BRASIL: 3º Mundo?

Por Yves Hublet

 

BRASIL: 3º  Mundo?

 

 

            Não adianta a gente tentar se enganar. Eu também não queria, gostaria que não fosse verdade, mas ela aí está, comprovada no nosso dia-a-dia: o Brasil é 3º  Mundo, sim! Ou, AINDA é, pois estamos, você, eu e alguns muitos mais, a fazer das tripas – coração e lutando (e bota luta nisso!) – até contra os ufanistas, que só atrapalham – para mudar/transformar esse estado de coisas. E vamos conseguir!

            Se passarmos para o 2º  Mundo já está muito bom. Pois isso, pelo menos na minha ótica, está meio longe. AINDA!

            Se não, vejamos: a questão dos genéricos – e não pretendo ir fundo nela, mas apenas considerar um dos aspectos – a CONFIABILIDADE.

            Já começa que, se não me falha a memória, os maiores laboratórios fabricantes de genéricos estão nas mãos (ou seria bolsos?) de políticos, como o Senador Antonio Carlos Magalhães e caterva (péssima referência, não?!). Já pensou o Maluf, dono de laboratório?

            Bem, num surto otimista, consideremos que, por se tratar de Saúde Pública, patati, patatá… o Governo exerça o tal “rigoroso controle”  e os remédios ( que já foram falsificados, sim, lembra?), inclusive os de uso contínuo – que eu, você, nossa mãe e todos nós somos obrigados a tomar, são (de fato!) rigorosamente controlados.

            Voltamos a falar da questão inicial: confiabilidade!  Pois não é que, chato que sou, estou com 3(três) caixas de remédios na minha frente: dois genéricos e um não. Todas elas exibem um retângulo onde dizem para você “raspar com objeto metálico”. Isso posto a gente imagina que vai aparecer: a) logotipo do laboratório; b) um G maiúsculo, impresso em tinta especial;c) as Armas da República; d) a marca de um carro, que você ganhou; e) a Campanha Fome Zero; f) a estrela do PT; g) outras opções.

Quer-me parecer que o objetivo disso é (ou seria?) o de mostrar ao consumidor (você, eu, etc.) que, sim, aquele remédio (genérico ou não) é produzido pelo laboratório BIOSINTÉTICA (Atenolol), EMS (Atenolol) e a poderosa multinacional BOEHRINGER INGELHEIM DO BRASIL (Secotex). Ledo engano!  Não aparece NADA!

            E olha que eu raspei – não com moeda, como você vai fazer- mas com espátula, até ”ferir” o papelão da caixa. NADA!

            Fica aqui a pergunta: se estes (e, com certeza, outros) laboratórios, brincam com a nossa cara desta maneira, a partir da própria  embalagem, o que poderemos imaginar que estamos ingerindo naquelas bolinhas/tubinhos? Dá pra acreditar?!

            Mas não se desespere! Ainda restam muitas esperanças…

            E a maior, creio ser o Ministério Público, em todas as suas instâncias – federal, estadual ou municipal. A maior parte composta de gente jovem e cheia de garra.

Quem sabe, estas linhas não vão despertar, em algum coração de promotor/a, o D. QUIXOTE (que este ano comemora 400 anos de edição!)  adormecido?!

            Vamos todos torcer…e esperar!

 

Yves Hublet é escritor e presidiu a UBE (União Brasileira de Escritores) – Paraná.

 

 

 

    Author: Redação

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