Morre a costureira e atriz Nadir Martinello

Nadir Martinello Schnobli, viúva, 72 anos, residente em Francisco Beltrão, faleceu na madrugada de segunda-feira, 26, e foi sepultada ontem. Ela sofreu um infarto fulminante, foi levada para um hospital, mas já estava sem vida. O cortejo foi acompanhado pela Guarda de São Cristovão até o Cemitério Municipal Padre Arthur Vangeel, no bairro Presidente Kennedy. Ela deixa duas filhas, netos e bisnetos e todo o elenco de “A Saga” sente a sua falta.
Nadir foi uma pessoa importante nas filmagens do primeiro seriado que conta a história da colonização do Estado do Paraná.
Sua participação começou em 1999, quando foi selecionada a fazer parte
como figurante de uma cena. Havia várias pessoas diante de uma igreja (1949) e
os atores Valdir Fernandes, Raymundo de Souza e Hélio Zach. Nadir Martinello
Schnobli — Tiazinha, como era chamada pelo elenco —, durante as filmagens que
previa um tiroteio, ao correr, caiu num buraco, mas não aconteceu nada a não ser
a gozação e risos de todos os participantes.
Foi o seu primeiro contato com a direção e todo o pessoal da produção.
Depois desse episódio, dona Nadir ingressou na equipe de produção e durante
mais de 10 anos acompanhou todas as filmagens que foram realizada em mais de 30
lugares e cidades dos estados do Paraná e Santa Catarina.
Nadir, além de fazer a maioria dos figurinos como costureira, também
exercia a função de camareira e auxiliar de figurino, acompanhava todos os
atores em cena, como João Vitti, Gabriela Alves, Olga Bongiovanni, Raimundo de
Souza, Roberto Bomtempo, Denis Derkian, Emilio Pitta, Ivan Taborda e Igor
Rickli. Nadir também fez o papel de acompanhante do Padre Germano (Valdir
Fernandes).
Manaoos Aristides, um dos produtores do filme e do seriado, estava
emocionado ao falar sobre a morte da amiga. Num dos trechos do texto enviado ao
JdeB, Manaoos afirma: “Confesso que
estou muito abalado com o acontecimento”.

Nadir entrou por acaso em “A Saga”
Dona Nadir Martinello Schnobli entrou por acaso para o elenco do filme
“A Saga”, no final da década de 1990. Sua neta Dirceia Schnobli —
praticamente filha, porque morava junto com Nadir — fazia curso de teatro em
Cascavel e viu uma propaganda em canal de TV convidando as pessoas para participar
das filmagens. Dirceia e Nadir encararam o desafio e acabaram se integrando à
equipe. As filmagens se prolongaram por cerca de 12 anos até a conclusão do
trabalho.
Dirceia conta que tempos depois sua família se transferiu para Santa
Catarina e em 2009 houve o retorno a Beltrão. Nadir continuou acompanhando o
trabalho de “A Saga” em outras filmagens em várias cidades. “Ela
ficava em casa, com os familiares, e quando ligavam pra ela (convidando-a para
ajudar), ela ia”, conta Dirceia.
“Era uma coringa”
A filha diz que sua mãe fazia de tudo: comida, figuração, costuras e
interpretava alguns papéis. Mas o principal trabalho era o de figurino — as
roupas confeccionadas para os personagens. “O trabalho dela era todo
voluntário”, salienta.
Dirceia afirma que dona Nadir ficou órfã ainda bebê — sua mãe morreu
pouco depois do nascimento. As pessoas que a criaram não a encaminharam para a
alfabetização. Apesar de não saber ler e escrever, a costureira se esforçou e
aprendeu os números e outras coisas. Antes das filmagens, os atores ajudavam
dona Nadir a decorar os textos do seu personagem.
Dirceia diz que sua mãe era uma pessoa “geniosa, guerreira”,
exigia o melhor, era muito inteligente, ajudava as pessoas, gostava de bichos —
teve cães e gatos em sua casa — e de crianças. Antes mesmo do programa de
coleta seletiva iniciar em Beltrão, dona Nadir já separava os produtos
recicláveis que eram entregues aos catadores. “Ela brigava muito por
isso”, salienta Dirceia.
Outra preocupação da costureira era com o desperdício de energia
elétrica, água e dinheiro. Ela insistia para que as pessoas evitassem os gastos
desnecessários. Apesar do analfabetismo, gostava muito de assistir TV e sempre
se mantinha bem informada sobre os fatos diários. Seu marido morreu há 15 anos.
Nas filmagens para o seriado “A Saga”, ela também teve participação. A série que conta a história da colonização do interior do Paraná e da região Oeste poderá ser vista, em 2013, em 16 capítulos, pela TV Brasil, canal do governo federal, sintonizada no município e parte do Sudoeste pela TV Beltrão.

Author: Redação

Share This Post On

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *