Iniciativa do Ministério da Cultura com o Ministério da Saúde valoriza o trabalho da “arte loucura”

Loucura ArteEntre o final da década de 40 e início da de 50 no Brasil, o sistema manicomial já era questionado por profissionais como Osório César, psiquiatra e crítico de arte que criou, no Hospital Psiquiátrico de Juqueri, em Franco da Rocha, São Paulo, a Escola Livre de Artes Plásticas. O objetivo da escola já era o de recuperar e reintegrar pacientes à sociedade por meio da produção artística. Hoje, a relação entre saúde mental e arte é mais do que método terapêutico.

Nos anos 80 e 90, com a desinstitucionalização dos manicômios, foram criados os serviços substitutivos, que focavam não só na inserção dos pacientes no espaço social, mas, principalmente, no direito de exercer a cidadania. A internação integral, por exemplo, deixou de ser usada. Os pacientes desenvolviam atividades por um determinado período e retornavam ao convívio na cidade.

Hoje, o modelo de tratamento psiquiátrico adequado defende não só o talento de pacientes com aptidões artísticas, como quer garantir a eles o direito do acesso à expressão simbólica, termo utilizado na área para designar a expressividade artística e cultural destas pessoas.

Diante deste cenário, o Minc, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizou em agosto de 2007, a oficina Loucos pela Diversidade: da Diversidade da Loucura à Identidade da Cultura. “Para a implementação de uma outra lógica da saúde mental, a questão da arte foi muito importante”, lembra a terapeuta ocupacional e coordenadora da ação Loucos pela Diversidade do Ministério da Cultura, Patrícia Dorneles. “Nós entendemos que este tipo de produção artístico-cultural faz parte da diversidade da cultura brasileira”, explica.

O propósito da oficina era escutar as pessoas que fazem o trabalho da chamada “arte loucura” dentro da lógica da reforma psiquiátrica no Brasil. “A partir disso, foram construídas ações e diretrizes para uma política pública de cultura no campo da saúde mental”, conta a coordenadora do Minc.

Em março de 2008, a secretaria também publicou o relatório final da oficina Loucos pela Diversidade, um livro com o registro de todas as experiências e os relatos do evento: debates, idéias, exposições, intervenções e o conteúdo do que resultou dos painéis desenvolvidos durante as atividades.

Como continuação do trabalho iniciado na oficina, o Minc, em parceria com a Caixa Econômica e com a Fiocruz, lançou este ano o primeiro edital para o Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade: Austregésilo Carrano. O nome do prêmio é uma homenagem ao autor do livro “Canto dos Malditos”, que inspirou Laís Bodanzky a produzir o filme “Bicho de Sete Cabeças”, de 2001.

De acordo com Patrícia, o prêmio foi criado não só para reconhecer o trabalho artístico desenvolvido por grupos, instituições e pessoas físicas da área da saúde mental, mas também para “mapear e dar visibilidade a esses projetos para que eles tenham continuidade”. As inscrições vão até o dia 27 de agosto e o resultado deve sair entre os meses de outubro e novembro. Até agora, cerca de 230 projetos já foram inscritos. O prêmio resultará em uma segunda publicação com a participação de todos que se inscreveram, para que a sociedade e a política pública tenham noção do tipo e da quantidade de produção que já existe e, a partir daí, tenha o interesse de investir recursos nessa população.

Mais informações sobre o Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade: Austregésilo Carrano são encontradas na Agenda do Portal da Cultura Brasileira.

    Author: Redação

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