EDERALDO GENTIL – O SAMBISTA DE PÉROLAS FINAS

 Edil Pacheco, Riachão, Valmir e Ederaldo Gentil

 

 

 

 

Quem espera sempre alcança. Já não era sem tempo que o público amante do velho e bom samba brasileiro esperava a edição da obra de um dos seus maiores sambistas, o baiano Ederaldo Gentil, surgido na época áurea do samba baiano, como um dos compositores mais requisitados da Escola de Samba Filhos do Tororó, e que alcançou reconhecimento nacional nos anos 60, 70 graças a composições de sucesso gravadas por artistas como Leny Andrade, Alcione, Eliana Pittman, Conjunto Nosso Samba e outros. Felizmente, a graça de ouvir as pérolas finas produzidas pelo talento inspirado do poeta baiano, foi alcançada, como fruto do esforço de outro grande talento baiano, o cantor e compositor Edil Pacheco. A obra rara e qualificada de Ederaldo, para satisfação daqueles quem amam o samba de raiz, de qualidade, acaba de sair em primoroso CD, que reúne, para interpretar a obra musical do poeta de Salvador, a nata da MPB. Produzido por Edil Pacheco, em homenagem a Ederaldo Gentil, o CD resultou também numa pérola fina, de bom gosto e competência interpretativa. Também não era para menos, diante da escolha dos intérpretes e músicos feita por Edil, todos com larga ficha de serviços prestados à Musica Popular Brasileira.. A começar por Gilberto Gil que, acompanhado somente de seu violão e da percussão de Felipe de Angola, derrama sua ancestralidade na interpretação de Luandê, música feita após viagem do compositor a Angola, onde bebeu na água lustral das origens. Em seguida o experimentado João Nogueira, com seu bonito timbre grave, em interpretação competente, recria o dia a dia de uma trabalhador, retratado na bem humorada crônica criada por Ederaldo Gentil. Luis Melodia, outro grande astro, que ocupa na nossa MPB, um lugar muito especial, também está presente pondo seu talento a serviço da obra de Ederaldo, na bela interpretação de Espera, feita de parceria com Batatinha outro respeitável nome do samba na Bahia (autor de Ministério do Samba, Direito de Sambar e tantos outros sucessos). Outros importantes nomes do samba também estão presentes, como Beth Carvalho, que canta Eu e a Viola, a sempre exuberante Elza Soares interpretando A Saudade me Mata, e Jair Rodrigues, que recria em interpretação personalíssima o grande, talvez maior sucesso, de Ederaldo Gentil, o clássico O Ouro e a Madeira, já imortalizada pelo conjunto Nosso Samba, que a tornou um dos grandes sucessos dos anos 70. Outro sucesso de Ederaldo, Rose, feita de parceria com o grande compositor baiano Nelson Rufino, de quem Roberto Ribeiro gravou sucessos como Todo Menino é um Rei, Vazio, mereceu primorosa interpretação de Lazzo, cujo potencial de voz, enriqueceu sobre maneira esta bela canção, que se tornou um dos carros – chefe de seu repertório, já há alguns anos. Personagem da história da Bahia, Mãe Menininha de Gantois é homenageada por Ederaldo Gentil, em In-lê In-Lá, interpretada com competência por Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes. O CD, ainda traz Carlinhos Brown, despojado do seu lado de percussionista para nos oferecer, tão somente acompanhado do violão de Cezar Mendes, uma sensível interpretação de Barraco; Paulo César Pinheiro, que demonstra versatilidade como cantor, ao interpretar De Menor, obra carregada de lirismo do grande poeta que é Ederaldo; a cantora Jussara Pinheiro, defendendo brilhantemente Impressão; outra bela voz feminina adorna o obra de Ederaldo, representada pela interpretação segura da novata Vânia Bárbara. Finalmente, como não poderia deixar de ser, Edil Pacheco encerra o CD, homenageando o amigo com sua eficiente interpretação de Maria da Graça. Em termos técnico e instrumental, o CD é de ótima qualidade que resultou da eficiência dos estúdios WR (Salvador ) e Cia. dos Técnicos (Rio), e do talentos dos excelentes músicos arregimentados por Edil Pacheco, como Carlinhos Marques (violão e arranjos), Márcio Diniz (bateria), Luciano Calazans (contra-baixo), Cristóvão Bastos (piano); Pedro Amorim (bandolim) , Zizinho (ganzá), Luciana Rabello, irmã do sempre pranteado Rafael Rabello (cavaquinho), Paulinho Andrade (flauta), Ivan Bastos (contra- baixo). A beleza da capa é obra da arte superior de Elifas Andreato, resultando o trabalho todo na produção deste CD, que já pode ser considerado um clássico da MPB, e representa merecida e justa homenagem a um dos grandes nomes do samba brasileiro na Bahia que, ao lado de outros ricos talentos como Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Edil Pacheco, Tião Motorista, Chocolate, Valmir Lima, Valter Quieiroz, Nelson Babalaô, Paulinho Boca de Cantor, Roque Ferreira, mostra que o samba não só nasceu na Bahia, como dizia o Poetinha Vinicius, como continua lá morando e espraiando suas belezas por todo esse Brasil. Salve a Bahia.

João Carlos de Freitas, especialista em MPB, pela Faculdade Artes do Paraná.

    Author: Redação

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