HOMENAGEM NO DIA DO SAMBA AO NELSON SARGENTO

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Como hoje dia 2 de dezembro é comemorado o dia nacional do samba, o Portal Brasil Cultura e o jornalista e compositor Cláudio Ribeiro prestam uma homenagem com uma gravação de entrevista ao Programa Almoço à Brasileira pela Rádio Educativa do Paraná em 2001 a Nelson Sargento (estará em Curitiba nos dias 11 e 12, nome artístico de Nelson Mattos, é compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro, Batizado de “Enciclopédia do Samba” por Beth Carvalho e coroado presidente de honra da Mangueira, Nelson Sargento não é reconhecido só pelo samba. Os mais próximos conhecem uma faceta pouco divulgada, mas bastante elogiada: a de artista plástico.

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Edição de áudio: Rafael Gustavo Ribeiro

 

Nelson Sargento em Curitiba

nelson-sargentoO Samba do Sindicatis convida para o show “Nelson Sargento” em comemoração ao aniversário de 6 anos de batucada do Sindicatis. A roda em homenagem ao lendário expoente da Estação Primeira de Mangueira NELSON SARGENTO e será no dia 11/12, no mesmo clima que foram as festas anteriores com Waldir 59, Tuco Pellegrino, Monarco, Rafael Lo Ré e Tantinho da Mangueira.

No repertório – clássicos do samba como ‘Agoniza, mas não morre’, ‘Falso amor sincero’, ‘Homenagem ao mestre Cartola’, entre outros. Sua trajetória na música, na literatura e nas artes são suficientes para vários carnavais, Nelson Sargento é o representante vivo do quesito samba. A própria resistência Cultural Brasileira. O fidalgo do salão. A voz do Samba.

Os ingressos antecipados estão sendo vendidos a R$ 25,00 pelos integrantes do Sindicatis e no Bar Santo Mé. Na hora o ingresso será R$ 35,00.

Santo Mé fica na rua Clotário Portugal, 269 – São Francisco.

Fone: 41 3022-7255

Clube Dom Pedro II fica na rua Brigadeiro Franco, 3662 – Água Verde – Curitiba-PR.

Fone: 41 3024-1499

 

