G. R. E. S. Filhos da Capela – Antonina 2007

 

Grêmio Recreativo Escola de Samba “Filhos da Capela”

Antonina – Paraná.

Carnaval 2007

Enredo: Jeferson Santos

Letra e música: Homero Réboli, Cláudio Ribeiro e Pedro Pereréca

Intérpretes: Emerson Marcel, Jeferson, Pedro, Josemar, Epitácio e Chrystiano

Participação especial: Marcelo do Cavaco

Carnavalesco: Márcio Marins

Presidente: Cristiane Alves Peixoto

Os cinco Heróis Escoteiros: Uma Saga de Amor a Capela

Capela meu templo

Onde aprendi a sambar

A história traz o tempo

Na força do samba a rezar

Bate o surdo da Capela

Rataplam do arrebol

Vem trazendo uma verdade

Escoteiros são a luz do sol

Brilhando a antoninense emoção

Encantando a cidade

Cheia de esperança e amor no coração

Vem contando uma verdade:

Era uma vez

Ainda passeia nas histórias infantis

O canto de uma sereia

De uma criança feliz

Dando harmonia perfeita

Com raríssimo esplendor

Vi boi-ta-tás e o rebumbar dos trovões BIS

E mil sacis em meio assombrações

Cinco garotos foram a pé ao Rio de Janeiro

Numa missão sem igual

Levaram um pedido ao presidente

Na “Terra do Carnaval”

Bravo! A flor de lis meu sempre alerta BIS

Bravo! Minha Capela faz a festa

 G.R.E.S. FILHOS DA CAPELA

CARNAVAL 2007

 

ENREDO: OS CINCO HERÓIS ESCOTEIROS – UMA SAGA POR AMOR À CAPELA

 

COMISSÃO DE FRENTE: Flor de Lis – símbolo do escotismo.

CARRO DE ABERTURA: Coroa e fantasias que representem um período de fartura.

PORTA BANDEIRA E MESTRE SALA: representando os tempos áureos

MADRINHA BATERIA: dama da noite.

BATERIA: marinheiros

ALA DAS MENINAS DO ESTEIRO: meninas com as quais os marinheiros se divertiam e que tinham seu reduto na rua do esteiro (atual rua Dr. Justino Mello).

ALA: Depressão – representando a apreensão dos antoninenses com o fechamento do Lloyd.

ALA: lobinhos e bandeirantes: ala das crianças, representando o grupo escoteiro na sua formação.

CARRO: A Entrega da Carta. (Palácio das Águias): representação da entrega da carta ao presidente com os 5 escoteiros e a figura do presidente.

ALA: mata /bichos/ lendas: representando o caminho percorrido pelos jovens heróis escoteiros, cheios de perigos e medos. Representação da Mata e onças, e personagens do imaginário popular.

ALA: Noite e dia: representando os dias e as noites que os meninos levaram até chegar ao seu destino (42 dias).

ALA: baianas

CARRO: de encerramento: Destaque (Marcelo Cecyn). Carnaval representando a alegria do objetivo alcançado.

Grupo de escoteiros de Curitiba, trazendo mensagem de paz e em comemoração aos 100 anos do escotismo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DE: JEFERSON SANTOS (em 19/04/06)

PARA: DIRETORIA DA ESCOLA DE SAMBA “FILHOS DA CAPELA

ASSUNTO: SUGESTÃO DE ENREDO PARA O CARNAVAL 2007

 

 

 

TEMA: A JORNADA ÉPICA DOS ESCOTEIROS

 

SINOPSE:

Estamos nos longínquos idos de 1941. Pela antiga estrada da Ribeira cinco meninos fardados de escoteiros caminham no rumo da Capital Bandeirante de onde, a pé prosseguirão ao Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal. Que querem estes garotos temerários que na extensa estrada margeada de matas virgens, abrigos de feras e malfeitores, prosseguem com suas frágeis constituições físicas, enfrentando fome, cansaço e as inclemências do tempo? Quem são esses meninos, por que fazem isso, que querem eles? Milton Horibe, pai japonês, mãe brasileira; Manoel Antônio de Oliveira, Antônio José Gonçalves (Canário), Lídio Santos e Alberto Shtorach Júnior, todos empolgados por uma causa que lhes dá força para o prosseguimento da jornada de mais de 1.000 quilômetros a pé, levam na pequena mochila em que carregam a magra ração de seus sustentos, uma mensagem ao então Presidente da República, Getúlio Dorneles Vargas. Por que fazem isso esses garotos, quando outros milhares de sua idade brincam, comem à mesa e dormem ao abrigo de suas casas em fofos colchões? Que interesses têm esses meninos na mensagem que vão levando ao presidente, afundados nas tenebrosas noites frias, enfrentando o chão duro das estradas, iluminadas às vezes pelo ribombar dos trovões, sob o açoite das tempestades?

