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	<title>Brasil Cultura &#187; Artigos</title>
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		<title>Revolução cultural à brasileira</title>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 23:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19324" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/aaarevo.jpg"><img class="size-full wp-image-19324" title="aaarevo" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/aaarevo.jpg" alt="" width="200" height="128" /></a><p class="wp-caption-text">Nelson Pereira dos Santos filmando &quot;Como era gostoso o meu francês&quot; (1971)</p></div>
<p>Na década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como<br />
movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”, diz Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mas até hoje a compreensão dessa relação, entre política e cultura,<br />
é complexa e inclui nomes de peso do panteão cultural que foram comunistas, como: Jorge Amado, Nelson Pereira dos Santos, Caio Prado Jr., Nora Ney, Dias Gomes, Jorge Goulart e Di Cavalcanti, entre outros. “É um problema que não cabe numa equação simples que supõe a militância comunista de artistas e intelectuais como parte de um desejo de transformar seu saber em poder.<br />
Tampouco se pode supor que houvesse mera manipulação dos intelectuais pelos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro [PCB]”, explica o professor, que analisou a questão no projeto Artistas e intelectuais comunistas na consolidação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil. (<a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/03/aristas-e-intelectuais-comunistas-na-industria-cultural-no-brasil/" target="_blank">Veja aqui</a> )</p>
<p>“Num momento como o atual, em que as pesquisas evitam a politização dos temas, é importante recuperar como cultura e política se aproximaram num períodoturbulento como aquele, entre os anos 1950 e 1970”, observa o pesquisador.<br />
Segundo Ridenti, vários campos artísticos e intelectuais consolidados a partir da década de 1950 só são pensáveis a partir das lutas em seu interior, em que os comunistas desempenharam um papel importante, por vezes levando os integrantes do PCB ou ex-militantes às posições de maior reconhecimento ou prestígio. Muitos mudaram de convicção política ao longo do tempo. A maioria fez uma autocrítica sobre a sua atuação naquele período, mesmo os que<br />
continuaram se identificando como de esquerda ou sendo comunistas. Houve também muita reclamação posterior de que o partido mantinha com eles uma relação “ornamental” ou “instrumental”, ou seja, apenas para angariar prestígio ou divulgar uma linha política, sem falar nas críticas sobre o despotismo da direção, pronta a vigiar o imaginário dos militantes. “Só em parte isso é verdade. Esses artistas só puderam conquistar posições a partir do histórico de<br />
militância organizada, que, assim, esteve longe de significar mera manipulação de seus artistas e intelectuais. Era uma relação de mão dupla”, observa o autor.</p>
<div id="attachment_19325" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/cenapagador.jpg"><img class="size-full wp-image-19325" title="cenapagador" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/cenapagador.jpg" alt="" width="290" height="258" /></a><p class="wp-caption-text">Cena de O pagador de promessas, de Dias Gomes, em 1960</p></div>
<p>“De fato, o partido tinha uma linha política estreita e dogmática, dava pouco espaço a seus intelectuais, quase não contribuía para pensar a especificidade da sociedade brasileira, era marcado pelo centralismo e por relações autoritárias. Mas havia contrapartidas que mantiveram os artistas e intelectuais no partido apesar de tudo isso”, fala Ridenti. Para ele, não se deve caricaturar a ação cultural do PCB nos anos 1950, um elemento expressivo constituinte da cultura brasileira. “A indústria cultural ainda não estava de todo estabelecida no país. Com a modernização, muitos artistas e intelectuais estavam em busca de um espaço que não fosse a Igreja ou o Estado, então as principais instituições organizadas nos tempos em que a universidade ainda estava em crescimento”, lembra. Na maioria vindos da classe média que se<br />
expandia com a modernização do país, esses intelectuais não cabiam em nenhum<br />
dos dois espaços. “O PCB foi uma chance de organização, um fórum de debate cultural e político, que permitia ter acesso a uma rede de revistas pelo Brasil e de contatos no exterior.”</p>
<p><strong></p>
<p>Legitimidade</strong></p>
<p>A organização no partido dava legitimidade a certos grupos e indivíduos que buscavam marcar posição (ou evitar perder prestígio) em suas atividades. “O grande exemplo foi Jorge Amado, que teve seu talento potencializado pela ligação com o PCB, cuja rede de contatos internacionais facilitou a publicação de seus romances em vários países. Por sua vez, ele emprestava o seu prestígio de escritor ao partido e acabou sendo eleito deputado pelo PCB na Constituinte<br />
de 1946”, conta Ridenti. No exílio na França, a partir de 1948, aderiu ao movimento internacional pela paz e ganhou notoriedade mundial. “Sem desmerecer o talento de Amado, isso não teria acontecido se ele não fosse ligado ao partido. Foi por meio dessa relação que ele teve acesso a uma rede de contatos em diversos países da Europa e viu seus romances traduzidos em vários idiomas em razão disso. O mesmo aconteceu com Nelson Pereira dos Santos, que foi para a França e outros países com apoio do PCB e pôde conhecer vários cineastas”, diz<br />
o pesquisador.</p>
<div id="attachment_19326" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/acantora.jpg"><img class="size-full wp-image-19326" title="acantora" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/acantora.jpg" alt="" width="290" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">A cantora Nora Ney no aeroporto do Galeão em 1969</p></div>
<p>Amado se transformou em divulgador do realismo socialista no Brasil e mesmo quando se afastou do PCB nunca rompeu oficialmente com os comunistas. “Ele saiu à francesa. Só ganhou autonomia como autor depois de <em>Gabriela, cravo e canela </em>(1958)”, fala Ridenti. As recompensas, porém, colocavam dilemas para os artistas, que testemunhavam as perseguições aos militantes dissidentes em escala internacional. “Eles também se inseriam nas redes comunistas como reprodutores do pensamento e da política produzida no centro, não como<br />
formuladores originais”, nota o autor. “Realmente, entre os anos 1940 e 1950, durante o realismo socialista, houve um grande controle do partido sobre os artistas e intelectuais brasileiros ligados ao PCB. Mas, no geral, essa relação foi flexível, porque o partido não se interessava muito pela cultura, o que explica por que, nos anos 1970, os artistas tentaram construir uma política cultural para o PCB, que não tinha uma”, lembra o historiador Marcos<br />
Napolitano, da Universidade de São Paulo (USP), autor do estudo <em>Políticas culturais e resistência democrática no Brasil nos anos 1970</em>.</p>
<p>“Houve um entusiasmado movimento em que os intelectuais e o partido convergiram para pensar um projeto revolucionário de nação. O partido e os intelectuais de esquerda foram as grandes referências, por exemplo, para os cineastas dispostos a fazer uma arte política e, em tese, politizadora. Infelizmente, o partido poderia ter usado mais e melhor os diagnósticos feitos pelos artistas”, observa a socióloga Célia Tolentino, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Marília, que estuda o tema em <em>O pensamento social na literatura e no cinema</em>,<br />
com apoio da FAPESP. “Os artistas não eram inocentes úteis para o PCB, também ganhavam com essa relação”, nota Ridenti.</p>
<p><strong></p>
<p>Autonomia</strong></p>
<p>A maior ou menor autonomia do partido dependia da carreira paralela à política. Figuras como Dias Gomes ou Oscar Niemeyer, para citar dois exemplos, lembra o pesquisador, não sofreram nenhuma ingerência do PCB em sua vida e obra. Essa influência atingia mais (embora de forma desorganizada) os menos conhecidos.<br />
“Assim, se há casos em que o partido foi autoritário com os artistas, fica a pergunta: por que muitos deles seguiram na militância ainda assim? Havia o sentimento de pertencer a uma comunidade que se imaginava na vanguarda mundial e podia dar apoio e organização a artistas e intelectuais em luta por prestígio e poder, distinção e consagração em seus campos de atuação, para si e para o partido”, diz o autor. Com esse movimento, os artistas comunistas prepararam o<br />
terreno para a renovação futura. “O Cinema Novo, dos anos 1960, não seria possível sem a história anterior de disputas no campo do cinema fomentada pelos cineastas comunistas”, nota Ridenti.</p>
<p>“O mesmo vale para o desenvolvimento das novelas e da TV brasileira como um todo. Após o golpe de 64, a hegemonia do PCB entre intelectuais e artistas foi cortada e a partir de 1968 eles acabam abrigados na Rede Globo, apesar de a emissora ser partidária da ditadura. Figuras como Dias Gomes, Ferreira Gullar, Gianfrancesco Guarnieri, entre outros, além de encontrarem proteção, viram a TV como uma continuidade programática, acreditavam que era uma forma de falar com<br />
o povo. Por isso chegaram a ser rotulados de ‘vendidos’, quando estavam continuando a sua política cultural”, diz o historiador Francisco Alambert, da USP, autor, entre outros, do artigo <em>Mario Pedrosa: art and revolution</em>.<br />
“Aos poucos, com o desenvolvimento da sociedade civil e da indústria cultural, as classes populares vão assumindo sua voz, não precisando mais de intelectuais falando em nome delas. A produção cultural vai se ligar ao mercado e ao espaço universitário, esvaziando os partidos e a ideia de revolução, rompendo a aproximação entre cultura e política”, diz Ridenti.</p>
<p>“Não se pode, porém, esquecer o que houve no passado. É preciso compreender os dilemas e contradições das figuras humanas daquele tempo que não raro aparecem mitificadas nos escritos sobre elas”, finaliza o pesquisador.</p>
<p><strong>Por Carlos Haag</strong></p>
<p>Fonte: Revista Pesquisa Fapesp</p>
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		<title>Saudade do Rei Bola (um pouco de história do Carnaval de Curitiba)</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Feb 2013 19:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/bolarei.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18834" title="bolarei" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/bolarei.jpg" alt="" width="142" height="331" /></a>Esta completando 30 anos um ato do prefeito Mauricio Fruet, pai de Gustavo Fruet hoje prefeito de Curitiba. Foi em 1983 que de forma subversiva se apontou uma política para a felicidade em especial ao do carnaval. Carnaval, termo usado como sinônimo de folia, de alegria, de dias ou momentos felizes, aliados ou não à subversão de costumes. Adoro subverter.</p>
<p>A história tem a possibilidade de ser escrita pelos homens e mulheres na diversidade das suas<br />
visões do mundo. Para mim, em verdade, carnaval é escola de samba. E quem vive ou viveu uma escola de samba não sofreu com a profunda busca de identidade.<br />
Quem pertence a uma escola de samba ou agremiação carnavalesca tem endereço, raiz, deixa de ser alguém, como diria Caetano Veloso, sem lenço e sem documento.</p>
<p>Eu vivi este tempo de escolas de samba. Era um tempo em que alegorias, fantasias e até boa parte dos instrumentos, como pandeiros e tamborins, eram de fabricação doméstica; e no<br />
qual o que valia era a participação comunitária. Nestas comunidades como a da Vila Capanema compareciam entre outros convidados ilustres, Mestre Maé da Cuíca, Chocolate, Glauco Souza Lobo, Homero Réboli,  Laé di Cabral, Charrão, Mestre Libanio, Picolé, Ceguinho, Amauri, Fernando Lamarão, Pernambuco, Binho, Pelezinho, Mancha e Reinaldo de Carvalho, o Bola, já um grande percussionista.</p>
<p>O mundo do samba de Curitiba, como de resto no Brasil, se estruturava, realmente, como um universo à parte, com regras, usos, costumes e até um vocabulário peculiar. Nesse universo, as células principais eram as escolas, cada uma delas, por sua vez, surgidas em geral de núcleos familiares que as dirigiam e davam suporte.<br />
Embaixadores da Alegria os Davilas (Delci e Edson), Dom Pedro Jubal e família, Mocidade Azul, Afunfa, Charrão e esposa Célia, Colorado, Ismael Cordeiro filhos e irmãos. Soma-se a este universo: Chocolate e Tia Hilda, Marlene e Amauri, Tia Nair Réboli, Marlene e seu Nego Dalvino, família Santos, família Brito, Julio Diabo, José Cadille e muitas outras que tomaram as escolas de samba como espaço-ação no mundo desigual e assim ali, naquele espaço existia entre nós a possibilidade concreta da felicidade.</p>
<p>Fiquei pensando, cá com meus botões, se os carnavais de ontem são iguais aos de hoje.</p>
<p>A conclusão? É claro que são. A festa nunca passa, não muda, vejam o caso de Garibaldes e Sacis no carnaval de hoje,  tem sempre o mesmo significado, mas o que realmente muda são as pessoas, a maneira de brincar o carnaval, de se esbaldar no samba, de vibrar com as cores da sua escola (saudade da Escola de Samba Colorado – Vila Tassi ou Capanema) fazendo bonito no asfalto negro, palco das historias de enredos e sambas.</p>
<p>Fui um solitário nestas coisas de divulgar e promover o carnaval de Curitiba e principalmente quando o assunto era escola de samba, mas vesti acho, com dignidade a fantasia que me<br />
couber pra atravessar a avenida das palavras (e composições que criei) em ritmo de telecoteco, balacobaco e ziriguidum.</p>
