visita, Marta disse que uma das “ideias” de seu ministério, ainda em fase de gestação, seria criar centros de promoção da arte e da cultura brasileira no exterior – o que ela chama de “CEUs das Artes no exterior”.

O nome lembra os chamados Centros Educacionais Unificados (CEU) – escolas com ampla infraestrutura para a prática de esportes e atividades culturais -, um dos cartões de visita da administração de Marta na prefeitura de São Paulo.

Recentemente, o Ministério da Cultura anunciou que pretende inaugurar 360 Centros Unificados de Arte e Esporte em 325 municípios brasileiros – aos quais Marta também se refere como “CEUs das Artes”.

Segundo a ministra, porém, o uso do mesmo termo no Ministério da Cultura não seria uma forma de autopromoção. “Temos de ter presença cultural fora (do país) e que nome vamos dar? Esse CEU das Artes é uma marca do governo Dilma. Não é relacionado ao CEU de São Paulo”, disse.

De acordo com Marta, a ideia de criar esses centros de cultura brasileira no exterior também poderia ser parte de um projeto maior para ampliar o ‘soft power’ do país. Ela diz, porém, que por enquanto há poucas iniciativas concretas sendo coordenadas nesse sentido.

Iniciativas preexistentes

Antes de chegar à Grã-Bretanha, Marta inaugurou em Lisboa o chamado Espaço Brasil, um centro com bares, restaurantes e áreas para manifestações artísticas que foram concebidas como parte das comemorações do Ano do Brasil em Portugal.

Em Londres, visitou um recém-reformado espaço na nova sede da embaixada brasileira, que servirá para a realização de eventos e exposições relacionados ao Brasil e anunciou que o Ministério da Cultura irá colaborar na realização desses eventos.

Segundo a ministra, essas duas iniciativas poderiam ser “os primeiros CEUs das Artes no exterior”, mas ela admite não saber de onde viria o financiamento para iniciativas semelhantes.

Alguns especialistas em assuntos internacionais, como Joseph Marques, do King’s College, em Londres, acreditam que, para ampliar o ‘soft power’ brasileiro, seria oportuno para o país começar a pensar em uma diplomacia cultural mais séria e contínua, que passaria pela promoção da língua portuguesa.

Para a Grã-Bretanha, o trabalho de promoção cultural e lingüístico é feito pelo Conselho Britânico. A China tem mais de 1.000 unidades do Instituto Confúcio espalhados pelo mundo, a França apoia a Aliança Francesa e a Espanha tem o Instituto Cervantes. A Alemanha financia o Goethe Institute e Portugal tem o Instituto Camões. “Se você quer um país que tenha impacto, a língua é importante. Mas isso você não faz do dia para a noite”, disse Marta.

Ela também admitiu que o Brasil poderia estar mais adiantado nos preparativos para os projetos culturais que acompanharão os Jogos da Copa e das Olimpíadas, mas, disse que na Inglaterra a maior parte do trabalho teria sido feita em dois anos.

Author: Redação

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