O Twitter está substituindo as agências de notícias

twitterOs Cursos de Verão da Universidade Complutense em El Escorial, na Espanha, reuniram em uma mesa de debate responsáveis de um serviço gratuito, um grupo de sites informativos e de um banco. Grande mistura. Trata-se de Virginia P. Alonso, diretora adjunta do site 20minutos.es, Mario Tascón, editor da Diximedia (que publica 233grados.com, Practicopedia e Lainformacion.com) e José Manuel Valenzuela, responsável de comunicação online do BBVA.

Os conferencistas participam de um curso que se intitula “A responsabilidade da informação: Os meios de comunicação no século XXI” e que, na tarde da terça-feira, 13 de julho, debateu sobre a “Simbiose: Novas tecnologias nos meios tradicionais”.

Mario Tascón não tem rodeios. “Uma das chaves informativas é a Internet em tempo real. Estamos vendo como uma ferramenta como o Twitter, por exemplo, está até começando a substituir as agências de notícias. Pode-se dizer que ele está substituindo inclusive um meio convencional como o rádio. Pelo menos, para boa parte das pessoas”.

Essa é a chave do seu discurso. As pessoas e sua nova capacidade para consumir informação. São essas mudanças, na opinião de Mario Tascón, que estão mudando o ecossistema informativo e são produzidos, precisamente, pela tecnologia. Uma vez certificada a mudança nos usuários em seu modelo de consumo dos meios, é preciso pensar, afirma, nos jornalistas que são necessários para assumir os novos desafios.

Nisso, ele quis matizar algumas declarações que tiveram “certo eco”. “Quando digo que não preciso de um jornalista que não saiba usar o Facebook ou o Twitter, me refiro a que não confio em um jornalista que não é capaz de entender as mudanças que se produziram, um jornalista que não é capaz de entender a sociedade na qual vive. Acredito que assim pode-se entender melhor o que eu queria dizer”, matiza.

Dos jornalistas ao jornalismo, Tascón entende que, “em um território que nos iguala, onde todos competem por tudo, é preciso se perguntar não só quem é a nossa concorrência, mas também como competimos”. E então explicou que a concorrência hoje é de duas formas: “De conseguir tempo de atenção das pessoas e, como sempre, pela publicidade. Competimos para que os anunciantes encontrem em nós uma boa plataforma”.

Com relação à integração das redações, ele tirou do manual e esboçou em uma série de pontos todos os problemas que ele percebe nesse tipo de processo, dos quais reconheceu que é “um dos seus favoritos”.

Mario Tascón, em primeiro lugar, entende que um dos problemas da integração “é que ela é uma questão de conceito. Soa bem e é elegante, e por isso é difícil rebatê-la”.

A segunda é uma questão de objetivos. “Para que funcionem bem ambos os canais”, afirma. “Mas sempre encobrem, embora não o verbalizem, uma operação de proteção do papel”.

Em terceiro lugar, encontra “um problema profissional”. O que significa que é complicado fazer bem tudo o que é preciso fazer, e ele dá o exemplo da “febre dos jornais pelos podcasts”, quando “o que sabem fazer é escrever”.

Em quarto lugar, estima que há um problema de análise. “Pensam que vão mudar a fábrica, mas só mudam o final, a distribuição”.

E se despede com um golpe, que pode ser também uma voz de alarme: “As integrações, em muitos sites, estão sendo manejadas por consultoras. Faz parte da confusão e é pouco profissional, porque não há uma análise séria do que se quer fazer”.

Virginia P. Alonso, do 20 Minutos.es, mudou o manual de Mario Tascón pela definição de “simbiose” que o dicionário oficial apresenta, e disse que essa definição “pode ser transferida perfeitamente para o momento jornalístico”. Por isso, compartilhou com o público que “a espécie mais rara para muitos jornalistas é a da Internet”. Mas advertiu que “não é outra espécie, mas sim o ecossistema em que vão ter que viver com todas as demais. A Internet é o suporte mãe do rádio, da televisão e da imprensa escrita”.

Ela justificou suas afirmações porque ela “trouxe uma mudança climática, que é a imediaticidade informativa, junto com a possibilidade de contar históricas com uma grande angular (texto, fotos, áudio, link, contextualização), o que permite melhorar nossa tarefa jornalística”.

Virginia Pérez Alonso acredita que “romperam-se as barreiras. Agora, todos somos emissores e receptores. Quem não souber escutar as requisições de seus leitores – afirma, convencida – estará perdido”.

Por último, confirmou que “acabou o púlpito dos jornalistas”, que vem a ser, no fim das contas, o jornalismo sem tarimba.

José Manuel Valenzuela, do BBVA, foi o mais conciso de todos, embora posteriormente participou de forma ativa no debate com os alunos. Valenzuela afirmou que “a sociedade está bem à frente das empresas e dos meios” e que “o exemplo está no uso das novas ferramentas”.

Sobre “o discurso de que a Internet é o futuro”, reconheceu “que me parece rançoso, porque a Internet é o presente. Viemos de uma etapa de estabilidade dos meios. E agora chegamos a uma etapa de adaptação contínua. Estamos na transição e não sabemos o quanto ela irá durar”.

*do Periodismo al Pil Pil (13/07/2010), com tradução de Moisés Sbardelotto.

    Author: Redação

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