<p>A festa do carnaval continua a mesma, porém estamos vendo os valores sendo pervertidos. Já mudaram até o gordinho do Rei Momo. Pode uma coisa dessas? O Rei Momo tem de ser<br />
magrinho por causa da saúde – coisa de: politicamente correto &#8211; não que eu defenda a obesidade, mas onde está o lúdico de quem vive o carnaval?</p>
<p>Sempre fui um crítico das políticas culturais da administração municipal com relação às escolas de samba, o nada de sempre que se toma para levar um pouco de diversão e dignidade<br />
às escolas de samba locais que, aos trancos e barrancos, se arrumam como podem para desfilar. Despejaram o carnaval no meio do ralo interminável da indústria cultural e o transformaram apenas em mais um período do ano com algumas festividades.</p>
<p>Nem sempre foi assim.<br />
Lembrei outro dia do meu velho e saudoso amigo Mauricio Fruet.</p>
<p>Mauricio, então prefeito de Curitiba, já vai tempo e tome tempo, atendendo a um pedido meu (era o presidente da Associação das Escolas de Samba) e de Glauco Souza Lobo, seu diretor da Fundação Cultural de Curitiba, assinou um decreto nomeando (sem concurso) Rei Momo do Carnaval de Curitiba o grande Reinaldo de Carvalho o Rei Bola.</p>
<p>Oficializou o gordo, simpático e comunicativo &lt;&lt; Bola &gt;&gt; como o Rei Momo de Curitiba,<br />
dispensando qualquer eleição. O mais competente Rei Momo que o carnaval curitibano já teve. Foi há 30 anos!</p>
<p>A história do Rei Momo é mais uma contribuição da mitologia grega. Segundo a lenda, Momo era o deus da galhofa, dos delírios, adorava uma festa, mas fazia tanta bagunça que acabou<br />
expulso do Monte Olimpo. E veio parar justamente no Brasil, mais precisamente em Curitiba, cidade tida como a capital que não tem carnaval!</p>
<p>O Rei Bola era simpático, agitado, bonita voz, conhecendo todo o repertório de marchinhas e sambas carnavalescos, foi responsável por grande parte da alegria no carnaval de Rua de Curitiba na década de 80. Foi, ao lado de Homero Réboli, Nelson Santos e Carlos Mattar, meu parceiro em inúmeros sambas. Durante muito tempo, pertencer ao seleto grupo de compositores de uma escola de samba era um privilégio e uma honra. Assim, fui da Ala de Compositores da Mangueira do Rio de Janeiro, como a de inúmeras outras aqui de Curitiba.</p>
<p>Vencedor como interprete por duas vezes do Festival Abre Alas, um concurso de músicas de carnaval que criei, coordenei e apresentei pela Secretaria de Estado da Cultura. Bola adorava cantar.</p>
<p>Bola vai ao Rio de Janeiro, depois de ser por anos nosso Rei Momo e lá obtém grande prestigio sendo coroado nos seguintes anos: 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994,<br />
1995. Nenhum foi rei como Reinaldo de Carvalho, o Bola – o mais famoso dos momos que já desfilaram na cidade do Rio de Janeiro.</p>
<p>Bola morreu em 1995 e até hoje é lembrado com carinho.</p>
<p>Existe em Curitiba uma rua que leva seu nome: Rua Reinaldo de Carvalho (Bola) localizada no bairro de Ganchinho.</p>
<p>Bola sabia que para a felicidade, como para tudo na vida, é preciso se libertar, se plenificar para o prazer. E como tinha prazer estar ligado ao samba e ao carnaval. Sambava lindo que só vendo mesmo com seus 265 quilos!</p>
<p>Só pode experimentar a felicidade aquele ou aquela que se liberta da submissão.</p>
<p>Se nos é possivel o acesso ao mundo da felicidade, se esta é uma opção que esta à nossa frente, o minimo que podemos fazer é buscá-la como fez com sua alegria o Rei Bola: de forma subversiva sem submissão no carnaval!</p>
<p><strong>Cláudio Ribeiro</strong></p>
<p>Jornalista-Compositor</p>
<p>Ouça aqui a primeira gravação do Carnaval Curitibano &#8211; Atenção: para ouvir pare o som da web radio Brasil Cultura.</p>
<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Sambicura-da-galinha-Nair-Pereira-dos-Santos-Canta-Reinaldo-Bola.mp3">Sambicura da galinha &#8211; Nair Pereira dos Santos &#8211; Canta Reinaldo Bola</a></p>
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		<title>Documentário investiga ecletismo cultural do músico Jorge Mautner</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2013 23:42:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/jorge.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18814" title="jorge" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/jorge.jpg" alt="" width="141" height="199" /></a>Um dos principais gurus underground do núcleo tropicalista, o poeta, escritor, músico e compositor carioca Jorge Mautner ganha, finalmente, um filme todo para ele em &#8220;Jorge Mautner &#8211; O Filho do Holocausto&#8221;, já premiado em vários festivais em todo o país.</p>
<p>Tomando emprestado no subtítulo o nome da biografia do próprio Mautner (&#8220;O Filho do Holocausto&#8221;), o filme de Pedro Bial e Heitor d&#8217;Alincourt celebra a mistura cultural que deu origem a uma figura rara na cena cultural brasileira.</p>
<p>Filho de pai judeu e mãe iugoslava católica, fugitivos do nazismo, ele nasceu no Rio de Janeiro em 1941, cidade onde sua primeira babá, Lúcia, ainda na infância o apresentou ao candomblé.</p>
<p>A música que tanta importância teria em sua biografia lhe foi apresentada um pouco mais tarde, quando sua mãe se separou do pai e casou novamente, agora com o violinista Henri Muller, mudando-se com o filho para São Paulo. Foi Muller, aliás, quem ensinou a Mautner a tocar violino.</p>
<p>Fazendo justiça a um personagem tão heterodoxo, percorre-se momentos selecionados de sua vida movimentada, como sua expulsão do tradicional colégio Dante Alighieri, a escrita do primeiro livro aos 21 anos (&#8220;O Deus da Chuva e da Morte&#8221;, premiado com o Jabuti), o convite para integrar o Partido Comunista Brasileiro, a prisão pela ditadura, a saída do país e a aproximação de Gilberto Gil e Caetano Veloso durante o exílio dos músicos baianos em Londres.</p>
<p>Além de entremear estes episódios fundamentais na formação de Mautner, o documentário utiliza-se com bastante propriedade de imagens de arquivo raras, referentes à Segunda Guerra Mundial e também um filme feito pelo diretor Frank Capra sobre o nazismo.</p>
<p>A menção ao nazismo, que não é gratuita, pensando-se na trajetória dos pais de Mautner, é bastante coerente também com a crença profunda do artista de que a intensa mistura racial e cultural do Brasil é uma espécie de antinazismo por excelência, da qual ele mesmo é uma prova viva.</p>
<p>Não poderia, é claro, faltar a execução de diversas músicas, caso de &#8220;Maracatu Atômico&#8221;, &#8220;Lágrimas Negras&#8221;, &#8220;Eu Não Peço Desculpas&#8221;, &#8220;Morre-se Assim&#8221;, &#8220;Outros Viram&#8221; e muitas outras.</p>
<p>Em termos de participações, entre as quais se incluem Gil, Caetano, parceiros como Nelson Jacobina (falecido em maio de 2012), amigos de infância como o artista plástico Aguilar e o professor Ottaviano de Fiore, a mais expressiva é mesmo a da única filha, Amora, que, amorosamente, confronta o pai sobre hábitos inusuais dele com que ela conviveu sua infância, como o de vê-lo andar nu pela casa.</p>
<p>(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)</p>
<p>* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb</p>
<p id="copyrightNotice">© Thomson Reuters 2013 All rights reserved.</p>
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		<title>Artigo de Manoel de Souza Neto sobre o caso da Boate em Santa Maria</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jan 2013 22:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/manoeldesouzaneto_betobatata_foto_gilsoncamargo_abril2009.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18762" title="manoeldesouzaneto_betobatata_foto_gilsoncamargo_abril2009" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/manoeldesouzaneto_betobatata_foto_gilsoncamargo_abril2009.jpg" alt="" width="200" height="200" /></a>Um grave acidente envolvendo a área de entretenimento me acordou na manhã de domingo do dia 27.<br />
No rádio do vizinho, ligado em uma emissora popular, o locutor repetia angustiadamente informações sobre o incêndio ocorrido na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, na Boate Kiss em Santa Maria (RS). O caso repercutiu em todo mundo em poucas horas. O saldo aproximado de 250 mortos não pode ser tratado como um caso isolado, na verdade foi uma catástrofe anunciada.</p>
<p>Não pode o governo fechar os olhos e acreditar que a boate Kiss, onde ocorreu à tragédia existisse algo de pior que os demais espaços em todo o Brasil. Ao contrário, o setor de eventos que lida com fluxos de milhões de pessoas todas as noites no país tem regulação inadequada, podendo ser classificado a grande maioria dos eventos e espaços de criminosos ou ilegais. Não porque é formado por bandidos ou mafiosos, mas porque existe descompasso entre as exigências legais, taxas e estruturas que empurram o setor a criminalidade e ilegalidade. Ou cumprem-se as exigências legais, fiscais, taxas, ou a segurança e bom planejamento.</p>
<p>Existe um delicado equilíbrio para se promover com segurança atividades essências para a população e ao mesmo tempo obter lucro. Atacar o setor é tudo o que o governo não deve fazer, posto que só o setor de espetáculos movimente cifras superiores a R$ 12 bilhões por ano no país (segundo fonte do Jornal Valor Econômico).<br />
Um simples olhar sobre os possíveis impactos nos eventos hoje no Brasil deveriam considerar<br />
aspectos do direito do consumidor, segurança, saldo ambiental, impacto cultural, saúde publica, segurança do trabalho, fluxo de pessoas, juizado de menores, direitos autorais, uso de tóxicos, entre outros, que hoje não resistiriam a criticas se apresentados em gráficos e analisados por<br />
especialistas, com certeza ficando pela média com saldo absolutamente negativo.</p>
<p>No entanto, o debate pela emergência dos fatos já caiu no lugar comum, veículos de comunicação e colunistas vêm tratando quando muito de segurança, saídas de emergência, liberação de bombeiros, extintores funcionando, porem não será este debate que ira dar garantia e segurança ao setor de eventos.<br />
Existem debates em diversas casas legislativas de todo o Brasil procurando regular as condições<br />
de segurança dos espaços de eventos, no entanto, é evidente o absoluto despreparo em que vereadores e deputados vêm tratando o tema, não sendo raro tomadas de decisões absurdas, como lei seca, toque de recolher, fechamento de espaços, caça de alvarás, exigências burocráticas demasiadas, que em nosso histórico de um funcionalismo com tradição patrimonialista, todos sabem para que serve a burocracia excessiva, apenas para provocar o descumprimento das lei, gerando a necessidade de liberações ilegais descumprindo os códigos mediante pagamento de propina.</p>
<p>Diversos grupos que vem se debruçando para formulação de políticas públicas, como os colegiados setoriais de cultura (MINC) também apresentaram propostas para melhoria de<br />
acessibilidade para o público, como melhores condições de trabalho para os profissionais de entretenimento e cultura. (consultar planos setoriais de cultura, site do Ministério da Cultura).</p>
<p>Em um estudo sobre o setor de eventos realizado entre 2005 e 2007 em que tive oportunidade<br />
de coordenar para uma Associação Comercial, foram identificados inúmeras<br />
irregularidades e práticas que geram impactos negativos nos setores de eventos,<br />
resultando em um curso para profissionais pudessem não apenas realizar eventos,<br />
mas se responsabilizar por eles. Infelizmente existe desinteresse tanto de<br />
organismos como de organizadores, que tem olhares apenas para o marketing, deixando<br />
as técnicas de administração, logística, planejamento e aspectos legais de lado<br />
conforme pode ser comprovado na prática.</p>
<p>Riscos dos mais variados foram identificados, como acidentes, passivo ambiental, exploração e<br />
exposição dos trabalhadores a condições insalubres de trabalho. Porem muitos<br />
dos riscos são subjetivos, sendo quase invisíveis sem que ocorra um<br />
aprofundamento nos estudos que revelem a que grau de ilegalidade e precariedade<br />
o setor foi exposto, dificilmente poderemos apontar legislações que sejam<br />
efetivamente positivas no sentido de garantir nova organização ao setor,<br />
garantindo tanto à segurança e minimização de impactos, como através de<br />
pesquisas, apontem as soluções adequadas para evitar que sejam criados<br />
impedimentos absurdos que inviabilizem os eventos, lembrando o quão importante<br />
são ao proporcionar riqueza.</p>
<p>Um assunto que exige rápida resposta do governo considerando a proximidade com a COPA onde teremos milhares de eventos paralelos justamente nestes espaços, colocando em<br />
risco nossa população e ainda turista de todo mundo, um risco eminente de<br />
acidentes que podem manchar a imagem do Brasil.</p>
<p>A regulação do setor, como apresentado deve ocorrer através de estudos e não de forma<br />
aleatória como vem sendo feito. No geral os governos só agem após catástrofes e<br />
tomam de cisões paliativas e equivocadas.<br />
Um exemplo de lei que não deu certo foi aplicada em Curitiba, a chamada “Lei de Eventos de Grande Porte” que exige mais de 10 autorizações dos diversos órgãos, mas não trata em<br />
nenhuma linha da qualidade de realização e organização dos eventos, tão pouco<br />
responsabiliza algum profissional. O caso da cidade de Curitiba foi deflagrado<br />
a pouco mais de dez anos quando correu um acidente em show “Da Paz” que<br />
resultou em dezenas de feridos e três adolescentes faleceram pisoteados. É de<br />
se esperar que o governo ira tomar as pressas alguma medida equivocada para<br />
aplacar o clamor popular. Observem, em Curitiba, a solução dada com a lei de<br />
