33ª edição – Gramado

 

 

O Festival de Gramado inicia daqui a um mês sua 33ª edição (14/8 a 19/8), tentando espantar o fantasma da decadência.

Nos últimos anos, a mostra gaúcha assistiu à diminuição de seu prestígio e importância no cenário dos festivais nacionais. O sinal mais evidente da insignificância de Gramado para os filmes que premia é a tímida bilheteria obtida nos cinemas pelos recentes vencedores do Kikito, troféu-símbolo do festival.

A superprodução “Gaijin -Ama-me Como Sou”, de Tizuka Yamasaki, que arrebatou quatro Kikitos no ano passado (incluindo os de melhor filme de ficção e direção), fez uma carreira decepcionante nos cinemas: com 52,8 mil espectadores, amargou um 15º lugar no ranking dos filmes nacionais mais vistos em 2005, segundo dados da empresa Filme B, voltada aos números do mercado cinematográfico.

A boa notícia para Gramado é que a crise dos festivais é geral, conforme avalia o crítico José Carlos Avellar, contratado como consultor pela mostra gaúcha, para reformular sua programação, a partir deste ano.

Avellar afirma que “o modelo de festival de cinema típico dos anos 60, que reúne em competição filmes representantes de diversos países e premia um deles, era eficaz naquele momento”. Não mais. Na era do DVD, o consumo de cinema segue outras regras, e um prêmio em festival deixou de ter efeito certo sobre o espectador.

A solução que Avellar propôs a Gramado vai par e passo com iniciativas adotadas por festivais internacionais. “A primeira grande transformação foi incluir mostras paralelas à disputa oficial, como fizeram Cannes e Veneza”, diz. O passo seguinte desses e de outros festivais, como os de Toulouse (França) e San Sebastian (Espanha), “foi tornarem-se parceiros dos diretores”, seja oferecendo prêmios à produção de filmes ou bolsas de residência para desenvolvimento de roteiros.

Esse é um caminho que Gramado quer seguir, paulatinamente. As mudanças imediatas desta edição -cuja programação foi divulgada nesta semana (leia quadro à dir.)- incluem um prêmio à difusão do filme vencedor, ou seja, auxílio financeiro para o lançamento nos cinemas, e a instituição de um júri popular com um número fixo de membros que avaliem todos os títulos da disputa.

O novo júri popular substitui o formato até então adotado por Gramado, cujos votantes eram “as pessoas presentes em cada sessão”, como define Avellar. Um formato que, na prática, dava a impressão de tornar vencedor o filme cujo diretor levasse mais amigos à sessão.

    Author: Redação

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