Festival de Gramado é anunciado sem captar os recursos necessários

A 40ª edição do Festival de Gramado (RS), que acontece entre os dias 10 e 18 de agosto, será realizada neste ano sob nova organização e com uma seleção de filmes acessíveis, inovadores e diversificados na mostra competitiva, segundo a curadoria do evento. Ainda não foi captado todo o recurso necessário para a realização plena do evento. Dos R$ 4 milhões orçados, a organização consegui R$ 2,5 milhões, o que impede que os filmes concorrentes recebam prêmios em dinheiro. Entre as competições se destacam os documentários, um deles dirigido pelo apresentador Pedro Bial, Jorge Mautner – O Filho do Holocausto.
Apesar da organização afirmar que tem a intenção de premiar os vencedores com dinheiro, isso ainda depende da captação de R$ 350 mil. “Temos a intenção de conseguir a premiação em dinheiro, mas ainda não temos os recursos para isso, vai depender da captação. Temos outras tratativas sendo desenvolvidas e temos tempo ainda para que possamos efetivá-las”, disse a secretária de Turismo de Gramado, Rosa Helena Volk, sobre a captação de recursos.
Dívidas de R$ 3 milhões e o bloqueio das contas da Associação de Cultura de Turismo de Gramado (ACTG) por problemas com o Natal Luz, outro evento cultural da cidade, fizeram com que a prefeitura trocasse de produtora. Nesta edição, o Festival será organizado pela Um Cultural, sob coordenação geral da Secretaria Municipal de Turismo.
Segundo a secretária, os problemas enfrentados pela ACTG fizeram com que o Ministério da Cultura bloqueasse os recursos, impossibilitando o pagamento de fornecedores do Festival de 2011. “Estamos tratando com o Ministério da Cultura e trocando o proponente para que os recursos que haviam sido depositados possam ser usados para pagar esses fornecedores”, explicou Rosa. Ela disse ainda que, neste ano, a fiscalização e acompanhamento do evento será feita pelo Conselho Gestor de Eventos do Município.
Os organizadores garantem ainda que alguns problemas da última edição não irão se repetir. No ano passado, alguns filmes foram exibidos em cópias de DVD (de menor qualidade) ou marcas d’água, o que fez com que essas produções não fossem levados em consideração pela comissão julgadora. Segundo a produtora, só serão exibidos os filmes que chegarem a tempo.
Todos os filmes selecionados são inéditos comercialmente e alguns deles ainda não participaram de nenhum festival. Foram selecionados oito longas nacionais (entre 101 inscritos) e cinco estrangeiros (entre 50 inscritos). Segundo o curador desta edição, o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, o objetivo da seleção era de buscar filmes acessíveis, inovadores e diversificados. No entanto, ele lamenta a proibição de exibir filmes convidados.
“Acho que conseguimos fazer uma seleção de filmes bem legais de se assistir. Odeio filme chato e que não traga algo de novo. Por isso, a seleção pretendia ser diversificada, com um pouquinho de tudo, mas a gente só podia trabalhar com aquilo que estava inscrito porque o regulamento não nos permite convidar filmes, o que é uma coisa que eu espero que mude nos próximos anos”, disse Rubens.
Além do documentário dirigido por Pedro Bial, está o Futuro do Pretériro: Tropicalismo Now! produção do mesmo gênero, dirigida por Ninho Moraes, pai da atriz Alice Braga. O filme propõe uma visão atual do movimento tropicalista.
Entre os estrangeiros, o destaque fica com o documentário chileno, Calafate, Zoológicos Humanos, dirigido por Hans Müchi Bremer. A obra fala sobre pesquisadores que levavam índios chilenos para serem exibidos em zoológicos da Europa no século XIX.

Author: Redação

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