eventos, nenhum produtor consegue a liberação simultânea de todos os órgãos e é<br />
comum o meio profissional tratar da lei como piada, pois todos sabem que os<br />
grandes eventos andam sendo liberados na base da canetada política.<br />
A regulação excessiva sem analise profunda do setor, não levará a nada positivo. Tenho<br />
observado outros fatores que foram enviados às autoridades, sobre as práticas<br />
que precisam ser banidas através de lei, como por exemplo, a questão de ficha<br />
de consumo, algo que precisa ser contextualizado no caso do incêndio da Boate<br />
Kiss Santa Maria (RS), onde os seguranças por despreparo, desinformação, ou por<br />
ordem de alguém, teriam tentando impedir as pessoas que tentavam sair da boate<br />
sem pagar a comanda de consumo em meio a um incêndio conforme denunciado por<br />
sobreviventes. Caso que precisa de punição exemplar e que nunca mais pode se<br />
repetir.</p>
<p>O assunto vem sendo recomendando em relatórios, cursos, entrevistas e até mesmo para os<br />
legisladores que espaços de shows, boates e eventos que reúnam grande<br />
concentração de pessoas seja proibido o uso de comanda e sistema de consumação<br />
pós-pago, tornando obrigatório em todo o território nacional o consumo de<br />
produtos direto através de pagamento antecipado, através de caixas com sistema<br />
de fichas, ou pagamento direto aos garçons. Não se aplica a medida a bares e<br />
restaurantes, somente aos espaços de shows e eventos de grande porte. O que é<br />
uma medida simples e obvia, que em caso de acidentes permitirão com que todas<br />
as pessoas saiam dos espaços com tranquilidade rapidamente e sem deixar<br />
prejuízos com contas que não tenham sido pagas aos organizadores dos eventos.<br />
Outro aspecto importante e que foi revelado neste acidente é amplamente observado em espaços<br />
de eventos em todo o Brasil são a precariedade de saídas de emergência<br />
minúsculas, isso quando existem, o que impede que as pessoas saiam em tempo<br />
adequado em um caso como o que ocorreu.</p>
<p>Muitas destas estruturas de saídas são feitas de forma precária e em numero insuficiente<br />
devido a estas portas, alem de caras, serem fator de vazamento de som, que<br />
acaba sendo fator de multas e fechamento de espaços pelo excesso de som,<br />
justificando para proprietários de espaços que não podem ser feitas muitas<br />
portas sem que com isso não acabem sendo prejudicados pelas leis de ruídos<br />
urbanos. Como estas casas estão abertas se existe exigência de tais portas? A<br />
resposta é clara, existe corrupção, propina cobrada por fiscais que fazem<br />
vistas grossas, liberando o alvará dos espaços sem que, no entanto estes tenham<br />
feito às adaptações exigidas.</p>
<p>Existe uma necessidade de se harmonizar ambas as leis ruídos urbanos e outras de segurança<br />
com medidas administrativas como eliminação de fichas de consumo através de lei<br />
proibitiva. As cidades precisam do entretenimento que promove um afrouxamento<br />
social graças ao lazer e do outro da economia e empregos gerados por estes<br />
setores. O que á mais importante? Segurança, ou vazamento sonoro? Sistemas de<br />
controle de consumo que devem dar mais trabalho ou segurança? A resposta em<br />
qualquer caso é sempre a segurança, claro!</p>
<p>Se for necessário o governo afrouxar as leis de bem estar e ruídos urbanos, no sentido<br />
relacionado de minimizar os riscos de espaços muito fechados, deverá tomar<br />
partido pela segurança, portanto reforço da necessidade de mais portas e saídas<br />
de emergência mesmo que ocorra vazamento sonoro, ao mesmo tempo dando a<br />
garantia que estes espaços sigam funcionando, considerando a importância da<br />
cultura, festividades e entretenimento que são profundamente enraizados em<br />
nossa identidade nacional.</p>
<p>Outro aspecto que precisa ser considerado são os riscos que os funcionários estão sujeitos,<br />
qualquer inspeção básica que passe pela analise de segurança no trabalho<br />
deixará um relatório assustador. Caixas enfiados em cubículos, muitas vezes<br />
trancados, DJs em estruturas prontas para acidentes, palcos altos demais como<br />
aquele que quase tirou a vida de Dinho Ouro Preto (Capital Inicial). Riscos de<br />
incêndios em palco, cozinha, material de isolamento acústico, etc. Equipamentos<br />
sucateados. Garrafas, copos de vidros e até mesmo acesso fácil a facas e outros<br />
instrumentos que ficam a distâncias relativamente próximas do publico nos<br />
bares, todos podendo se tornar armas em caso de uma briga. Palcos sem fio<br />
terra, fiação elétrica sem planejamento, distância de holofotes de luz<br />
inapropriada. Som em excesso em espaços minúsculos. Circulação cheia de<br />
obstáculos como colunas, mesas, cadeiras etc. Decoração feita com objetos que<br />
podem se partir soltar partes e machucar seriamente o público. Estrutura de<br />
telhados de boates sem o menor estudo de capacidade de peso sendo usadas para<br />
pendurar pesados equipamentos. Em Raves, feiras e eventos próximos de parques<br />
existem ocorrência de volume de som extremamente agressivo para com frágil<br />
conjunto de seres vivos no entorno. Falta de planejamento de segurança, fluxo,<br />
circulação de carros, estacionamentos, entrada e saída de carros de bombeiros,<br />
polícia e ambulâncias, ausência de geradores de energia elétrica de emergência<br />
em eventos de grande porte. Consumo de drogas desenfreado. Falta de<br />
fiscalização, tarifas, taxas especifica para os eventos gerando enorme evasão<br />
de recursos públicos, ao mesmo tempo, sendo o enorme numero de taxas diferentes<br />
impossível de pagar ampliando o risco de prejuízos para os organizadores.<br />
Demonstrando total falta de regulação do setor, para alem de uma lei ou outra,<br />
pois se tratam de diversas legislações, provimentos, orientações que deveriam<br />
estar integradas, que deveriam ter acompanhamento do governo, mas não para<br />
impor este ônus ao setor, mas para ao contrário, desonerar o setor para poder<br />
gerar tais exigências, no entanto, muitas são de responsabilidade também do<br />
poder público.</p>
<p>Diante disso, proponho a criação de uma CPI integrada do setor de entretenimento, cultura,<br />
eventos e turismo, que resulte não apenas em investigações, mas em analises,<br />
que possam gerar um código nacional dos eventos bem como outras questões de<br />
interesse relacionado que podem ajudar a diminuir o enorme ônus social que<br />
ocorre por falta de um planejamento de políticas públicas integradas. Neste<br />
sentido antecipo algumas observações para o debate:</p>
<p>- Considerando oque a imprensa noticiou sobre o caso da Boate em Santa Maria, que aparentemente o acidente foi provocado por um efeito de pirotecnia usado em espaço fechado e<br />
acidentes deste tipo são muito comuns, talvez seja o caso de proibição simples,<br />
ou estudo e ampliação da regulação do uso destes aparatos, com a política<br />
complementar de previsão de multas e penas altas para quem insistir em usar<br />
fogos de qualquer tipo, em qualquer tipo de ocasião ou evento sem um rigoroso<br />
estudo técnico e liberações de órgãos responsáveis;</p>
<p>- Lei federal que proíba que o consumo em eventos, shows e boates de grande circulação seja feita via comanda para pagamentos posteriores na saída dos eventos. Tornando<br />
obrigatório o consumo via ficha pré-paga ou pagamento direto no balcão,<br />
permitindo com isso saída livre a qualquer momento pelos usuários de dentro dos<br />
espaços sem impedimentos;</p>
<p>- Lei federal que regule o setor de eventos, obrigue a profissionalização do setor exigindo<br />
profissionais com cursos (que incluam em suas grades organização,<br />
administração, legislação, logística, segurança e analise de impactos dos<br />
eventos), criando com isso um DRT obrigatório para os profissionais,<br />
responsabilizando através de comunicação, com numero e nome do profissional nos<br />
materiais de divulgação quem são os responsáveis por cada evento;</p>
<p>- Criação de cursos de eventos gratuitos promovidos pelo MINC, com certificação emitida em<br />
conjunto pelas casas legislativas municipais, sistema S, associações<br />
comerciais, sindicatos, que possam emitir o certificado que garanta a emissão<br />
do DRT de Produtor responsável por eventos. (O DRT é um registro no Ministério<br />
do Trabalho que serve para autorizá-lo a trabalhar como modelo profissional);</p>
<p>- Incentivo para que eventos de grande porte, feiras, festivais e qualquer outro tipo que ocorra<br />
em espaços abertos, chamados de Mega Eventos (acima de 10.000 pessoas) tenha<br />
limite de horário, ocorrendo de dia, a fim de prover segurança, transporte<br />
público, sossego, entre outros;</p>
<p>- Afrouxamento da lei de ruídos urbanos, permitindo um pouco mais de ruído em determinadas áreas de entretenimento, através de criação de zonas livres para espaços e bares, ao<br />
passo que se exija maiores numero de portas de emergência nos espaços de<br />
eventos que devem sempre estar liberadas;</p>
<p>- Sugestão que nos grandes centros sejam criados bairros boêmios, lugares centrais ou<br />
afastados que pela menor concentração de moradores permitam que exista<br />
entretenimento, facilitação de alvarás para abrirem mais espaços, sem, no<br />
entanto afrouxar nas questões de segurança, ao contrário, cada vez maiores<br />
exigências deve ser feitas neste sentido, lembrando sempre, que o assunto<br />
precisa de estudos técnicos para que não se criem leis que simplesmente<br />
dificultem de forma aleatória o setor;</p>
<p>- Para efeito de segurança e saúde pública. Sugiro que seja considerada ainda neste debate a<br />
legalização do uso da maconha, com controle público da venda, taxas, impostos,<br />
regulação da qualidade da produção e criação de sistemas de acompanhamento pela<br />
saúde publica;</p>
<p>- Aumento exponencial das punições, multas e prisão para quem ainda insiste em dirigir<br />
alcoolizado, imputando corresponsabilidade para os estabelecimentos que<br />
atenderem ao infrator. Criando instrumentos de controle social voluntário como<br />
multa cidadã, canais para envio de vídeos feitos por celulares de cidadãos que<br />
flagrem motoristas alcoolizados, entre outras medidas que passem a ter validade<br />
legal para impedir se for o caso que certos motoristas voltem a dirigir;<br />
- Ampliação de redes Inter-Bares ou Ônibus Balada (projetos que já tiveram experiências ainda<br />
em analise em Porto Alegre, Curitiba, Brasília e São Paulo), com circulação de<br />
linhas de ônibus entre bares da cidade até de manhã, fazendo ligação com<br />
centrais, terminais de ônibus e metros (nas cidades que tiverem), tirando<br />
motoristas bêbados das ruas;</p>
<p>- Criação de um sistema intermediário de transporte para bares e eventos, regulamentando<br />
serviços de vans; &#8211; Ampliação do uso de redes wireles em todos estes espaços de eventos com determinação legal,<br />
como incentivo ao uso de equipamento de comunicação com mobilidade, como forma<br />
de garantir comunicação e segurança publica integrada com redes sociais;</p>
<p>- Incentivo a atividades culturais e artísticas por todo o território nacional através do SNC<br />
(Sistema Nacional de Cultura) integrando MINC com organismos locais, novos<br />
equipamentos culturais, recursos do Vale Cultura, Lei Rouanet, alem da aprovação<br />
da Lei do Mais Cultura para o incentivo de Pontos de Cultura, com isso gerando<br />
atividades diurnas para a juventude, gerando opção de cultura e lazer mais<br />
saudável e próxima das comunidades e periferias;</p>
<p>- Aprovação de uma lei que obrigue que o couvert artístico seja revertido integralmente ao<br />
artista no caso de bares;</p>
<p>- Criação de um imposto único para eventos de grande porte, boates, espetáculos (com capacidade superior a 1.000 pessoas) que incorpore todas as taxas publicas, direitos<br />
autorais, impostos municipais, estaduais e federais, taxas de bombeiros,<br />
fiscalizações e outros, que sejam feitos através de uma porcentagem dos lucros.<br />
Facilitando a fiscalização pública e desburocratizando e desonerando os gastos<br />
do setor, ao mesmo tempo permitindo que o Estado tenha maior controle sobre a<br />
sonegação de impostos;</p>
<p>- Incentivo fiscal, com taxas reduzidas para a produção cultural, artística e independente<br />
de conteúdo nacional, reduzindo impostos dos eventos e espaços que demonstrem<br />
apresentar 100% de atividade e conteúdo artístico e cultural de autoria de<br />
artistas e tradições brasileiras;</p>
<p>- Criação de um sistema nacional de dados de entretenimento, eventos e cultura. Para a<br />
divulgação e padronização de itens de engenharia, segurança, circulação,<br />
equipamentos e outros que orientem a fiscalização de todos os organismos sobre<br />
espaços de eventos no Brasil, e ainda, permitindo acesso do público que possa<br />
através de sistemas de interatividade participar da fiscalização. Criando com<br />
isso a padronização de medidas (circulação, altura de palco, teto, balcões de<br />
bares, áreas de circulação de funcionários, portas de emergências, etc.) que<br />
também defina coeficientes, cálculos que definam as escalas de exigências nos espaços conforme a capacidade de publico, tamanho e função, gerando a recomendação do numero de seguranças, uso de luz, som, energia elétrica, estacionamentos, estrutura de engenharia e capacidade de<br />
