Capoeira resgata cultura no interior

capoeiraHá muito tempo a capoeira deixou de ser somente uma roda de luta, dança e música. Em todo o Brasil, grupos se reúnem para discutir, pensar e planejar a atividade como instrumento pedagógico, fonte de pesquisa, história e cultura. No Ceará, o Tribos, Berimbaus e Tambores – Festival Internacional de Capoeira e Tradições Afrodescendentes, que está em sua quarta edição, mostra todo o universo da capoeira. O evento acontece de maio a julho, em vários Municípios do Ceará, com realização do Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab).

 

A novidade desta edição é a realização do Festival em cidades-polos, conforme conta Robério Queiroz, conhecido na área como Mestre Ratto. “Aqui em Fortaleza, despertamos para a capoeira não só como esporte. É fonte de informação histórica, para educação, cultura”, conta. “Agora, vamos levar esta discussão para o interior”, disse.

 

O primeiro Município a receber a caravana será Itapipoca, de 27 a 29 de maio. Em seguida, o grupo segue para o Cariri. No Crato, as atividade serão realizadas de 24 e 26 de junho. Em julho, duas cidades serão sede do Festival: Cascavel, dias 9 e 10; e Redenção, de 15 e 17. Em Fortaleza, o evento será realizado em um período maior, de 17 a 21 de julho. Finalizando a edição, na localidade de Parajuru, em Beberibe, será realizado o último encontro, nos dias 22, 23 e 24 de julho.

 

Como relata Mestre Ratto, nos últimos 20 anos, os grupos de capoeira se espalharam por todo o Brasil, mas sempre com foco na prática esportiva. A popularização também chegou ao interior. Hoje, não tem um Município que não tenha o seu grupo de capoeira, seja de crianças, jovens ou adultos. Agora, o movimento que defende a cultura afrodescendente quer difundir essas práticas como objeto de pesquisa, possibilidades de inclusão, socialização e de fortalecimento de uma cultura.

 

Nos Estados da Bahia e do Rio de Janeiro, a divulgação já acontece. Aqui, segundo informa Mestre Ratto, “a gente está passando por este momento agora. Não focamos somente no jogo, temos estudado sobre a cultura”. Para repassar este conhecimento para professores e estudantes, eles utilizam-se dos próprios elementos da capoeira: música, jogo, dança, vestuário, gastronomia.

 

Programação

 

Durante os três dias de festival, a equipe percorre vários espaços no Município, em três momentos, discutindo o tema “Educação, acessibilidade e economia solidária do negro”. O primeiro deles é com a escola. “Nas escolas trabalhamos a lei 10.639, que fala da obrigatoriedade do ensino da cultura afrodescendente e africana. Passamos a história através da musicalidade. Abordamos os fatos através da música, a importância de se estar consciente sobre a origem da nossa cultura, de assumir ser negro. Conversamos sobre etnia com as crianças. O contato com os instrumentos também possibilita este conhecimento”, afirmou. O segundo momento do festival é com o poder público. “Promovemos um encontro entre professores e poder público para fortalecer o apoio para a prática de capoeira. Além disso, a gente tenta mostrar a importância e o dever em cumprir o compromisso com a cultura, lazer e educação”, afirmou Mestre Ratto. A terceira parte do evento é festiva. Os grupos de capoeira da região apresentam seus talentos e seus espetáculos.

 

Para o organizador, o Festival Tribos, Berimbaus e Tambores é, também, momento de utilidade pública. “Mostramos para os grupos a importância de se organizarem como instituição para conseguir benefícios com editais”, disse. “As pessoas que têm empreendimento na área da africanidade também têm seu espaço, como a confecção de instrumentos, fabricação de roupas, produção de espetáculos”.

 

Para Ratto, um dos principais resultados alcançados pelos festivais é a aproximação das famílias dos capoeiristas com esta arte. “Antes era só o capoeirista envolvido. Hoje vemos famílias inteiras participando”. E, ainda, a forma como a capoeira tem sido ensinada em todo o Brasil. “O que a gente tem feito hoje é estudar sobre a capoeira para públicos diferentes, mapeando cada idade. Hoje, temos a capoeira lúdica, voltada para crianças. Temos a capoeira de integração social, para jovens, abordando também a produção de espetáculos e encontros. E temos a capoeira para adultos, com ênfase na luta, na dança e na pesquisa”, relatou Ratto.

 

O educador Robério Queiroz, o Mestre Ratto, criador do Cecab, vive a capoeira há quase 30 anos. Atualmente, é responsável por repassar, todos os anos, a capoeira e todos os seus ensinamentos para o Exterior. Ao longo de sua atuação, formou professores em diversos lugares. Hungria, Áustria, Holanda, Portugal, Polônia, Venezuela e Inglaterra fazem parte do roteiros de festivais e encontros sobre capoeira, além de diversos Municípios brasileiros.

 

Etnia e Cultura

 

Reconhecer a diversidade étnica, racial e cultural da sociedade brasileira. A partir da Lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, foi estabelecida, nas diretrizes e bases da educação nacional, a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira”. Entre o conteúdo programático, o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. As escolas devem trabalhar os conteúdos nas disciplinas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. Neste sentido, o Centro Cultural Capoeira Água de Beber, fundado em 2002 por Robério Batista de Queiroz – Mestre

 

Ratto, como é conhecido na capoeira, tem como missão valorizar e difundir a cultura afro-brasileira e promover a inclusão social de portadores de necessidade especiais e famílias em situação de vulnerabilidade social. O Festival Tribos Berimbaus e Tambores, além de agregar capoeirista, visa fortalecer a aplicação da lei.

 

MAIS INFORMAÇÕES

Centro Cultural Capoeira Água de Beber – Rua Pessoa Anta, 218 – Fortaleza (CE) / Contatos: (85) 8866.5835 / festivaltbt.blogspot.com

 

Emanuelle Lobo

    Author: Redação

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    1 comentário

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