Carnaval ressurge das cinzas

carnaval em 2011Após incêndio na Cidade do Samba, União da Ilha, Grande Rio e Portela encaram o desafio de fazer desfiles à altura de seus pavilhões

A luta agora é para salvar algo que nem as chamas do trágico incêndio na Cidade do Samba puderam destruir: o orgulho próprio dos componentes de União da Ilha, Grande Rio e Portela. Dirigentes, carnavalescos, operários e voluntários trabalham dia e noite para reconstruir o máximo possível até o dia do desfile. O objetivo é fazer com que o ano de 2011 entre para a história dessas escolas como um ano de superação. A missão não é impossível, embora seja mais difícil para umas do que para outras.

 

Portela – Menos atingida das três agremiações, a Portela é que tem maiores condições de fazer um desfile de alto nível. A azul-e-branco conseguiu salvar sem danos todas as alegorias, que na prática são as grandes responsáveis pelo impacto visual de um desfile. O desafio da escola ficou por conta mesmo é das 2.800 fantasias destruídas pelo fogo, que devido à falta de tempo serão substituídas por versões simplificadas.

 

No entanto, as perdas materiais tendem a ser compensadas pela emoção. Em uma manobra inteligente, a Portela decidiu colocar a Velha Guarda na frente da escola, apelando para o carisma de nomes como Monarco e Tia Surica. O cantor e compositor Paulinho da Viola, que decidiu reforçar o contingente da escola, também deve sair junto dos baluartes. Comovido com a tragédia, o sambista desistiu de viajar durante o Carnaval para desfilar com sua escola do coração.

 

“É hora de os portelenses unirem suas forças pela escola para fazer o melhor possível”, convocou o sambista através do Twitter.

 

União da Ilha – Já a União da Ilha, que teve sua principal alegoria e mais 2.400 fantasias destruídas pelo incêndio, quer, literalmente, brilhar na Marquês de Sapucaí. Todos os carros da escola serão iluminados, incluindo o danificado pelas chamas – uma aranha gigante que promete caminhar pela Avenida e ser a maior sensação da escola.

 

Mas o iluminador Paulo César Pereira, responsável pelos carros da Ilha, tem outro carro como xodó, o que vai falar da evolução da vida no fundo do mar. Um enorme peixe translúcido terá na luz o seu maior atrativo. “Nesse carro, usaremos 80.000 watts. É a menor quantidade de luz que usarei, mas o efeito será fantástico por causa desse material translúcido”, conta o iluminador, que chegará a usar 150.000 watts em uma única alegoria.

 

Grande Rio – Fundada após o Carnaval de 1988, a escola do município de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, é a caçula entre as grandes do Carnaval carioca, e vive a pior tragédia de sua história. A agremiação, que este ano homenageia a cidade de Florianópolis (SC) foi a mais atingida pelo incêndio, tendo nele perdido todas as suas alegorias e ainda 3.300 fantasias. O fogo também destruiu completamente o barracão da escola, incluindo todo o maquinário.

 

Mas a Grande Rio tem uma aliada poderosa: a organização. Acostumada a fazer desfiles suntuosos, a escola conquistou, em pouco tempo, uma fama de competente – o que pode ser atestado pela sua assiduidade na lista de candidatas ao título do Grupo Especial. Nos últimos cinco carnavais, foram três vice-campeonatos e um terceiro lugar.

 

Com a ajuda das outras agremiações e de voluntários, em poucos dias de trabalho, a tricolor de Caxias refez as contas e já sonha em levar quatro carros alegóricos para a Marquês de Sapucaí. Com outros três tripés, o número de alegorias chegaria a sete – um feito impressionante para uma escola que perdeu tudo a apenas um mês do Carnaval.

 

A prioridade é o abre-alas, que aborda as lendas de bruxas na capital catarinense. Estão sendo reconstruídos ainda o segundo carro, sobre os índios Carijós; o quinto, sobre o mar; e o último, que retrata a Ponte Hercílio Luz, um dos cartões postais de Florianópolis.

 

Fonte

Author: Redação

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