peso, materiais usados em isolamento (matérias anti-chamas) conforme a capacidade do espaço e do som permitido. Em especial nos espaços fechados, privados e de uso comercial e nos eventos de grande porte, dado que as mesmas exigências não tem cabimento para espaços pequenos e alternativos. Tais medidas, reguladas por um código nacional comum, associadas a uma base de dados pública, ajudaria a organizar e regular nacionalmente as estruturas de eventos com uma base racional e cientifica determinada por diversos especialistas de diferentes campos do conhecimento;</p>
<p>Estas propostas são absolutamente preliminares, cabendo como insisto a criação de um CPI do<br />
setor de entretenimento, cultura, eventos e turismo, para identificar diversos problemas, promover investigações e com isso também a proposição de um novo conjunto de leis que apoiem o avanço do setor, mas que gerem obrigações e responsabilizações legais para organizadores, mas principalmente que promovam medidas que protejam trabalhadores e usuários sem desestimular a economia do setor. Sem um código brasileiro dos eventos, que venha o fiasco da COPA. Santa Maria pode acabar sendo considerada uma catástrofe menor perto do que pode estar por vir.<br />
Espero que as autoridades se sensibilizem e não venham com milagres. Não existe<br />
milagre, ou assunto é tratado tecnicamente, com pesquisas e consultas publicas<br />
ou considerem que realmente esta nação não pode ser levada a sério.</p>
<p><strong>*Manoel J de Souza Neto</strong>, São Paulo, 09 de Janeiro, Curitiba.<br />
Pesquisador, escritor, agitador cultural e político, defensor de direitos<br />
humanos, culturais e educacionais. Membro do Conselho Nacional de Políticas<br />
Culturais &#8211; CNPC (2010/12).</p>
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		<title>Um sarau para Maé</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2013 21:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/mae_cuicao_web.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18716" title="mae_cuicao_web" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/mae_cuicao_web.jpg" alt="" width="400" height="242" /></a>No fim de 2012 perguntaram onde eu gostaria de estar no dia 21 de dezembro, suposto dia do apocalipse. De pronto respondi que seria no colo de uma morena. Coincidentemente, nesta data eu estava nos braços da nega que adoro quando soube do falecimento do seu Maé da Cuíca.</p>
<p>Apesar da idade avançada, foi um choque. Fui provocado no dia de seu enterro a escrever uma nota para mandar aos jornais locais. Não deu e nem foi preciso, pois logo os suplementos culturais e de esportes da cidade noticiaram. Se fossem em poucas palavras, naqueles espacinhos dedicados aos obituários, assim o definiria: &#8220;<em>Ismael Cordeiro, ferroviário, boleiro e boca negra. Maior sambista dessas paragens, fundou a Colorado, primeira agremiação carnavalesca de Curitiba e os primeiros grupos de samba. Faleceu aos 85 anos de idade, 66 de batucada. Deixa grandes composições e centenas de órfãos&#8221;. </em></p>
<p>Lógico, não dá pra resumir uma trajetória tão longa e intensa em uma nota de jornal. Faltaria dizer que como jogador foi campeão do Centenário pelo Ferroviário e que criou uma das primeiras baterias de torcida de futebol do país. Entre tantos outros feitos, formou diversas gerações de ritmistas, superou barreiras sociais ao dominar os clubes e sociedades da cidade e que no seu <em>Partido Alto Colorado</em> até Raul de Souza tocou. Sem dizer que sua &#8220;Bateria nota 10&#8243; encantou Cartola, Grande Otelo, Leci Brandão, entre outras figuras de renome que foram jurados do carnaval curitibano na década de 70.</p>
<p>Não pode ficar de fora a história de quando subiu o morro da Mangueira com seus batuqueiros e encantou a negrada de lá num tempo em que a polícia não subia, nem malandro descia. Ajudou seus parceiros de Colorado, Claudio Ribeiro e Homero Réboli, a vencer um festival e entrar para a Ala de Compositores da Estação Primeira. Veja bem, isso não é para qualquer um. Venceram sob aprovação de Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, superando o samba &#8220;Lama&#8221; do grande Mauro Duarte, que mais tarde seria eternizado na voz de Clara Nunes.</p>
<p>Passou incólume por todas as modas, sempre levantando a bandeira do samba e do carnaval. Nos últimos anos, mesmo com o fim de sua escola, participou ativamente dos desfiles como Cidadão Samba. Foi figura constante nas rodas organizadas pelo Anildo Guedes no Cimples Ócio, chegando a tocar com as lendas da Velha Guarda da Portela, Jair do Cavaquinho e Argemiro Patrocínio, além de muitos outros ícones do samba que passaram pela casa.</p>
<p>Tive o prazer de participar do projeto &#8220;Acabou a Vila Tassi, mas não acabou o samba&#8221; que registrou a memória da Colorado e culminou no lançamento do livro do pesquisador João Carlos de Freitas e num CD com depoimentos e composições do Maé, Claudio e Homero. Nas diversas entrevistas em seu apartamento ao lado da praça Tiradentes, gravamos 15 composições que ele recordava, algumas feitas há mais de 50 anos. O registro simples, fora de estúdio, guardou o som de sua cuíca e de sua voz entoando &#8220;A Vila está de luto&#8221;. Tudo isso o animou a gravar um disco em estúdio só com suas músicas. Falava até em montar um show reunindo a velha guarda da Colorado.</p>
<p>Apesar de não ter concretizado esses planos, a pesquisa de João Carlos acabou cristalizando a produção de Maé, levando alguns de seus sambas ao conhecimento de compositores locais que supriram a falta de referências legítimas ao tomar conhecimento da história e do legado de um sambista deste quilate. Além de homenagens prestadas pelos projetos Samba do Compositor Paranaense e Samba da Tradição, nos últimos dois anos de vida Ismael pôde ver suas composições serem cantadas em coro por uma geração 65 anos mais jovem.</p>
<p>Abaixo disponibilizo a parte que mais gosto dos depoimentos do Maé. A história de como impediu que malandros e prostitutas, que no contraturno eram ritmistas e passistas de sua escola, fossem perseguidos pela polícia e a passagem em que relembra a morte da passista Sonia, um dia antes do carnaval.</p>
<p>por Téo Souto Maior</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Comentário crítico de Eliane Bastos sobre as músicas</title>
		<link>http://www.brasilcultura.com.br/cultura/comentario-critico-de-eliane-bastos-sobre-as-musicas/</link>
		<comments>http://www.brasilcultura.com.br/cultura/comentario-critico-de-eliane-bastos-sobre-as-musicas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2012 20:02:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Em seu texto Eliane Bastos mostra com criatividade e elegância o uso do hassápiko grego na canção &#8220;Girl&#8221;, de Lennon e McCartney. Sua breve análise é bem informada e ajuda a evidenciar elementos que muitas vezes passam despercebidos na crítica de música popular&#8221;. Sidney Molina &#8211; violonista do Quaternaglia e crítico da Folha de S....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/12/eliane.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18617" title="eliane" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/12/eliane.jpg" alt="" width="250" height="188" /></a>Em seu texto <a href="http://www.elianebastos.com/" target="_blank">Eliane Bastos</a> mostra com criatividade e elegância o uso do hassápiko grego na canção &#8220;Girl&#8221;, de Lennon e McCartney. Sua breve análise é bem informada e ajuda a evidenciar elementos que muitas vezes passam despercebidos na crítica de música popular&#8221;.<br />
<strong><a href="http://www.quaternaglia.com.br/p-sidney.php" target="_blank">Sidney Molina</a></strong> &#8211; violonista do <strong><a href="http://www.quaternaglia.com.br/" target="_blank">Quaternaglia</a></strong> e crítico da Folha de S. Paulo</p>
<h3>Comentário crítico</h3>
<p><strong>Músicas “Girl”(Lennon/McCartney) e “Ax Koritsi mou” (Serkos/ Kosmas)</strong><br />
<strong>Maria Eliane Ribeiro Wolff Filidis (Eliane Bastos)</strong><br />
Pós‐graduação em Musicoterapia<br />
Estética da Música em Musicoterapia<br />
<strong>Professor Sidney Molina</strong></p>
<p>A Grécia deixou várias contribuições nas ciências e também nas artes, incluindo a música. Entre as modernas contribuições está o hassápiko, conhecido mundialmente através do filme “Zorba, o grego”, com ênfase na figura da dança. Várias histórias surgiram e ainda surgem quando se trata de grupos, filmes e atores famosos e uma delas relata a ida de Paul McCartney à Grécia na década de 60, quando teve contato com George Zambetas, um dos maiores compositores da música grega. De Zambetas diz‐se que colocava no instrumento chamado buzúki ritmos e melodias belíssimos; sobre Paul é dito que quando do seu retorno teria trazido o hassápiko, compondo algumas músicas sob a influência da sonoridade da música grega. Dentre elas destaca‐se “Girl” do álbum “Rubber Soul” de 1965. A busca constante pelo novo e por maneiras criativas de apresentar sons diferentes é uma marca bastante presente nas produções dos Beatles. “Rubber Soul” é um álbum que mostra não apenas a maturidade da banda mas também o resultado de trabalhos inspirados em culturas diferentes e que chegou ao Brasil com o movimento chamado de “beatlemania”.</p>
<p>Existem várias músicas gregas com o ritmo hassápiko que poderiam ser tomadas aqui como base para esta comparação. Dentre elas existe uma em particular que leva, em grego, o título de “Ax Koritsi mou” traduzida para o português como “Ah, minha garota”, cuja letra fala da existência da figura de alguém sentindo a falta de outro. A referida figura, ora associada a uma mulher ora associada à cocaína (segundo diferentes interpretações dadas à composição), está no feminino e para ela diz‐se “fique” ou “não vá embora” e caso isso aconteça, quando voltar jamais o poeta a deixará partir novamente. Não é na letra apenas que existe similaridade com as composições escolhidas mas também no ritmo, na divisão quatro por quatro, no<br />
respirar em contratempo que embala os corpos na dança. O hassapiko foi absorvido pelo movimento cultural grego chamado “Rebétika”, inicialmente associado às classes mais baixas e que tornou‐se um dos mais populares e aceitos na Grécia, principalmente pelos jovens na década de 60.</p>
<p>Como se não bastasse o ritmo, encontramos nas frases finais da composição inglesa dois instrumentos com timbres que fazem lembrar o “buzúki”, instrumento típico grego de quatro cordas de metal e seus respectivos pares agudos. Este instrumento está evidenciado em quase toda execução da música “Ax Koritsi mou”. Apesar de ser uma composição recente (2001), está estruturada conforme os antigos hassápikos onde ritmo, melodia e corpo estão muito próximos. Tanto em “Girl” como em “Ax Koritsi mou”, passando pela versão “Meu Bem”, gravada no Brasil pelo cantor Ronnie Von, podemos observar o caráter de intenso sentimento, quase dramático, que o povo grego traz consigo e expõe através das artes. O compositor Manos Hatzidakis faz a junção de 3 elementos dentro desta expressão sentimental: amor, alegria e tristeza ou “meráki” (μεράκι), “kéfi” (κέφι) e “kaimós” (καημός). Caso a letra seja ocultada, com intuito de observação e pesquisa, ainda assim pode‐se encontrar a transmissão destes sentimentos, sendo natural que “Ax Koritsi mou” ocupe um destaque neste caso pois é a que representa a tradição de um povo. No caso dos gregos, uma tradição quase divina, uma vez que na Antiguidade eles atribuíam como oriundo dos deuses este presente: música e dança.</p>
<p><a href="http://www.aloartista.com/conteudo.asp?id=2080">Fonte</a></p>
<img src="http://www.brasilcultura.com.br/?ak_action=api_record_view&id=18616&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Política pública de Cultura de Curitiba (Artigo)*</title>
		<link>http://www.brasilcultura.com.br/sociologia/politica-publica-de-cultura-de-curitiba-artigo/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 11:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Popular]]></category>
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		<category><![CDATA[Lei]]></category>

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		<description><![CDATA[Em curitiba, falta uma política pública de cultura, que é diferente de política cultural. A cidade precisa ser mais aberta, vibrar na periferia com os Pontos de Cultura com o espírito de uma cidade aberta e sustentável. &#160; Manoel J. De Souza Neto* 1 &#8211; Curitiba tem política cultural? Sabe qual é? É suficiente? O...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/11/urbanismo-curitiba.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18418" title="urbanismo-curitiba" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/11/urbanismo-curitiba.jpg" alt="" width="250" height="368" /></a>Em curitiba, falta uma política pública de cultura, que é diferente de política cultural. A cidade<br />
precisa ser mais aberta, vibrar na periferia com os Pontos de Cultura com o<br />
espírito de uma cidade aberta e sustentável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Manoel J. De Souza<br />
Neto*<br />
1 &#8211; Curitiba tem política cultural? Sabe qual é? É suficiente? O que falta?</p>
<p>Sim, Curitiba tem “política” cultural o que falta é uma “política pública de cultura”, existe uma<br />
diferença de conceitos entre as duas.<br />
A cidade tem programas, ação cultural, política de eventos, projetos desconexos e ineficientes. Uma “Política Pública de Cultura” pretenderia realizar atendimento aos interesses públicos voltados aos direitos culturais e humanos. Já uma “Política Cultural” revela uma visão política do grupo que detêm o poder sobre a pasta da cultura.<br />
