Japão deve refletir sobre sua história de invasão, dizem estudiosos

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Tropas japonesas capturaram a Ilha de Hainan da China em 1939 e usaram-na como uma base de operações para a invasão da China e do Sudeste Asiático. O exército japonês também cometeu várias atrocidades na ilha, incluindo assassinatos, estupros e a queima de aldeias.

Sato começou a estudar a história da invasão militar do Japão de seus vizinhos na década de 1970 e gradualmente aprendeu sobre as atrocidades cometidas pelos militares japoneses na ilha de Hainan.

Para saber mais sobre esta parte da história, Sato fundou um grupo civil e juntamente com seus companheiros estudiosos, decidiu visitar a Ilha de Hainan para coletar testemunhos de moradores locais.

“Nós precisamos ir aos lugares onde as atrocidades aconteceram e ouvir os testemunhos das vítimas, porque nosso governo apagou todas as evidências e registros aqui sobre esses crimes de guerra,” disse Sato.

Desde 1998, Sato e os membros de seu grupo civil visitaram a ilha de Hainan mais de 30 vezes e entrevistaram mais de 200 pessoas, principalmente familiares das vítimas das atrocidades japonesas.

Apesar de ficarem chocados com os crimes de guerra cometidos pelo Japão, eles também estão preocupados com a atual situação da maioria dos jovens japoneses hoje em dia, que não têm conhecimento suficiente da história da guerra, devido à iniciativa do governo japonês de apagar a história.

Hidemaru Saito, um membro do grupo de Sato, disse que, para alguns japoneses, a história da guerra é uma história do Japão sofrendo com o bombardeio nuclear e ataques aéreos, e consideram que o país foi uma vítima, e não o agressor.

Sato disse que muitos grupos civis no Japão agora estão tentando falar às gerações mais jovens sobre a verdadeira história “sob pressão do governo, embora os jovens têm muito poucas oportunidades para aprender sobre as verdades históricas, estas oportunidades ainda sim existem.”

Kim Jung-Mi, uma estudiosa coreana que também faz parte do grupo civil de Sato, disse que o Japão tem escondido a verdade histórica sobre a guerra, e as gerações que realmente conhecem a verdade estão envelhecendo.

“Temos que gravar essas memórias na história e passar para as próximas gerações,” disse ela.

“Se eu fosse um chinês, como eu poderia confiar em um Japão que nega o Massacre de Nanjing e o fato de que o Japão invadiu também outros países? (…) O primeiro passo (para construir a confiança mútua) é admitir sua história,” disse Sato.

Fonte: Xinhua

    Author: Brasil Cultura

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