Estréia (em dezembro) nacional de “A Saga” faz homenagem aos 160 anos de emancipação do PR

Há doze anos surgiu não só a ideia, mas foi dado o início daquela que viria a ser “A Saga – Da Terra Vermelha Brotou o Sangue” – o épico em 16 capítulos contando a história da ocupação e colonização do Estado do Paraná. “Mais do que uma série, é um documento da formação, vida, costumes e lutas do povo paranaense, que nunca antes havia se visto retratado de maneira tão fidedigna e glamorosa nas telas”, caracteriza o diretor e roteirista, Manaoos Aristides.

Quando iniciou as filmagens de “A Saga” em 1999, o diretor e roteirista Manaoos Aristides, então com 54 anos, sabia que seus planos eram ambiciosos: fazer uma minissérie fora do eixo Rio-São Paulo, mesclar atores profissionais e amadores, arquitetar uma megaprodução. O que ele não sabia é que a tarefa ia demorar dez anos para ser concluída. Agora, ele tem um novo desafio: negociar a veiculação com redes nacionais.

“Acabou sendo uma saga dentro da própria “Saga’”, diz Manaoos hoje com 66 anos, ao enumerar as dificuldades financeiras, as interrupções em razão da falta de verba e a maneira criativa de solucionar os problemas.

Sem dinheiro, fazia convênios em municípios paranaenses para as locações. As prefeituras forneciam alimentação e infraestrutura para as equipes e, em troca, a produção fazia oficinas para atores nas cidades. Nesse esquema, 17 municípios paranaenses receberam filmagens de “A Saga”.

“Nessas oficinas, fomos selecionando atores locais que entraram na história, além de arrebanharmos figurantes”, diz Aristides. Ao todo, 4.010 pessoas se envolveram com a minissérie, entre atores, figurantes e equipe técnica.

Cineasta Manaoos Aristides

Manaoos Aristides

As interrupções possibilitaram histórias curiosas, como a de Daniel Petroscki, escalado para fazer um personagem na pré-adolescência. Ele tinha 11 anos nas primeiras cenas. Para o papel do personagem já adulto, o planejamento era colocar outra pessoa. Os anos de intervalo, no entanto, fizeram com que ele assumisse os dois papéis. Hoje, o ator tem 19 anos.

Aristides estima que a série tenha custado mais de R$ 2 milhões. Segundo ele, os maiores gastos foram com a construção de cidades cenográficas em Cascavel, Foz do Iguaçu e Marechal Cândido Rondon.

A minissérie aborda a colonização do oeste paranaense –uma história de grilagem de terras, revoltas de posseiros e mortes– entre as décadas de 30 e 60 do século passado.

Aristides ligou esses episódios a fatos históricos, como a descoberta das cataratas do Iguaçu, em 1542, pelo conquistador espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, e a passagem da Coluna Prestes, liderada por Luiz Carlos Prestes, por Foz do Iguaçu na década de 20.

160 anos de emancipação política do Paraná

As comemorações de 12 anos das gravações que ocorreram em vários municípios da região dos Campos Gerais e do Paraná, ocorrem com o lançamento da série na TV Brasil, em homenagem aos 160 anos de emancipação política do Paraná. “É uma boa época para comemorar o nosso aniversário, já que A Saga conta a história da colonização do extremo Oeste do Estado”. O lançamento, de acordo com Manaoos, é de que a série seja lançada em cada uma das 30 cidades onde ocorreram as gravações. “E em Ponta Grossa, será entregue um certificado para os participantes e amostra de um clipe com os participantes e um trailer”, adianta o diretor.

Cabeza de Vaca, interpretado por Roberto Bomtempo.

Em 12 anos de A Saga, a repercussão do seriado já gerou mais de 400 páginas de jornais em todo o País. “É uma produção totalmente independente, contou apenas com a ajuda de algumas prefeituras. Outra novidade, revela Manaoos, é que a mesma equipe agora se prepara para fazer um novo seriado, no mesmo formato, sobre o conflito do Contestado.

No elenco principal atores conhecidos como João Vitti, Raymundo Souza, Danilo Faro, Valdir Fernandes, Gabriela Alves, Alexandro Malvão, Denis Derkian, Debora Santos, Olga Bongiovanni, Jeferson Godoi, Emilio Pitta, Carlos Vilas Boas, Claudete Pereira Jorge, Cláudio Ribeiro, Helena Portela, Munir Kanaan, Kaue Crepaldi e também Igor Rickli.

A Saga começa em 1541, quando o desbravador espanhol “Cabeza de Vaca” cruzou todo o território dos Campos Gerais e o exuberante Cânion do Guartelá, até chegar às Cataratas do Iguaçu, em uma viajem “admirável e audaciosa”.

O jornalista e compositor Cláudio Ribeiro como “seo Nico”.

Apesar de sua experiência como diretor na TV Globo (SP), TV Bandeirantes (SP) e TVs do Parana (E-Paraná), entre outras emissoras, Manaoos sabia das dificuldades de se produzir fora do eixo Rio-São Paulo, uma série de envergadura, com um enredo temporal que ia do Século XVI até meados dos anos 60.  “Muitas estórias entrelaçadas, muitos personagens, muitas cidades de grande importância no desenrolar da trama, que tudo se anunciava quase impossível, mas encontramos o manancial de histórias e personagens já prontos. As cidades e seu povo, os fatos históricos e documentos, já estavam ali latentes, vibrantes, como se esperassem por alguém que lhes viesse descortinar a memória”, finaliza.

    Author: Redação

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