O enunciado da entrevista levanta questões conceituais dos campos teóricos<br />
político e social que precisam ser sanadas a fim de aproximar o leitor do<br />
funcionamento do Estado e de definições de termos como cultura e política<br />
cultural, que devem ser respeitados sob risco de desqualificar toda a série de<br />
debates. Por isso, procurando facilitar a informação apresento alguns pontos<br />
para contribuir com o debate.<br />
O primeiro ocorre no sentido atribuído às “políticas públicas”, sendo mais do que o conjunto de<br />
ações do governo que irão produzir efeitos específicos. As Políticas públicas são séries de instrumentos e ferramentas da burocracia para atender a demandas<br />
sociais e ao mesmo tempo manter a governabilidade.<br />
O segundo ponto que acredito deve ser retomado é o termo “políticas culturais”, Teixeira Coelho<br />
dedica sete páginas ao verbete em seu Dicionário Crítico de Políticas Culturais, podemos resumir “como programa de intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis, entidades privadas ou grupos comunitários com objetivo de satisfazer as necessidades culturais da população e promover o desenvolvimento de suas representações simbólicas.” (COELHO).</p>
<p>O que nos leva ao terceiro ponto. Note que na introdução de Teixeira Coelho, a arte sequer é<br />
citada. E até por isso preciso fazer uma correção sobre algo que o senso comum<br />
deturpou. Existe um erro de linguagem que leva as pessoas a entenderem o<br />
sentido “arte” toda vez que é usada à palavra “cultura”. Já a “Cultura”<br />
significa cultivar, e vem do latim colere. E tem centenas de definições que vem<br />
evoluindo ao longo dos séculos. Mas resumindo, e correndo risco de ser<br />
superficial.</p>
<p>A cultura é entendid como a totalidade dos padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano cumulativamente ao longo da história.</p>
<p>O quarto ponto, é o questionamento da política cultural aplicada na cidade de Curitiba, fica<br />
evidentemente distante de qualquer definição, seja do termo Políticas Públicas,<br />
seja Política da Cultura, seja Cultura, ainda mais se confundidas com a<br />
Indústria Cultural, o que “estabelece relações entre produção e consumidor em<br />
um esquema industrial bem organizado que revela ao homem sua civilização<br />
iludindo-o quanto a sua identidade entre o universal e o particular.”<br />
(BENJAMIN).</p>
<p>O quinto ponto, o que é produzido pela a FCC, tem o caráter de ação cultural ou pior, política de<br />
eventos, termo negativo segundo o professor Teixeira Coelho. “&#8230; (ação que se<br />
encerra em si mesma, sem deixar resíduos) e, eventualmente, oportunista (serve<br />
ocasionalmente para promover políticos, partidos, beneficiar artistas, etc.)”.</p>
<p>Política que se evidencia justo nos números, onde a maior parte dos recursos de cultura da<br />
cidade são gastos pontuais com Festival de Teatro (que sequer é da FCC,<br />
pertencendo a uma produtora privada), na Oficina de Música e na Virada<br />
Cultural, sendo sempre beneficiados os mesmos, faltando recursos para demais<br />
atividades durante o restante do ano.</p>
<p>Sexto ponto, o que nos leva a reflexão de que as políticas “culturais” na verdade apoiam<br />
exclusivamente o limitado “mundo da arte” local e seus produtores mais<br />
beneficiados. E quando digo isso, trato exclusivamente dos produtores e<br />
“artistas instituídos” (Coelho, pags. 62, 63 &#8211; Dicionário Crítico de Política<br />
Cultural)&#8221;, ou seja, menos de 1% dos envolvidos nas manifestações,<br />
excluindo todas as demais “culturas” da cidade, que ainda assim ocorrem apesar<br />
da prefeitura. O professor Humberto Cunha, comentando Rousseau, complementa<br />
este pensamento: “&#8230;as classes dominantes, surdas aos primeiros gritos por<br />
igualdade, insistiam em manter privilégios e se diferenciar; e dentre os<br />
mecanismos de distinção estava a proximidade “oca” com as artes, assim<br />
entendida porque no lugar de serem usadas para ampliar os horizontes da<br />
reflexão e dos sentimentos humanos, se prestavam a propósitos contrários. (&#8230;)<br />
Enfim, parafraseando, uma política cultural terá valor se ajudar revelar os<br />
selvagens que somos (bons e/ou maus), bem como der suporte à formação cidadã,<br />
aquela que dá autonomia ao indivíduo, sem enfraquecimento da coletividade, ou como<br />
diria Rousseau, respeitando a vontade geral.” (CUNHA em www.opovo.com.br)</p>
<p>Curitiba é uma cidade composta por muitas etnias para além do mito da cidade europeia, formada por culturas, guetos, formas diferentes de se expressar e viver. Não se faz políticas<br />
públicas consistentes com ações dispersas que atendam a interesses políticos<br />
ideológicos de distinção, seleção e exclusão.</p>
<p>Sétimo ponto, a questão se fosse apenas teórica ou filosófica poderia ser desqualificada, como apenas meu ponto de vista ou da academia, mas é antes uma questão jurídica, que esta<br />
prevista na constituição federal e tem base na CF 88 e em tratados internacionais, ignorados pela FCC. A cultura é definida pelo MINC desde 2003, como detentora de três dimensões fundamentais, a simbólica, a cidadã e a econômica. A origem deste pensamento são as recomendações acumuladas na UNESCO/ONU desde os anos 60, sendo as últimas incorporadas a constituição brasileira em 2007, com a Emenda 48 dos Art. 215 E 216. A proteção da<br />
diversidade (dimensão simbólica) deve ser respeitada e apoiada, dando ênfase no<br />
que ocorre na cidade naturalmente, não apenas oficializando e apoiando apenas o<br />
que é de interesse político. Uma política cultural que valoriza seus cidadãos<br />
apoia indiscriminadamente todas as manifestações de forma neutra e não através<br />
de critérios político ideológicos dos burocratas e grupos de elites dominantes.</p>
<p>Oitavo ponto, uma política pública tem princípios, diretrizes, linhas de ação, planos,<br />
abrangentes e estruturantes. E o que falta absolutamente para a cultura<br />
“oficial” de Curitiba são princípios de políticas públicas, adotando apenas os<br />
programas, portanto etapas rasas da realização de um conjunto de políticas<br />
públicas. Graças à necessidade de atendimento dos chamados direitos culturais analisados<br />
anteriormente pelo Prof. de direito Humberto Cunha, o MINC criou políticas<br />
estruturantes, adotando um modelo capaz de prover participação na democracia e<br />
gestão de tais políticas através do SNC (Sistema Nacional de Cultura), PNC<br />
(Plano Nacional de Cultura), CNC (Conferência Nacional de Cultura), CNPC<br />
(Conselho Nacional de Políticas Culturais), além de secretarias e programas<br />
como da Diversidade Cultural, Pontos de Cultura, Culturas Populares e Economia<br />
Criativa. Esse conjunto de leis forma um conjunto de consolidação das leis da<br />
cultura, aprovadas entre 2003/12 e determinam que o mesmo modelo integre<br />
nacionalmente municípios, estados e governo federal.</p>
<p>Portanto um Sistema ao qual Curitiba deveria já estar inclusa.</p>
<p>Nono ponto, uma política pública de cultura é anteriormente a qualquer debate, fundamentada em políticas de caráter social e deve ser acompanhada pela sociedade, existindo<br />
previsão para conselhos, fóruns, colegiados, observatórios, conferências e<br />
seminários. Existem na atualidade grupos debruçados sobre os estudos de<br />
políticas culturais na cidade de Curitiba. Bons exemplos são o grupo de estudos<br />
e curso de políticas culturais em dança da FAP, o grupo de estudos de políticas<br />
culturais em Música do DEARTES da UFPR (recém-criado), o grupo virtual Fórum de<br />
Cultura do Paraná (não confundir com a FEC) e o Fórum Observatório da Cultura<br />
do Grupo e site www.observatoriodacultura.com.br. Portanto o pensamento e<br />
constante acompanhamento das políticas públicas devem ser incentivados na<br />
academia e na sociedade civil.</p>
<p>2 &#8211; A Lei de Incentivo substituiu a política cultural de estado?</p>
<p>Infelizmente substituiu e isso significa a simples ausência de política de Estado, porque mercado não faz outra coisa que negócios. A Cultura, em sua dimensão social de atividade<br />
setorial da arte perdeu muito no sentido da autonomia. Hoje, existe uma ilusão<br />
de que a lei de incentivo melhorou o acesso aos recursos, mas ninguém mais<br />
patrocina sem a contrapartida de impostos e garantia de resultados midiáticos,<br />
ignoram ainda o impacto negativo na criatividade. Nada mais tem haver este<br />
sistema com os chamados “mecenas”. Na verdade ele gerou acumulo de benefícios<br />
em poucas mãos, virando instrumento de poder da burocracia e mercado sobre as<br />
artes, que passam a manifestar artisticamente apenas aquilo que pode ser dito<br />
pela autorização dada através de editais, portanto um sistema de controle e<br />
censura velada.</p>
<p>20 anos deste modelo no Brasil, sejam na Rouanet ou na lei municipal geraram o vicio de produtores e artistas em produzir pensando em se enquadrar nos editais e em agradar júris.<br />
Por efeito, a lei de incentivo acabou com o mecenas natural. Outro efeito<br />
conhecido é a corrupção de notas fiscais, os conchavos e as comissões<br />
solicitadas para liberação de recursos. A desigualdade é o pior efeito, pois<br />
sem conhecer os códigos específicos dos editais, o artista ou cidadão não tem a<br />
menor chance de passar em um edital. E ainda pior, quem não faz parte das redes<br />
de poder sequer é recebido pelas empresas patrocinadoras, gerando uma profissão<br />
oculta, que é o atravessador, responsável pelo tráfico de influência e pelo<br />
inflacionamento dos projetos e pelas notas frias e desvios. Sobre isso,<br />
comentei em artigo anterior: “O resultado é conhecido, mais para quem já tem e<br />
nada para quem não tem nada, em escalas, sempre repetidas, com funções de<br />
exclusão assimétricas de uma camada para a outra logo abaixo e sucessivamente,<br />
até chegar aos níveis mais periféricos com relação aos centrais. Portanto a lei<br />
de incentivo, ao contrário do que deveria promover, apenas aumenta a<br />
desigualdade.” (Sobre o conceito de mérito no julgamento de projetos nas leis<br />
de incentivo à cultura no Brasil – Manoel J de Souza Neto &#8211;<br />
www.observatoriodacultura.com.br/?p=491)</p>
<p>As leis de incentivo geram uniformidade de produções, rebaixamento artístico e não promovem o acesso. Portanto são incompatíveis com os livres criadores, mais ainda com os<br />
princípios constitucionais que exigem à promoção do acesso a cultura pela<br />
população. Sobre isso comentei com base em dados do IPEA: “Em vez de promover<br />
políticas públicas, a lei de incentivo gera desigualdades” (Revista Caros<br />
Amigos 187, pag. 12. Outubro de 2012.) No fundo são instrumentos de mercado<br />
para manutenção do poder e da exclusão social.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3 &#8211; A falta de dinheiro<br />
também suprime a criatividade? Como superar?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não a criatividade está<br />
presente em tudo independentemente do dinheiro. A arte, a cultura, a<br />
diversidade, as manifestações culturais existem apesar do poder público, FCC,<br />
SEEC e MINC. O que a FCC vem promovendo desde sua criação é exclusão através da<br />
seleção de identidades e manifestações, artes, tendências em detrimento da<br />
ampla maioria do que ocorre na cidade que fica oculto, sem emprego nem renda<br />
atrelada a cultura oficial. Exemplo deste tolhimento está nas manifestações<br />
espontâneas e populares que sofrem perseguições pelo urbanismo, polícia e<br />
prefeitura, em especial a FCC que literalmente lava as mãos, quando deveria<br />
proteger.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para os artistas, pode<br />
existir a alegação de que a falta de dinheiro desestimula, mas ao contrário, se<br />
procurar nas biografias dos gênios, Beethoven, Nietzsche, William Burroughs,<br />
Vincent Van Gogh, Karl Marx, Kurt Cobain, Einstein, Levi Strauss, Weber,<br />
Bukowsky e outros, viviam os piores dias de suas vidas quando fizeram suas<br />
grandes obras ou descobertas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Existe sim um vicio,<br />
uma preguiça causada pelo modelo de fomento estritamente mercantilista,<br />
patrimonialista e paternalista que atrai uma orla de oportunistas que não<br />
fazem, não criam, não fazem parte de manifestações e movimentos, mas ficam<br />
bajulando o poder publico, esperando o dinheiro entrar para produzir. Mas para<br />
o artista superar este quadro de falta de dinheiro é só trabalhar para o<br />
mercado (a dita economia criativa), enfim as oportunidades estão ai para quem<br />
ousar dizer ter talento, ou contraditoriamente, afirmar querer “viver de arte”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sim, são contradições.<br />
A arte demanda provocar o espírito humano, a cultura aproximar o simbólico<br />
entre individuo e comunidade e a cultura de massas são meros produtos objetivos<br />
do capitalismo voltados ao entretenimento, portanto apenas mercado. Mas a falta<br />
de dinheiro pode tornar o artista mais criativo, mas a arte criada para atender<br />
a requisitos de editais e de patrocinadores com certeza será uma arte<br />
rebaixada, moldada aos interesses de departamentos de marketing das empresas e<br />
interesses dos burocratas de elaboram os editais para fins pessoais e<br />
políticos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Adorno denunciava há<br />
quase meio século em seu livro Sociologia da Música: “Ao mesmo, o lucro coloca<br />
à sua disposição aquilo que é destituído de função e o rebaixa, com isso, à<br />
