Carnaval de guitarras

Carnaval de guitarrasOpção para quem quer fugir da folia do Carnaval, começou a programação mineira do Grito Rock, o maior festival em rede de música independente da América Latina.

Realizado simultaneamente em 78 cidades brasileiras, mais quatro da América do Sul: Buenos Aires e Córdoba (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), o evento é uma iniciativa do Circuito Fora do Eixo, rede que agrega 45 coletivos de todo o país.
Em Minas Gerais, o Grito Rock será realizado em Belo Horizonte, Divinópolis, Guaxupé, Ipatinga, Itabirito, Lavras, Montes Claros, Patos de Minas, Poços de Caldas, Ribeirão das Neves, Sabará, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano.

Até o dia 28 de fevereiro, mais de cem bandas vão se apresentar nos municípios citados. Quem inaugura a versão mineira do festival é a cidade de Uberlândia. Na capital, o evento acontece de 10 a 16 de fevereiro, no bar dançante A Obra, reunindo oito bandas e mais 13 DJs.

“Minas e São Paulo são os Estados que terão mais Gritos no país. Penso que aqui é o Estado mais musical do Brasil e haverá uma programação intensa. Atualmente, o Estado tem a melhor estrutura para o artista viabilizar sua carreira e, certamente, o Grito Rock Minas Gerais será um dos mais fortes”, avalia Pablo Capilé, idealizador do festival, que nasceu em 2005, em sua terra natal, no Mato Grosso.

Em Belo Horizonte, o evento terá em sua programação apresentação de três bandas da capital, duas do interior, duas de São Paulo e uma de Pernambuco. “Todas as bandas passaram por uma seletiva em seus respectivos Estados e foram selecionadas para circular pelos Gritos que acontecerão por todo o Brasil”, afirma Lucas Mortimer, do Coletivo Pegada, realizador do festival na capital.

Diversidade. Apesar do nome do festival remeter ao rock’ n’ roll, o evento não é apenas um lugar para bandas dedicadas ao gênero. Comprovação disso será a participação do grupo Capim Seco no Grito Rock Minas Gerais, uma das bandas selecionadas nas prévias mineiras, realizadas em meados do mês passado.

Formado por Michelle Andreazzi (voz), Gabriel Goulart (violão), Luiz Lobo (bateria), Vinícius Marques (baixo) e Tiago Barros (saxofone), o Capim Seco tem como um de seus principais suportes musicais o samba, dialogando com gêneros como o jazz e ritmos brasileiros.

“O Capim Seco não é totalmente samba de raiz. Trabalhamos com arranjos que fazem uma releitura do gênero, utilizando elementos de outros ritmos. Temos um trabalho estético que trata o samba de uma forma diversa”, conta a cantora Michelle Andreazzi.

Ainda assim, a banda é uma espécie de agulha no palheiro, em relação à programação do Grito Rock da capital. E sua apresentação terá um ingrediente a mais para provar a diversidade musical que o evento promove: será a primeira vez que A Obra, local reconhecidamente de shows direcionados ao rock e suas vertentes, receberá uma banda que tem como norte o samba e a música popular.

“Acho que será um momento único e muito interessante. Uma novidade para nós também. O Claudão (Pilha, um dos donos do estabelecimento) já nos fez um convite para fazermos uma noite na casa. Ele próprio tem a intenção de ampliar esse repertório de shows por lá. Mas, de qualquer forma, será um marco”, diz Michelle.

Alex de Jesus
Realizadores de Gritos Rock em Minas durante coletiva

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Realização do Circuito Fora do Eixo, rede que agrega coletivos de produção e fomento da cena musical independente e de outros gêneros artísticos em todo o Brasil, o Grito Rock nasceu como uma alternativa movida a guitarras contra a folia do Carnaval e hoje se tornou um dos festivais com o line-up mais diversificado do país.

De acordo com Pablo Capilé, idealizador do evento, gestor do Espaço Cubo, no Mato Grosso, e vice-presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), o Grito Rock tem como uma de suas características a promoção da circulação, produção e fomento da música independente no país.

