Cultura? Que cultura? – Artigo.

Já estamos quase no final do governo de Raimundo Colombo em Santa Catarina, e as coisas não mudaram, no que diz respeito à educação, à saúde, à segurança. A educação continua em processo de falência, a saúde está na UTI e a segurança é prisioneira do descaso oficial.

Muito se fala em cultura, por exemplo, mas de concreto, quase nada foi feito. Cadê uma política cultural estável, funcional, que contemple todo o Estado, coisa que está faltando de há muito tempo? O CIC – Centro Integrado de Cultura, ainda está em reforma, passados vários anos e gastos muitos milhões de reais dos cofres públicos. O teatro e o cinema do CIC até foram liberados, este ano, mas voltaram a ser interditados, pelo não cumprimento de vários itens de
segurança Estamos esperando, ainda, que responsabilidades sejam apuradas. Um edital Elizabeth Anderle foi lançado este ano, mas é muito pouco para quase três anos de governo.

É preciso dar continuidade ao Prêmio Cruz e Sousa, também, e ao Edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais. Trata-se, este último, de uma lei que há quase vinte anos não vinha sendo cumprida e que teve, finalmente, um edital na gestão de Anita Pires. Precisamos de bibliotecários nas escolas públicas, coisa que o Estado não tem suprido como deveria. Aliás, falta professores, falta equipamento, falta manutenção, falta salário, falta tudo para a educação catarinense. E falta integração da capital com a cultura de todo o Estado, mais atenção da Secretaria de Cultura e da FCC a todas as manifestações culturais catarinenses, de qualquer cidade catarinense. Esperávamos que as coisas andassem melhor, neste novo governo, mas não mudou nada até agora.

O que ainda há deve-se a abnegados escritores e agitadores culturais que, tirando água de pedra, realizam eventos culturais sem o apoio do Estado.

Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione que contemple todas as modalidades de arte. Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas, que se prometa, apenas. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concedeu os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional.

Neste início de setembro, acontece em Florianópolis, a terceira Conferência Estadual de Cultura, tendo como tema “Uma política de Estado para a Cultura – Desafio do Sistema Nacional de Cultura”. Através dos delegados eleitos nas conferências municipais, a sociedade tem a chance de dizer o que pensa no que diz respeito a uma definição de politica cultural para o Estado. Esperemos que desta vez funcione, pois se é a terceira conferência, porque não funcionou
na primeira e na segunda?

Um povo sem cultura não existe. É precisos que os nossos governantes dêem mais atenção à cultura e a educação, para que continuemos existindo. É preciso que dêem o devido valor à cultura e à e à educação, sob pena de perdermos a humanidade, de perdermos a condição de seres civilizados.

Luiz Carlos Amorim, escritor de Santa Catarina

    Author: Redação

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