figura de algo sem sentido e privado de relação. A exploração de algo em si<br />
inútil, fechado e desnecessário aos seres humanos, mas que lhes parece o<br />
contrário disso, é a razão do fetichismo que encobre os bens culturais em<br />
geral&#8230;” (ADORNO).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A cultura e arte<br />
necessitam de uma autonomia relativa maior do que é ofertada. Existe muita<br />
interferência do Estado e do mercado. Se o criador quer realmente ter<br />
autonomia, vai ter que se acostumar em assumir o lema do movimento Punk, “Faça<br />
Você mesmo”. Do contrário, vai ter que aprender a se vender barato&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4 – Qual é a ação mais<br />
urgente que se precisa fazer na Fundação Cultural de Curitiba?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Primeiro ponto, a<br />
Fundação Cultural de Curitiba precisa se tornar apenas a administradora de<br />
atividades artísticas, virando um braço menor de uma nova Secretaria Municipal<br />
de Cultura com função esta sim de permitir e apoiar através de políticas<br />
públicas a cultura existente. Ou seja, a mesma divisão federal existente entre<br />
Funarte (Fundação Nacional de Arte) e MINC (Ministério da Cultura). Uma promove<br />
editais de arte, a outra cuida das políticas. (ideia que sou precursor, mas que<br />
agradeço o André Alves pela mesma defesa baseada em nossos diálogos<br />
anteriores).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo ponto, a nova<br />
Secretaria Municipal de Cultura, depois de criada, precisa de concurso,<br />
programas de cargos e salários, e incentivo à formação superior, mestrados e<br />
doutorados em cultura, antropologia, sociologia, gestão e arte. Mudança total<br />
de diretoria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Corte de todos os<br />
cargos de comissão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Terceiro ponto, mudança<br />
nas relações entre poder publico e sociedade civil, que hoje é excluída<br />
totalmente em detrimento de um dialogo quase que exclusivo com fóruns dominados<br />
por produtores mais beneficiados pelos editais de lei de incentivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quarto ponto, a revisão<br />
da lei municipal de incentivo, criando além da modalidade mecenato, os fundos<br />
setoriais, com um novo sistema de acompanhamento das produções e das contas dos<br />
projetos. Diminuição radical dos valores dados aos projetos que são excessivos,<br />
e somado ao aumento das verbas vindas do orçamento, também aumento do numero de<br />
projetos apoiados por ano, bem como adoção de novos critérios de eficiência,<br />
economicidade e prestação de contas, com projetos tendo acompanhamento em todas<br />
as etapas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mais importante é<br />
acabar com o papel do atravessador, eliminar a decisão de departamentos de<br />
marketing das empresas patrocinadoras daquilo que será considerado cultura em<br />
Curitiba e com isso eliminar as máfias que se formaram que aprovam 6, 10 até<br />
mais de 15 projetos ao ano. Gerando com este corte, outra função das políticas<br />
públicas redistributivas ao atender a mais pessoas, evitando concentração de<br />
recursos. Lei de incentivo é pra incentivar, não é pra viver, comprar<br />
apartamento, montar estúdio, viajar pra Europa com dinheiro público! É para<br />
incentivar!!!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quinto ponto, a questão<br />
citada, de que a verba da cultura deverá subir para 1% do orçamento da cidade<br />
já esta prevista na lei federal recentemente aprovada do Sistema Nacional de<br />
Cultura que falta ser regulamentada com o PEC 150 que determina a origem e a<br />
dotação dos recursos. Mas, a grosso modo, este 1% da verba das culturas nos<br />
municípios é só para orçamento de ações estruturantes dos municípios seria<br />
destinada aos fundos com editais diretos, manutenção e gestão do conjunto de<br />
funcionários e equipamentos e realização de ações culturais. Se acaso for<br />
mantido o modelo de fomento à cultura por isenção de impostos, a prefeitura<br />
terá de ficar atenta, a lei de incentivo conforme a nova lei federal de cultura<br />
sairia de outro orçamento, portanto, o discurso adotado não se adéqua à<br />
realidade administrativa jurídica da PEC 150. Ao contrário, o valor que deveria<br />
ser aplicado se caso fosse 1% o valor da cultura em Curitiba, R$ 59,8 milhões<br />
(1% dos R$ 5,98 bilhões previstos para orçamento da cidade de Curitiba em<br />
2013), seria apenas o necessário para as ações culturais e administrativas,<br />
sendo ainda necessário outro valor exclusivo fora do orçamento apenas para lei<br />
de incentivo que não se enquadra como orçamento. Portanto estamos tratando<br />
orçamento de um lado e isenção de impostos de outro como coisas separadas. Além<br />
dos R$ 59,8 milhões, para orçamento a cidade deveria disponibilizar outro 1%<br />
para incentivo via isenção de impostos. Portanto o valor total seria de<br />
aproximadamente 120 milhões ao ano para Curitiba e é pouco!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sexto ponto, a fundação<br />
precisa adequar a Conferência Municipal de Cultura aos princípios e calendário<br />
da Conferência Nacional de Cultura, bem como a eleição de delegados, integrando<br />
conselho municipal, estadual com o federal, formando um conjunto de fóruns<br />
setoriais, colegiados, delegados e conselheiros em dialogo. Atualmente não<br />
existe a menor integração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sétimo ponto, o<br />
Conselho Municipal de Cultura precisa ser deliberativo e com garantia de mais<br />
participação através de audiências públicas e encontros de orçamento nas<br />
regionais entre conselheiros, classe e os usuários, portanto a população.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Oitavo ponto,<br />
democratizar os espaços da FCC ociosos quase 80% do tempo, para que sejam<br />
usados pela comunidade, mais shows, ensaios, ação comunitária, social e voluntaria.<br />
Bem como pela academia para seminários e congressos, bem como fóruns e grupos<br />
de estudos. O espaço público precisa se tornar social e efetivamente “público”,<br />
portanto para uso e coadministrado (autogestão) participativa através de<br />
conselhos da sociedade civil que incluam os grupos sociais, artísticos,<br />
étnicos, associações de moradores, nada de privatizações e O.S&#8230; Como fizeram<br />
com a Pedreira!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pra encerrar quero<br />
deixar uma impressão pessoal. Circulei pelo Brasil em seminários, feiras,<br />
festivais e congressos por oito anos em dezenas de viagens em ao menos 14<br />
Estados enquanto estive no Colegiado Setorial de Música e no Conselho Nacional<br />
de Políticas Culturais do MINC. Ao contrário do que o curitibano pensa, podemos<br />
ter uma gestão de ação cultural eficiente, posto que a FCC tem um organograma<br />
de uma produtora cultural, mas em termos de políticas publicas de cultura,<br />
direitos humanos e acesso, Curitiba esta na contramão e é hoje a capital<br />
brasileira menos adequada à Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO e ao<br />
novo conjunto de leis da cultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Falta o espírito de<br />
cidade aberta e sustentável, pessoas andando de transporte publico e bicicleta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Falta o espírito de<br />
cidade aberta com arte e cultura acontecendo naturalmente em todos os cantos,<br />
além de internet com sinal aberto para todos em todos os espaços públicos com<br />
apoio da prefeitura, permitindo ampla comunicação e acesso a cultura e<br />
informação o que poderia melhorar todos os aspectos da vida social, até mesmo a<br />
segurança publica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Falta a cultura<br />
vibrando na periferia com os Pontos de Cultura, todo tipo de manifestações e<br />
festas populares na rua sem muitos entraves burocráticos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Curitiba tem um<br />
espírito fechado, que com o ritmo das transformações sociais mundiais com as<br />
culturas em redes e conceitos de sociedade aberta, sustentabilidade e cultura<br />
local em harmonia com a global, o tal do conceito de “Glocal”. Ou a cidade<br />
embarca nisso agora, ou vai decair ainda mais em seus índices de ruins para<br />
péssimos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Curitiba precisa ser<br />
uma cidade aberta! É disso que se trata cultura, é algo vivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quanto mais tentam<br />
controlar a cultura mais pioram as tensões sociais na cidade, que precisa dar<br />
condições de que as coisas ocorram naturalmente, é disso que se trata a visão<br />
filosófica chinesa atribuída a Lao Tsé, um dos conceitos fundamentais do<br />
Taoísmo Wu Wei ou não-ação, que em termos práticos administrativos seria algo<br />
como, “dar condições para acontecer naturalmente”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Manoel J. De Souza<br />
Neto é pesquisador, escritor, especialista em políticas culturais. Membro do<br />
Conselho Nacional de Políticas Culturais &#8211; CNPC (2010/12).</p>
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		<title>A Cultura e a inexistente política cultural do País (artigo)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Nov 2012 13:27:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Popular]]></category>
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		<description><![CDATA[A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, é uma executiva de talento. Não é preciso lembrá-la como a grande prefeita que foi. Resta saber se ela também acredita que uma política cultural tem de se estribar no mercado, ou se o Estado brasileiro deve chamar para si aquilo que o mercado não quer, por não...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/11/CONSEL1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18303" title="CONSEL~1" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/11/CONSEL1.jpg" alt="" width="200" height="102" /></a>A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, é uma executiva de talento. Não é preciso lembrá-la como a grande prefeita que foi. Resta saber se ela também acredita que uma política cultural tem de se estribar no mercado, ou se o Estado brasileiro deve chamar para si aquilo que o mercado não quer, por não ser de sua natureza querer.</p>
<p>Assim como é difícil contabilizar quantas mortes, por assassinato, registraram-se em São Paulo nos últimos meses, é quase impossível detectar, nas aparentes blandícias da grande arte, a quantas anda a cultura brasileira. A comparação com os assassinatos é fortuita. A morte é antagônica à cultura artística e vice-versa. Luis XIV, o cognominado &#8220;Rei Sol&#8221; da França, omitiu de seus ministros. grande parte dos gastos com a construção do maravilhoso palácio de Versalhes. O monarca foi responsável pela morte de muitos milhares durante as guerras que implementou na Europa no século XVII- mas entrou para a história como um dos maiores mecenas de todos os tempos.</p>
<p>No Brasil, sabemos muito pouco, até agora, do que realmente deverá importar para ao futuro das artes, no período que se considera a &#8220;Era Lula&#8221;. Sobre a &#8221; Era Vargas&#8221;, entretanto, incluída a Ditadura do Estado Novo, tem-se muito. Tudo talvez se deva à complexidade do nosso momento histórico. Mas o saldo, mesmo assim, parece desfavorável ao século XXI.</p>
<p>Uma coisa afigura-se mais ou menos certa. Afora os levantamentos burocráticos &#8211; os relatórios governamentais &#8211; não parece ter havido muito interesse dos três governos progressistas brasileiro em relação ao tema da cultura. A &#8220;Era Lula,&#8221; aparentemente não tem muito o que mostrar a mais, além da administração quase anódina de um ministério que não assume qualquer importância no âmbito governamental. O governo Dilma, por exemplo, mostrou ter despendido um tempão enorme com uma ministra que, na verdade, talvez não tivesse mesmo nada a acrescentar. Mas os jornais, revistas, televisões ou rádios que omitem notícias adversas à oposição brasileira, também parece não terem muito a palpitar sobre o tema. Pode-se interpretar que a questão, afinal, continue como um problema de mercado; e essa, parece, a parte de uma herança mais que maldita que os últimos tempos legaram à cultura brasileira.</p>
<p>Há a cultura informal, aquela que nasce nos bairros das grandes cidades, de alguma forma a reboque da indústria, mas da qual, evidentemente, pouco sabemos. Pela situação social brasileira, o tema da morte, da bandidagem, dos tóxicos, da violência, enfim, não deve ser um assunto à margem nas periferias das grandes cidades do Brasil. A condição de marginalidade, imagina-se, talvez seja o que mais conte de forma impositiva, para muitos desses artistas.</p>
