Bienal da Caricatura apresenta trajetória das charges e dos cartuns no Brasil

Idealizada pelo caricaturista e historiador Luciano Magno (pseudônimo de Lucio Muruci), autor do livro História da Caricatura Brasileira, a  bienal tem o apoio do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), do Museu Nacional  de Belas Artes (MNBA) e de outras instituições culturais do país. As primeiras seis exposiçõesabertas na noite do dia 27 de novembro, para convidados, no CCJF, e uma delas revive a obra de Manoel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), o patrono da caricatura no Brasil.

“A bienal é um desdobramento natural do meu trabalho de historiador”, disse Luciano Magno, que há 27 anos dedica-se à pesquisa da trajetória da caricatura no Brasil. Seu livro, lançado no ano passado, recebeu vários prêmios, entre eles o da Associação dos Cartunistas do Brasil. “A minha preocupação foi reunir o histórico e o contemporâneo nas mostras da bienal”, informou.

Um exemplo dessa contemporaneidade é a mostra do cartunista Alpino, também exibida no CCJF. Blogueiro, Alpino demonstra a rapidez com que a caricatura, no contexto atual da internet, acompanha, de forma crítica, os movimentos sociais e o cotidiano da política. “Existe um ditado de que a caricatura corrige os costumes”, disse. Segundo ele, a internet amplifica esse papel das charges, que são rapidamente difundidas pelas redes sociais.

Também faz parte da bienal um concurso aberto a cartunistas de todo o mundo, que premiará os artistas vencedores nas categorias Cartum, Charge e Caricatura, e Escultura Caricatural, com o troféu Seth, feito pelo escultor Genin Guerra. O nome do troféu é uma homenagem a outro caricaturista histórico brasileiro, Seth (Álvaro Marins, 1891-1949).

No MNBA, outras mostras homenagearão o pintor Di Cavalcanti, que também foi caricaturista, J. Carlos e Calixto Cordeiro. Desenhistas de humor histórico, como Appe e Carlos Estevão, também estão sendo lembrados na bienal, que nesta primeira edição presta ainda uma homenagem internacional, ao norte-americano Mort Walker, criador do Recruta Zero e do museu da caricatura dos Estados Unidos.

O Museu da República, no bairro do Catete, expõe as caricaturas de Jorge Guidacci, um dos mais combativos desenhistas de
humor dos anos 1970. Amazonense, Guidacci veio para o Rio com 15 anos de idade, estudou pintura e gravura na Escola Nacional de Belas Artes e foi professor de desenho na Universidade de Brasília (UnB). Começou a atividade de chargista em O Pasquim e colaborou com vários jornais e revistas, entre eles Jornal do Commercio, O Globo, Última Hora, Status e Mad.

Outra programação da bienal que ocorrerá no Museu da República serão os debates sob o tema Trajetórias Biográficas do Humor Brasileiro. Nos próximos dias 30 de novembro, 1º e 7 de dezembro, sempre a partir das 18h, artistas do desenho e pesquisadores vão trocar impressões sobre seus trabalhos e discutir as questões que envolvem a profissão. A série de encontros também vai homenagear o caricaturista Henfil (1944-1988), com a presença de seu filho Ivan de Souza, e o cartunista Lan.

A mostra no Museu da República (Rua do Catete, 153) fica em cartaz até 20 de fevereiro de 2014 e pode ser visitada, com entrada grátis, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. No CCJF (Avenida Rio Branco, 241), as exposições podem ser vistas até 12 de janeiro, de terça-feira a domingo, das 12h às 19h.

Fora do Rio de Janeiro, a 1ª Bienal Internacional de Caricatura terá exposições, debates e lançamentos de livros em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, no Recife, em João Pessoa, Fortaleza, Teresina e Belém.
A programação completa está disponível no site:  www.bienaldacaricatura.com.br.

    Author: Redação

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