Os meninos audazes quando daqui partiram, deixaram atrás de si, um clima de tristeza e melancolia. Antonina que até a poucos meses regurgitava num ritmo de trabalho incessante nos seus trapiches, armazéns e nas suas organizações sindicais, pára de súbito. Inexplicavelmente, o presidente da república determinara o fechamento das Companhias de Navegação Costeira e Loide Nacional, frentes de representativas de trabalho de no mínimo 60% das classes afeitas às lides marítimas de Antonina.

Centenas de famílias já se haviam deslocado para o município de Paranaguá, em cujas companhias embarcadoras foram acolhidos os mais antigos servidores, como única alternativa de manter tais empregados.

Duas comissões de homens conhecedores dos resultados ruinosos que tal decisão provocara na infra estrutura social de Antonina, já haviam viajado e inutilmente tentado contato com o presidente da república.

Por isso, o espírito daquele patriotismo antoninense e incomparável de Manoel Eufrásio Picanço, falou alto aos ouvidos dos seus pequenos escoteiros: “Só vocês, meninos, poderão sensibilizar o mandatário da nação, a ponto de fazer Sua Excelência ouvir os clamores do nosso povo. Mas vocês terão que ir a pé até lá!”. Os garotos se entreolharam e chegaram a supor que o chefe estava brincando. Sabe lá o que são mais de mil quilômetros percorridos a pé numa estrada áspera, com cobras e onças por todos os lados durante o dia e à noite, boitatá , mula sem cabeça, sacis pererês e outras assombrações que tiram o sono da gente? Mas a expressão do chefe permanecia dura e inabalável…

A estrada sem fim à frente. Chuva frio, vento e sol. São cinco pequeninos seres lançados na imensidão daquela faixa de terra. Caminham com a sola dos pés doidas pela implacável dureza do solo riem, contudo, para minorar as agruras da marcha.

Lá atrás, centenas de quilômetros ficaram, lembranças de seus amigos, de suas famílias, de suas casinhas, de sua terra. É por ela que eles prosseguem na jornada épica na luta pela redenção de sua Antonina. O presidente terá que ouvi-los. A mensagem pedindo o retorno dessas empresas para o município antoninense, como medida salvadora do desemprego e ruína gerados com essa resolução superior, vai ali, na mochila de um deles que caminha vergado pelo peso desse equipamento, com andar trôpego, incerto, como nos andares trôpegos e incertos caminham todos eles já próximos da Capital Federal. Mas há um brilho no olhar de todos. Aquele orgulho do patriota mirim que começa a sentir o toque da chama idealista pelo dever cumprido. Finalmente, o Rio de Janeiro! Finalmente., o presidente recebendo a mensagem das mãos dos bravos garotos antoninenses. Quarenta e dois dias caminhando por caminho entre selvas, estradas poeirentas, pontes, cidades. Quarenta e dois dias longe do calor de seus familiares e do conforto de seus lares, no abandono de uma estrada feia, que se parecia não ter mais fim e que, no contraste de suas minúsculas pessoas, parecia querer esmagá-los, engoli-los, para sempre…

O presidente atendeu pelo menos parte do que a mensagem reivindicava. Mandou reabrir os escritórios das mencionadas empresas que anos mais tarde acabaram fechando definitivamente. Mas o objetivo da jornada talvez sem precedente no Brasil, foi inteiramente atingido. Os escoteiros antononienses cumpriram um itinerário de 1.030 quilômetros a pé, através das localidades de Cachoeira, Praia Grande, Epitácio Pessoa, Ouro Fino, Ribeira, seguindo após pela Curitiba-São Paulo e São Paulo-Rio de Janeiro, atingindo a Capital Federal em 30 de janeiro de 1942.

Eis a foto histórica: Milton Horibe, o escoteiro que subcomandou seus bravos companheiros, fazendo entrega da mensagem ao então presidente Getúlio Vargas, que é visto em terno branco. O outro escoteiro que presta continência, é o “Manduca” – Manoel Cabral. Deve ainda estar vivo e com família graúda. O General Heitor Borges, que era o presidente das Associações dos Escoteiros do Brasil, aparece também fardado de escoteiro.

(Extraído do texto original escrito pelo jornalista Admaro Santos – Jornal “O Antoninense”, edição n.º 68 de 27/01/1971 – fls.12)

 

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    Author: Redação

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