<p>Neste ponto, as mortes violentas de jovens (muito soldados da PM são isso também &#8211; jovens)- supostos artistas e fruidores que cantam e se encantam &#8211; repõe a questão que influenciou muitos nomes da Renascença alemã. Uma exposição de gravuras do MASP &#8211; Museu de Arte de São Paulo &#8211; reflete bem essa coincidência. Na arte de Cranach, Dürer, Grien, Altdhorfer e outros, as guerras religiosas que engolfava toda a Europa, mas que se abateram principalmente sobre os estados alemães, a presença de homens mortos, além de guerreiros, expressam uma violência que não fica nada a dever aos horrores das ruas das periferias, não só da paulicéia. A diferença talvez não sejam os meios de expressão e o mercado. Dürer um dos maiores gênios da pintura, concedeu que deveria apoiar Lutero e os Príncipes alemães contra os camponeses, que reivindicavam melhores condições para a situação de miserabilidade em que viviam. Difícil condená-lo por não ter se postado ao lado dos mais fracos ( como fez seu colega, Grünewald) e de ter se valido também da classe média burguesa para a venda das suas gravuras. Mas não se pode acusá-lo de não ter pelo menos olhado com um singular arrebatamento para a imagem do guerreiro em sua luta contra a morte &#8211; mesmo porque, a morte ainda que sob a forma de monstros, não é uma grande ausente nas gravuras do mestre.</p>
<p>No Brasil da &#8220;Era Vargas&#8221; foram poucos os massacres formais. Luis Carlos Prestes num depoimento que deu a um jornalista, quando contou sobre a Coluna que ele chefiou, dizia ter presenciado muitas mortes violentas ao longo da sua epopéia &#8211; mas o pior foi ver a miséria dos brasileiros do interior daqueles tempos. Em teoria, os artistas do período &#8211; Villa-Lobos, Portinari, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e outros &#8211; não deviam ignorar o Brasil profundo, dos grotões miseráveis, filhos da violência social. E Portinari &#8211; para citar um óbvio &#8211; retratou a coisa a sua maneira. Assim como outros, principalmente Graciliano Ramos. Aliás, se escutado com atenção, Villa-Lobos talvez tenha exagerado em seu sentimentalismo (que não existe outra forma de ser brasileiro) &#8211; mas a melancolia do sertão miserável (&#8220;triste de não ter jeito&#8221;, dizia Manoel Bandeira), não está ausente da sua música.</p>
<p>É o que marca em grande parte o que herdamos, talvez, da &#8220;Era Vargas&#8221;. Na época, graças ao namoro com o fascismo, Getúlio e seus ministros sustentavam a firme convicção de que o Estado tinha de intervir não só na educação das chamadas &#8220;massas&#8221;. Hoje muitos deploram, como demagogia a serviço de Getúlio, as grandes concentrações musicais organizadas por Villa-Lobos no então maior estádio do Rio, que era o do Vasco da Gama. Vivemos numa democracia sujeita a tentativas de golpes até com a participação da Justiça, mas há quem sonhe sinceramente em ver o que seria o concerto de mais de trinta mil vozes, entoando, em coro, o que Villa-Lobos escreveu para a ocasião.</p>
<p>Seria o ridículo de uma mera imitação do nazismo alguém sonhar com esse tipo de espetáculo na Copa de 2014? O Canto Orfeônico, que foi saudado por alguns intelectuais como o pior daquela época, era uma constante nas escolas primárias do Brasil. O Brasil implementado pelo Estado, cantava, ou procurava cantar. Hoje, com o retorno da música nas escolas, o método inventado por Villa-Lobos, talvez seja uma utopia, impossível inclusive de se aproximar daqueles tempos. Mas o Estado brasileiro parece ter se firmado na convicção de que não lhe cabe inflectir na cultura a despeito do mercado. O neoliberalismo mostrou, na economia, que era bem pior do que tudo que seus críticos diziam.</p>
<p>No âmbito do Estado, e da cultura, com as leis Rouanet, Sarney e que tais, vulgarizou-se, no Brasil, a idéia de que a arte emergiria com uma nova feição, a partir da renúncia fiscal. O fato parece ter estagnado justamente no que menos se queria: o tal de marketing cultural. Ou seja, o Estado parece ter aberto mão de sua responsabilidade de implementar a cultura. O mercado o faria; só que o mercado não está fazendo. Alguém lembrará, a propósito, que se houve a mencionada exposição no MASP, de alguma forma o patrocínio existe &#8211; o bom patrocínio. É verdade &#8211; mas a presença de artistas de outros tempos e de outros países poderiam ser apenas um incentivo à produção local. Nada mais que isso. A produção artística, porém, não se dá só por exposições patrocinadas. Há que existir o que normalmente se chama de &#8220;política cultural&#8221;- e não se sabe se isso existe em qualquer lugar do Brasil.</p>
<p>Tempos atrás, num debate na PUC de São Paulo, o sociólogo Giberto Vasconcelos, num rompante algo exagerado, mas com inteira razão, respondeu a um professor de história da música da USP que se o fascismo getulista tinha gerado Drummond, Villa-Lobos, Portinari e tutti quanti, só havia que saudá-lo, uma vez que ele não via ninguém parecido com esses artistas no Brasil democrático. Exagerava evidentemente &#8211; mas respondia, com a devida veemência e à altura, ao tal professor que &#8211; idiotamente, diga-se &#8211; defendia que Villa-Lobos era nazista, pois visitara a Alemanha, a convite do governo alemão pouco, antes da Segunda Guerra. O dito professor não pôde explicar e não tinha como fazê-lo, como é que, sendo nazista (?), Villa-Lobos fora homenageado diversas vezes pelo governo de Israel.</p>
<p>Enfim, uma asneira- mas a questão continua: como batizar de &#8220;política cultural&#8221; a ausência do Estado brasileiro na fixação de metas que envolvam a população na grande arte, na cultura não industrializada e que se faz a despeito da industrialização? Bastam as importações de grandes exposições, como a do MASP? Um concerto da Filarmônica de Nova York no parque Ibirapuera é suficiente para incentivar jovens à carreira de instrumentistas? Serão as bienais de São Paulo, com suas instalações e invenções macabras, o suficiente para que a arte brasileira se faça conhecida como tal?</p>
<p>O Brasil tem grandes artistas. Falta dizer em que é que isso se deve a uma propalada política cultural.</p>
<p>Em tempo: a nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, é uma executiva de talento. Não é preciso lembrá-la como a grande prefeita que foi. Resta saber se ela também acredita que uma política cultural tem de se estribar no mercado, ou se o Estado brasileiro deve chamar para si aquilo que o mercado não quer, por não ser de sua natureza querer, mas que, por sua vez, tem de ser da natureza do Estado fazê-lo.</p>
<p>O mundo foi tomado pela cultura norte-americana. Tudo bem, era inevitável; mas não inventar tropicalisticamente a partir dela, não fazer dela muito mais, é também um tipo de morte &#8211; algo que não fica muito aquém dos assassínios, de fato, dos jovens brasileiros.</p>
<p><strong>Enio Squeff é artista plástico e jornalista.</strong></p>
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		<title>A ditadura e o silêncio do povo &#8211; Por Raul Longo (*)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Oct 2012 11:50:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por fim, me pergunto: com qual silêncio as ruas receberão os magistrados brasileiros se mais uma vez comprovarem o acentuado e vergonhoso desnível da balança do Poder Judiciário Brasileiro? Dos anos da ditadura militar restaram-me silêncios inesquecíveis. Primeiro foi o silêncio das ruas do bairro onde, ainda menino, morava com meus pais. No rádio falava-se...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/10/arua.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18205" title="arua" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/10/arua.jpg" alt="" width="482" height="321" /></a>Por fim, me pergunto: com qual silêncio as ruas receberão os magistrados brasileiros se mais uma vez comprovarem o acentuado e vergonhoso desnível da balança do Poder Judiciário Brasileiro?</p>
<p>Dos anos da ditadura militar restaram-me silêncios inesquecíveis. Primeiro foi o silêncio das ruas do bairro onde, ainda menino, morava com meus pais. No rádio falava-se em revolução, mas ao invés de exaltações o que vi e ouvi nas ruas foi um grande silêncio temeroso, contrastando com galhofas e pegadinhas tradicionalmente empregadas em todo 1º de Abril de anos anteriores a 1964.</p>
<p>Um silêncio não sem razão, pois além de não ter graça nenhuma a mentira pregada naquele 64 durou ¼ de século em que calou muitos outros silêncios que até hoje ecoam em meus ouvidos pela lembrança de vozes que nunca mais ouvirei. Eram vozes queridas e mesmo as que sobreviveram nunca mais voltaram a ser tão alegres e desinibidas. Algumas até se tornaram irrecuperavelmente soturnas.</p>
<p>Depois, as mesmas rádios, as tevês, revistas e jornais falavam tanto de um milagre econômico e da obrigação de se amar o país que comecei a ouvir vozes estranhas em diversas daquelas bocas a princípio caladas. Não eram vozes naturais e soavam como reprodução mecânica das máquinas de divulgação de um progresso que eu não conseguia ver nas ruas, pois o que via eram levas de silenciosos miseráveis a constituir favelas e periferias, vindos dos interiores para construir pontes, viadutos, túneis, estradas e metrôs.</p>
<p>Então, bem tentei lembrar o sacrifício daqueles silenciados pela espoliação e do custo daquele duvidoso progresso financiado e em benefício de minorias nem sempre nacionais, mas que algum dia todos teríamos de pagar. E onde tocava no assunto, eu era silenciado.</p>
<p>Assim percorri o país, mas mais do que o silêncio que a mim impunham doíam-me aqueles outros precedidos de urros e gemidos. Os silêncios impostos pela morte, pelo desaparecimento ou pelo exílio. Quantas dessas vozes perdi por todo o Brasil!</p>
<p>Mas no decorrer da ditadura militar escutei dois silêncios que ainda mais me impressionaram. Um deles foi quando cheguei a um comício do “Movimento pelas Diretas Já” no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. A passarela de pedestres sob o Viaduto do Chá transformada em palanque por Teotônio Vilela, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Brizola, Fernando Henrique Cardoso e outros mais.</p>
<p>Sobre o viaduto e de um lado a outro do amplo vale, desde a Av. São João até o início da Av. 9 de Julho, a maior multidão que até então eu já vira reunida. Ouvimos o Lula dizer que se algum daqueles da passarela aceitasse mais uma eleição indireta no Brasil, estaria traindo a todos nós que ali escutávamos não somente ao líder sindical, mas a todos demais políticos num silêncio oceânico. Um silêncio impossível em tamanho agrupamento de pessoas, mas real e consistente.</p>
<p>De fato fomos traídos e as vozes da mídia mais tarde nos convenceram ter sido melhor assim, para depois nos empulharem com elogios a um “caçador de marajás” e, ainda outra vez, com um poliglota a nos ludibriar em diversos idiomas. Até aprendermos a ouvir em nosso silêncio, nossas próprias vozes.</p>
<p>Já o silêncio do povo durante a ditadura militar que recordo agora, é mais pessoal e bem anterior, quatro anos depois daquele do primeiro 1º de Abril silencioso que experimentei na vida. Não lembro o mês exato em que se deu, mas recordo vivamente quando a cavalaria entrou na Praça da Sé em meio ao nosso protesto contra o acordo MEC-USAID que, conforme prevíramos, trouxe o sistema de educação pública do Brasil ao estado calamitoso a que chegou.</p>
<p>Dispersamos e como muitos outros me enfiei pela Rua Direita com o galope dos cavalos atrás. A intenção era me meter nas Lojas Americanas, aproveitando a saída para a Rua José Bonifácio do outro lado para dali alcançar algum ponto de menor concentração policial. No entanto, uma multidão encostada às grandes portas do magazine impedia a entrada.</p>
<p>Não havia tempo para pensar e me joguei no meio das pessoas, mas não foi preciso empurrá-las porque me abriram espaço tão imediatamente quanto o fecharam. No último segundo algo dolorido me desequilibrou, ainda assim varei aquele estreito vão pelo recuo aos lados da densa cortina de gente e, na dor e no susto do outro lado, num instantâneo olhar atrás, já me levantando depois de cair no piso da loja, só vejo as costas de homens e mulheres num severo silêncio ressaltado pelo tinir irritado dos cascos do cavalo sobre o asfalto da rua. Se não me falha a memória a Rua Direita ainda não era calçada de pedras, mas já exclusiva aos pedestres.</p>
<p>Mais tarde, pela imagem de chapa de raio-X, um médico me advertiu sobre os dias em que me seria dificultoso e dolorido respirar e dormir, por causa de uma costela trincada. Fiquei imaginando o esforço do soldado da PM a se dobrar sobre o cavalo na tentativa de me derrubar com sua “Fanta”, como então se apelidou um cassetete mais extenso por analogia com o único refrigerante de litro então comercializado.</p>
<p>Evidente que não há nada de refrescante numa lambada de cassetete, mas a cada ardor da primeira trinca de ossos em meus ouvidos ecoava o orgulho por aquele silêncio da multidão a afrontar e barrar a afoiteza do cavalo. Naquele silêncio muitas vezes me compenetrei do sentido dos tantos demais silêncios muito mais sofridos de meus companheiros dos tempos da ditadura.</p>
<p>Hoje ouço o tropel efusivo da mídia pela condenação daqueles que sempre lutaram contra tantos outros acordos espúrios e lesivos à pátria, como antes ouvia os mesmos veículos de informação e jornalistas silenciarem-se a estes acordos. Fosse à ditadura, aos tempos do “Caçador de Marajás” que a própria mídia nos levou a eleger ou à era do poliglota fraudulento.</p>
<p>Mas também ouço o silêncio da multidão gritado nos resultados do primeiro turno destas eleições municipais e das pesquisas do segundo a se realizar no próximo domingo.</p>
<p>Ouço as acusações de entidades e organismos que se calaram aos tantos crimes contra o país, engavetados por quem deveria apontá-los e absolvidos pelos que devendo condenar se resumiram em sentenças de pena de férias em Miami, Paris, Roma ou qualquer outro nicho turístico internacional.</p>
<p>Ouço os pronunciamentos dos mesmos Ministros da Suprema Corte que viabilizaram a fuga de escroques e estupradores, agora fundamentados em indícios, indisposições e ilações de personagens comprovadamente desqualificados.</p>
