Dez livros para conhecer a literatura venezuelana

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Este impulso formou uma nova geração de leitores e resgatou os clássicos, não só da literatura venezuelana, mas universal. Um dos preferidos do presidente era Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes.

Muito se fala no Brasil em literatura argentina, colombiana, uruguaia, Cortázar, Galeano e García Márquez são autores presentes no cotidiano dos leitores brasileiros. Porém, as obras venezuelanas parecem distantes dos amantes dos livros tupiniquins. Selecionamos 10 obras de períodos diferentes da literatura do país de Hugo Chávez.

Veja a lista completa:

1 – Cuentos Grotescos

Um livro de contos, como o nome indica, escrito por José Rafael Pocaterra, publicado em 1922. Com o tempo, se tornou uma referência da literatura venezuelana. Trata-se de uma série de textos breves que surpreendem por sua agudez.

Retrata uma sociedade perdida, mais simples, porém complexa. Exige do leitor perspicácia para seguir a linha de raciocínio e ir mergulhar fundo em seus contos. Longe de ser realismo mágico, mas traz fantasia para a realidade.

2 – Doña Bárbara

Um clássico irrefutável da literatura venezuelana do renomado Rómulo Gallegos, publicado pela primeira vez em 1929. Trata-se de uma novela cujo mote é a disputa da civilização contra a barbárie, tema corrente do escritor.

Sem dúvida é uma obra fundamental para conhecer a literatura do país vizinho porque seus personagens são considerados “muito venezuelanos” e a literatura tem uma linguagem própria, com um toque de regionalismo.

3 – Las Memorias de Mamá Blanca

Também de 1929, esta obra de Teresa de la Parra retrata as peripécias da infância. É Mamãe Blanca quem, cordialmente, conta as memórias de sua infância. A obra traz consigo toda a Venezuela esquecida, deixada para trás, um país um país rural, com poucos prédios e trânsito, bem diferente do que vemos hoje.

A escrita com tom melancólico é considerada pelos críticos venezuelanos um “livro de memórias” da autora que contempla a história do país.

4 – Lanzas Coloradas

A novela de Arturo Uslar Pietri, publicada em 1931, resgada a saga independentista de Simón Bolívar. O autor busca destacar não só a luta do libertador, mas também do povo que não nasceu em berço de ouro e ainda assim se entregou à batalha pela soberania do país.

5 – La Tuna de Oro

Trata-se do segundo livro de contos desta lista, publicado em 1951 por Julio Germedia. Uma série de históricas carregadas de humor e regionalismos com os quais os venezuelanos até hoje se identificam.

6 – La Misa del Arlequín

O Arlequim perdeu algo que não consegue mais encontrar. Por mais que o busque, não chega a lugar nenhum. Mas a grande questão é: será que perdeu, ou nunca possuiu? Arlequim perdeu a si mesmo.

Publicado em 1962 o livro de Guillermo Meneses mostra um certo amadurecimento da obra venezuelana com desenlaces surpreendentes deste personagem que busca uma identidade pessoal em uma sociedade que o moldou sem que ele pudesse conhecer a si próprio.

7 – Piedra de Mar

Considerado o Bukowski latino-americano, Francisco Massiani traz com esta obra, publicada em 1968, um personagem complexo e “de pouca classe”, aventureiro, impaciente e muito sonhador.

8 – Cuando Quiero Llorar No Lloro

O autor Miguel Otero Silva se apropriou de um poema de Rubén Darío para dar o título da obra publicada em 1970. Trata-se da vida de três personagens de classes sociais distintas e a complexidade que esta relação apresenta conforme estas diferenças se escancaram.
É considerado um grande retrato da sociedade de Caracas no século 20.

9 – El Mago de la Cara de Vidrio

O mago da cara de vidro é uma dura crítica social à modernização da sociedade venezuelana, publicado em 1980 por Eduardo Liendo. Mais tarde o escritor se consagrou com outras obras, entre elas “Os pratos do diabo”. Mas este seu livro de estreia é considerado até hoje um dos mais importantes da literatura contemporânea do país.

10. La Juambimbada

O livro de poemas de Andrés Eloy Blanco é considerado um retrato de uma Venezuela que ninguém conheceu. Sem data exata de quando os poemas foram escritos, sabe-se que por volta de 1920 era lidos pelas ruas de Caracas pelos amantes de saraus e rodas literárias.

Com versos melancólicos, Eloy Blanco apresenta aos leitores uma Venezuela que poucos lembram, que talvez não tenha existido, mas que muito diz sobre o país até hoje.

 

Do Portal Vermelho

 

    Author: Brasil Cultura

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