Amor e Vicio. Amo Curitiba!

Jornalista e Compositor - Cláudio Ribeiro

Jornalista e Compositor - Cláudio Ribeiro

Muito bem. Eu confesso. Sou vidrado em Curitiba! Amo de paixão! Ela, como muitos amores que andam por ai, leva meu tempo, pensamento, dinheiro e às vezes me trai! Mas o que fazer contra este entorpecimento, este torpor narcótico chamado Curitiba? Resignado confesso sou viciado na minha cidade. É possível ser viciado pela cidade da gente?

 

  

  

  

  

  

 

 

As artérias de meu corpo são assim como os rios de Curitiba, cortam-na pelas campinas, o rio de Curitiba e o Belém. Lá ao longe o Atuba, irrigando minha cabeça bem no alto. Há o Irai, o Juvevê quase no centro do peito, o Bacacheri e o Barigüi todos correm para o Grande conhecido Iguaçu, águas tantas que não sei onde querem me levar, rios que entram pela terra e que me afasta do mar. Amo Curitiba, dos quintais de pessegueiros e marmeleiros que enfeitavam a paisagem. Amo Curitiba mesmo sem a velha soberana imbuía, os cedros, as canelas, os guairaitás e as cerejeiras que sombreavam os capões.

Amo Curitiba mesmo que no inverno não tenha mais aquele perfume delicado que vinha com a fumaça dos carijos e barbaquás, ao sapecar a erva-mate.

Amo Curitiba porque sou descendente direto de Tio Justino e Tia Camila, pretos naturalistas que viram o Monge do cajado de fogo e que veio para acabar com a rebeldia dos CAIGUABAS, aquilombados la da baixada do Arroio das Perdizes.

Sou de Curitiba do terreiro da Matriz, do Largo do Imperador, daquela gente que aguardava a preparação das infusões na botica do Stellfeld olhando o relógio de sol que ainda hoje marca o tempo testemunhando a história.

Trago no bolso punhado de tesouro do Velho da Mata, o pirata Zulmiro, que prudentemente enterrou nas galerias subterrâneas lá das Mercês.

Sou Pinheiro, sou Gralha, sou pia. Sou o vento que sopra no Alto dos Enforcados. Sou filho dos tropeiros que iam ao Viamão. Sou das sete colinas que se alteiam sobre as várzeas do Rio Grande e os campos alagadiços da Borda do Campo. Das guapiaras e itaipavas e lavras de ouro do Açungui, de Campo Largo, da Cachimba. Sou pedra das muralhas sou CAIGUÉRAS, tindicoéra. Já sei, se sou viciado por Curitiba, e sou, é porque fui envenenado pela Serpente do Alto do São Francisco, meu coração esta enterrado naquelas ruínas. Guardado pela cabeça da cobra verde. Sei porque meus olhos miram lá do alto da torre da Telepar, enquanto meus braços estendidos estão, do Batel ao Portão, da Vila Guaíra ao Boqueirão, do Pilarzinho ao Taboão, prontos para mais e mais embriagar-me de tanta Santa Felicidade! É! Não tem jeito. É amor mais que perfeito. Sou Curitiba, confesso sou viciado nesta cidade!

 

Cláudio Ribeiro

Jornalista/Compositor

Author: Redação

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