NELSON SARGENTO

nelson-bioCompositor. Cantor. Escritor. Pintor. Músico. Ator. Nasceu na Santa Casa de Misericórdia, na Praça XV. Filho de Rosa Maria da Conceição (cozinheira, lavadeira e empregada doméstica) e Olympio José de Matos (cozinheiro-chefe do Armazém Dragão Secos e Molhados, da Rua Hadock Lobo). Sua mãe, com a separação do primeiro marido, uniu-se a Arthur Pequeno, que morava no Morro do Salgueiro.  Aos nove anos, morava no Morro do Salgueiro, com mais 17 irmãos, onde desfilava na Escola de Samba Azul e Branco. Aos 12 anos, mudou-se para o Morro da Mangueira, sendo adotado por Alfredo Lourenço, pintor de paredes nascido em Portugal e que chegara em um navio, fixando-se no Morro da Mangueira, onde recebeu o apelido de Alfredo Português. O padrasto (ex-fadista), a essa altura Arthur Pequeno faleceu e a mãe se unira a Alfredo, levava o pequeno Nelson para os ensaios da Escola Unidos da Mangueira, já extinta. Aprendeu a tocar violão com Aluísio Dias, Cartola, Nelson Cavaquinho e Geraldo Pereira, passando a musicar os versos feitos pelo pai adotivo. Seguindo os passos de Alfredo Português, tornou-se pintor de paredes aos 17 anos. Trabalhou na Fábrica de Vidros José Scarrone, no bairro de Vila Isabel. Por influência de Alfredo Português e Carlos Cachaça passou a integrar a ala de compositores da Mangueira, em 1942. Foi sargento do Exército de 1945 a 1949, daí o apelido que tomou como nome artístico após ter participado do musical “Rosa de Ouro”. No ano de 1958 assumiu o cargo de Presidente da Ala de Compositores do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. No ano de 1973 Sérgio Cabral organizou uma reunião em sua casa e fez uma pequena exposição de alguns (seis) de seus quadros. Na ocasião, Paulinho da Viola comprou um deles. No ano de 1981 escreveu com Alice Campos, Francisco e Dulcinéia Duarte, a monografia “Um certo Geraldo Pereira”, lançada pelo “Projeto Lúcio Rangel”, criado por Hermínio Bello de Caravalho para a Funarte. A partir de 1982, passou a conciliar a carreira de músico com a de artista plástico. No Rio de Janeiro, em 1983, expôs seus quadros de cenas do cotidiano e figuras primitivistas no Arquivo da Cidade. No ano de 1992, foi realizado um documentário sobre sua vida e obra, “Meia hora de arte”, produzido por Luiz Guimarães Castro. No ano seguinte, em 1993, expôs seus trabalhos de artista plástico no Museu da Imagem e do Som. No ano de 1994 lançou o livro de poemas “Prisioneiro do mundo” fez exposição de quadros na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No ano posterior, em 1995, expôs seus quadros no  Museu do Folclore. Por serviços prestados à cultura, em 1996, foi condecorado com a “Medalha Pedro Ernesto”, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Casou com a produtora Evonete Belisário e pai de 11 filhos (sete naturais e quatro de criação). Como ator estreou no longa-metragem “É Simonal”, de Domingos de Oliveira. Também atuou em filmes dirigidos por Estevão Pantoja, Luiz Guimarães de Castro, Alice de Andrade, Walter Salles, Daniela Thomas, Cacá Diegues (em “Orfeu do carnaval”) e Flávio Tambellini, assim como na minissérie “Presença de Anita”, da Rede Globo. No ano de 1997 por sua atuação no documentário “Nelson Sargento na Mangueira”, de Estevão Ciavatta Pantoja, foi premiado na categoria “Melhor Ator” e “Melhor Trilha Sonora no “Festival de Cinema Rio Cine”. O documentário “Nélson Sargento da Mangueira” foi exibido em vários festivais de cinema, sendo premiado em diversos deles. A composição “A felicidade se foi” fez parte da trilha sonora do filme. No ano seguinte, em 1998, fez exposição de quadros na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e no ano seguinte, em 1999, voltou a expor no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e ainda,  atuou em “O primeiro dia”, filme de Walter Salles e Daniela Thomas. Em 2003 finalizou o livro de contos “Samba eu”. Em sua homenagem, Moacyr Luz e Aldir Blanc compuseram “Flores em vida”, da qual destacamos os seguintes versos: “Sargento apenas no apelido/guerreiro negro dos Palmares/Nelson é o Mestre-Sala dos mares/Singrando as águas da Baía”. No ano de 2005 lançou, na “1ª Bienal de Leitura de São Gonçalo”, o livro “Pensamentos”, pela Editora Olho do Tempo. Dois anos depois, em 2007, lançou a fotobiografia de Cacá Diegues. Em 2010 apresentou junto ao compositor Agenor de Oliveira, o programa “Eles têm história para contar”, na Rádio Roquette Pinto FM, do Rio de Janeiro. O pesquisador musical Diogo Costa e o historiador André Diniz lançaram o livro-perfil “Nelson Sargento, o samba da mais alta patente”, escrito ao longo de dois anos, com cerca de 50 horas de entrevistas gravadas. No ano de 2012 foi enredo da Unidos do Jacarezinho, intitulado “O samba agoniza, mas não morre: Nelson Sargento da Mangueira e do Jacaré também”. Em 2015 voltou a ser tema de enredo de uma escola de samba, desta vez do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Inocentes de Belford Roxo, com o título “Nelson Sargento: samba, inocente e pé no chão”.

    Author: Claudio Ribeiro

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