<p>Pergunto-me como se comportarão esses mesmos juízes quanto aos documentos e provas reproduzidas no livro de maior vendagem da história de nossa literatura: “A Privataria Tucana”. Como se pronunciarão e a que condenarão os acusados pelo mesmo crime de Caixa 2 praticado a cada eleição por todos os partidos políticos do país?</p>
<p>Ouço também um eco recente da voz do Ministro Joaquim Barbosa desafiando seu colega Gilmar Mendes a ir às ruas. Então Barbosa se referia ao burburinho contra a leniência de Mendes aos crimes financeiros do megaespeculador Daniel Dantas, financista dos projetos do anterior governo neoliberal.</p>
<p>Por fim, me pergunto: com qual silêncio as ruas receberão os magistrados brasileiros se mais uma vez comprovarem o acentuado e vergonhoso desnível da balança do Poder Judiciário Brasileiro?</p>
<p>Barbosa apostou no alarido das ruas contra Gilmar Mendes, mas ao contrário de outros povos o brasileiro tem comprovado a ilegitimidade e destituído poderes abusivos e inaptos em silêncio.</p>
<p>Vá às urnas, Ministro!</p>
<p> *Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Mora em Florianópolis e é colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Pouso Longo”.</p>
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		<title>Hip-hop, cultura popular cooptada? (artigo*)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Oct 2012 11:12:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O capitalismo está sempre atento e com olhos bem abertos, observando e aliciando os movimentos culturais e sociais e seus territórios de atuação. O que incomoda, inquieta e assusta não só ao movimento Hip Hop, mas também aos demais movimentos culturais, é exatamente a reação do capitalismo contemporâneo, tentando capturar, cooptar e domesticar a produção...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/10/aaahip.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-18199" title="aaahip" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2012/10/aaahip.gif" alt="" width="200" height="125" /></a>O capitalismo está sempre atento e com olhos bem abertos, observando e aliciando os movimentos culturais e sociais e seus territórios de atuação. O que incomoda, inquieta e assusta não só ao movimento Hip Hop, mas também aos demais movimentos culturais, é exatamente a reação do capitalismo contemporâneo, tentando capturar, cooptar e domesticar a produção de subjetividade incessante e frenética que esses movimentos promovem.</p>
<p>O grafite, o Dj, o rap, o break, as gírias e dialetos em novelas e outros programas da Rede Globo, as lideranças desses movimentos em comerciais de bancos, telefonia celular etc mostram a busca por essas subjetividades, que são fundamentais para a produção capitalista. Mas eles não querem só o Hip Hop. Querem também o funk, o charme e demais manifestações que dêem a eles a tão desejada subjetividade que lhes interessa. A razão desse interesse é simples: a cultura urbana é produção de riqueza, e a metrópole é o espaço dessa produção.</p>
<p>Apesar de ser um espaço de realidades paradoxais, a metrópole sempre proporcionou o surgimento de movimentos culturais e sociais potentes. O hip hop é um grande exemplo disso: uma cultura forjada nas ruas, fruto da hibridização de linguagens e culturas que se cruzaram nos guetos da metrópole. O rap nasceu da fusão da cultura africana, jamaicana e americana. Já o break veio da comunidade porto-riquenha que residia nos guetos americanos, mas sofreu a influência da cultura negra dos guetos nova-iorquinos. Já o grafite, que surgiu de manifestações políticas estudantis em 1968, na França, também recebeu influências ao chegar a solo americano. O que quero evidenciar é que por traz das características internas de uma cultura estão os conflitos sociais, as interações e as inter-relações.</p>
<p>É importante lembrar que a cultura nasceu em meio ao caos social que assolava os Estados Unidos na década de 1970. Ou seja, a cultura hip hop representa nesse momento a resistência dos jovens às adversidades sociais vividas nos guetos, mais que isso, havia sempre uma ideia criativa para superar uma necessidade que surgisse. No Brasil, a cultura é sinônimo de hibridização, mestiçagem e antropofagia. O diálogo estreito com outros movimentos sociais e culturas urbanas potencializam mais ainda a cultura e, o que é mais importante, diversificam suas formas de luta e seu poder de criação e produção.</p>
<p>Por tudo isso, o capitalismo investe não só na cultura hip hop, mas em todas as redes e culturas, buscando extrair valor da cul­tura, do saber, do afeto e da sociabilidade. Para isso procura conectar-se a determinadas dinâmicas de produção do intangível. É nesse momento que assistimos a Nike fazer uma parceria com Central Única de Favelas (Cufa) ou com o rapper Mano Brow. Assistimos ao Santander buscando expandir seus serviços nas periferias utilizando a imagem do grupo AfroReggae ou a Nextel, utilizando o rapper MV Bill.</p>
<p>Recentemente o Metrô Rio promoveu a Copa Grafitti, com oficina ministrada com o grafiteiro Airá Ocrespo, para alunos da rede pública onde os alunos que se destacarem irão participar da pintura oficial dos muros das 15 estações do Metrô da linha 2. Fica uma pergunta: os grafiteiros que coordenaram os trabalhos de pinturas do muro serão reconhecidos como artistas e remunerados como tais? Os alunos das oficinas também serão remunerados dignamente?</p>
<p>Para o capitalismo contemporâneo conectar-se com essas culturas e com esses territórios, é conectar-se com as dinâmicas de produção do intangível, é buscar a fonte do valor que se encontra nas formas de vidas que se produzem e reproduzem continuamente nesses mundos. Formas de vida que são potentes manifestações de criatividade, luta e resistência no seio desse novo ciclo de acumulação do capitalismo globalizado. É conectar-se com atores sociais que hibridizam o saber e o fazer em novas e potentes soluções tecnológicas, sociais e culturais. Ou seja, é a aproximação com a potência da vida dos pobres.</p>
<p>Um exemplo dessa potência é o Movimento Enraizados, que tem sede no centro de Morro Agudo em Nova Iguaçu, em um espaço com 350m², com biblioteca, telecentro, estúdio de áudio e vídeo, lanchonete, auditório, cineclube e mais diversas atividades para os jovens e adolescentes. O movimento atendeu 120 crianças, 600 adolescentes e 180 jovens no ano de 2010, em projetos como o Pontão de Cultura Preto Ghóez Juventude Digital, Projovem Adolescente e Enraizadinhos. A Rede Enraizados é o Núcleo de Audiovisual que tem  produção e difusão de Filmes, Videoclipes, Músicas, Coletâneas, gravação e venda de CDs e DVDs; o Cineclube Enraizados, com foco no cinema nacional e documentários; Rede de Comunicação Alternativa, composta por fanzines, e-zines, jornais de bairros, internet, rádios comunitárias e livres.</p>
<p>Outro exemplo é o Coletivo Visão da Favela Brasil, que atua no Morro Santa Marta com diversas atividades para toda a comunidade. Entre as diversas atividades destacamos:Pintando o Morro: Toda semana convidados um Graffiteiro da cidade do Rio de Janeiro, para realizar o graffite dentro do morro Santa Marta. O Graffiteiro tem a liberdade para escolher o tema da pintura. Seja critica social ou entretenimento. Cria Filmes: Núcleo de Cinema, onde se criam filmes, reportagens, edições, oficinas de cinema. Em 2008, o Núcleo produziu de forma autônoma o Curta Metragem: 788 com 12 minutos de duração, que ganhou prêmio como melhor filme no Brasil Belo Horizonte, como melhor Imagem. E na Holanda, como melhor filme de ficção. Sessão Santa Marta: Cine Clubismo, realizado no bar cultural do Zé Baixinho, quinzenalmente. Na Sessão Santa Marta, são exibidos filmes nacionais e lati americano, com debates. – Gratuito. Jornal Comunitário:O Jornal Visão da Favela Brasil, é um periódico, de formato A4, de distribuição gratuita, dentro e fora do morro Santa Marta. Neste veículo, debatemos historia dos trabalhadores, favela, segurança publica, educação, e comunicação popular. VídeoTeca: Visão da Favela Brasil. Diversos filmes no acervo da videoteca, para empréstimos gratuitos.  Filme que retrata a historia da ditadura militar no Brasil, movimentos sociais, educação, segurança pública, sobre favelas, greves em São Paulo, hip-hop, nazismo e etc. Oficinas de Comunicação Popular: Ministram oficinas de comunicação Popular. Como montar uma rádio comunitária, divulgar os fatos na favela que mora, criar seu jornal comunitário, montar e alimentar um blog, postar fotos e vídeos na internet, usar o programa: Photoshop, para diminuir fotos e salvar em diversos arquivos. Biblioteca Evolução:promove empréstimos de livros, para os moradores do morro de forma gratuita. No acervo da Biblioteca está disponíveis livros com temas diversos como: Sociologia, pedagogia, comunicação, psicologia, política, cultura e história.</p>
<p>No ano de 2001, o rapper e ativista Fiell, integrante do Coletivo Visão da Favela, criou a grife Movimente-se. A proposta é produzir uma roupa que represente o pobre, vista bem, de bom material e que seja acessível para todos: Mcs, estudantes, trabalhadores em geral. E Por que Movimente-se? Movimente-se foi inspirado na frase da revolucionária; Rosa Luxemburgo: “QUEM NÃO SE MOVIMENTA, NÃO SENTE AS CORRENTES QUE O PREDEM”.</p>
<p>O que fica claro é que a criatividade está na metrópole e é um processo social fruto das interações e relações sociais. Fruto da miscigenação de linguagens, culturas, afetos. Mas precisamos ver a criatividade não como um processo excepcional, mas sim como a construção de toda uma sociedade. Construção de novas formas de atuar, produzir, organizar, intervir e consumir. Mas se a criatividade está na metrópole então o que é a metrópole hoje? A metrópole é o local da produção é o local do comum que se constitui pela cooperação e colaboração. A cidade é biopolítica. A riqueza não nasce mais da fábrica, mas das relações sociais organizadas de produção. Conforme afirma Antonio Negri “A metrópole é um mundo comum. Ela é o produto de todos – não vontade geral. Mas aleatoriedade comum”.</p>
<p>Dentro dessa nova dinâmica de produção de riqueza os movimentos sociais/culturais e os territórios produtivos, ricas fontes de produção, criação e inovação, ficam em evidência e tornam-se alvo do desejo do capitalismo contemporâneo que se mobiliza para capturá-los seduzi-lo e fazer uso deles ou até mesmo se apropriar dos mesmos. Uma vez capturados são domesticados e passam a servir de energia produtora alimentando o capital. Mas o assédio a esses movimentos e territórios não vem só dos representantes do capitalismo, parte também de organizações governamentais e não governamentais que se dizem contra o capitalismo, mas que não enxergam ou não conseguem enxergar essas manifestações como multidão, como um conjunto de singularidades que cooperam entre si, uma multiplicidade de grupos e de subjetividades. Algumas vezes não reconhecê-los como multidão é pura falta de conhecimento e a necessidade de trocar os óculos. Mas em muitas das vezes não reconhecê-los como multidão é a forma de exercer o poder sobre eles impondo a homogeneização e verticalização. Para tanto, basta oferecer uma bela ajuda financeira ou a ampliação de suas atividades e melhorias de seus equipamentos, na sua grande maioria precária e carente.</p>
<p>E ai fica um questionamento: qual o caminho para esses potentes atores sociais? Vejo como caminho a ser trilhado as Políticas como a Cultura Viva – Pontos de Cultura que é uma política capaz de reconhecer e de afirmar as manifestações que já acontecem nos territórios produtivos. É preciso reconhecer o que já tem nos territórios e dar aos meios uma política comum para que esses atores sociais continuem como singularidades que se relacionam com outras singularidades. Reconhecer as dimensões produtivas e criativas dos movimentos culturais é ir além de uma política cultural. A dinâmica de produção cultural é uma dinâmica fundamental numa economia do conhecimento que produz formas de vida a partir de forma de vida. Como já foi demostrado, para os movimentos culturais/sociais não falta produção, criação e inovação, faltam recursos para que tudo isso se multiplique. A solução eles tem: é preciso estimular e não bloquear essa criatividade essa capacidade de resposta, essa capacidade de se reelaborar e reinventar que já possuem, e são tão cobiçadas pelo capitalismo contemporâneo.</p>
<p>Conforme nos alerta Negri: “gozamos de uma segunda geração de vida metropolitana, criativa de cooperação e excedente nos valores imateriais, relacionais e linguísticos que produz. Eis a metrópole da multidão singular e coletiva”. Mas Negri vai além e afirma que é no interior da vida metropolitana que deve se iniciar a subversão do estado de coisas dado. Ou seja, a metrópole é também o terreno de êxodo por parte da multidão. Fica evidente que temos novas formas de lutas, organização e resistência e que o novo espaço metropolitano e suas dinâmicas colaborativas e cooperativas, propiciam as condições para construção de um comum que nos conduza a reapropriação da cidade e da vida. É com a multidão e com suas novas formas de lutas baseadas no êxodo que podemos pensar em um “novo mundo possível”.</p>
<p>Encerro minha reflexão com as palavras de Walter Benjamin: “As ruas são a morada do coletivo. O coletivo é um ser eternamente inquieto, eternamente agitado, que entre os muros dos prédios, vive, experimenta, reconhece e inventa tanto quanto os indivíduos ao abrigo de suas quatro paredes”. É no experimentar, inventar e criar que a multidão resiste. Da força da vida vem à força da produção que é a única maneira de lutar.</p>
<p>*Por Rocilei Silva</p>
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