“A partir da organização coletiva de bandas, nós, produtores, conseguimos formar uma grande rede que, cada vez mais, fortalece a cena independente, realizando festivais e promovendo uma grande circulação de grupos e artistas”, afirma Capilé.

Segundo ele, as inscrições para todas as 78 edições brasileiras do Grito Rock totalizaram mais de mil bandas, sendo que 600 foram escolhidas para tocarem pelo país. “E esse número tende a crescer anualmente. Isso demonstra uma maturidade da cena independente no Brasil”, destaca.

Em relação às inscrições para o evento, o Circuito Fora do Eixo apresentou uma novidade nesta edição do festival, com o lançamento do portal Toque no Brasil, em que as bandas puderam se cadastrar e concorrer às vagas. “O portal foi criado para ser uma plataforma para o surgimento e a seleção de milhares de artistas e grupos brasileiros. Mesmo com o número de inscrições muito superior às vagas disponíveis, isso demonstra que a cena independente está fortalecida e mais organizada”, afirma Thalles Lopes, gestor do coletivo Goma, de Uberlândia, realizador do Grito Rock no município do Triângulo Mineiro e um dos idealizadores do festival Jambolada.

Coletividade. A grandiosidade festival Grito Rock, tamanha a participação de cidades e artistas envolvidos, evidencia uma cena musical independente cada vez mais fortalecida. “O mercado mudou e estamos construindo um novo modelo de circulação e distribuição da música independente”, aponta Thalles Lopes.

Para Pablo Capilé, uma das razões que explicam tal fato está na gestão coletiva que os diversos agentes culturais vem realizando nos últimos anos. “Está claro que a coletividade é o caminho. A partir dessa rede, você pode contaminá-la positivamente com sua bandeira, conectando pessoas, formando público e enxergando tudo de uma perspectiva horizontal, em que todos são iguais”, destaca.

Para ele, no caso da música, falta uma mudança de comportamento do artista em relação ao mercado para que a cena e seus agentes cresçam ainda mais. “O músico tem que entender que há um novo modelo de mercado e que ele precisa viabilizar sua carreira. Aquela coisa do cachê imenso e das grandes gravadoras está acabando”.

Bandas
Relação dos grupos que tocam em Belo Horizonte
– Johnny Hooker e Candeias Rock City (Jaboatão/PE)
– Radiotape (Belo Horizonte/MG)
– Capim Seco (Belo Horizonte/MG)
– Ecos Falsos (São Paulo/SP)
– Dom Capaz (Uberlândia/MG)
– Vandaluz (Patos de Minas/MG)
– Gigante Animal (São Paulo/SP)
– Monograma (Belo Horizonte/MG)

Programação Grito Rock Belo Horizonte 2010

10/2 – quarta-feira
– Johnny Hooker e Candeias Rock City (Jaboatão/PE)
– Radiotape (Belo Horizonte/MG)
– Capim Seco (Belo Horizonte/MG)
+DJs Ennevaldo, Malibu e Yuga
(brasilidades, 90s, punk)

11/2 – quinta-feira
– Ecos Falsos (São Paulo/SP)
– Dom Capaz (Uberlândia/MG)
– Vandaluz (Patos de Minas/MG)
+DJs Charchar, de Curi e Carou
(rock latino, alternativo, indie)

12/2 – sexta-feira
– Gigante Animal (São Paulo/SP)
– Monograma (Belo Horizonte/MG)
+DJs jjbz, Mi Simpatia e StereoTóxico
(indie, pop, hits)

13/2 – sábado
Irmão Rocha
DJs Claudão Pilha e DJú
(Rock, Oldies e alternativos)

14/02 – domingo
Bloody Hell
DJs Nest e Tooleo
(British Rock)

15/02 – segunda-feira
Wannabe
DJ Cris Foxcat e Buddy Holly
(Rock e indies)

16/02 – terça-feira
Uma Noite Pelo Samba
Com Rafael no som
(Samba de Raiz)

Serviço
A Obra Bar Dançante (rua Rio Grande do Norte, 1.168, Savassi)

www.aobra.com.br

10 a 16 de fevereiro
A partir de 22h
Censura 18 anos
De quarta a sexta: R$12
De sábado a terça: R$15

Author: Redação

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