Carlos Oswald (1882-1971)

Carlos Oswald nasceu em Florença, Itália, aos 18 de outubro de 1882, filho primogênito do compositor brasileiro Henrique Oswald, e de Laudômia Bombernard Gasperini. Do pai, vem-lhe o sangue suiço-alemão (do avô Jean-Jacques Oschwald, que simplificou seu sobrenome para Oswald), e o italiano, da avó paterna Carlotta Luiza Horácia Cantagalli, nascida em Livorno. Da mãe, herda o sangue francês da avó, Maria Bombernard, e o toscano puro dos Gasperini.

Foi registrado como brasileiro no Vice Consulado do Império do Brasil em Florença e batizado com os nomes de Carlos Julião Jaime Ignacio Alexandre Maria na Basílica de S. João Baptista de Florença, igreja onde tambem foram batizados gênios como Giotto, Miguel Ângelo, Boticelli e outros artistas plásticos.

Teve quatro irmãos: Alfredo Mário Henrique Alberto Leão; Maria Carla Horácia Ana; Charlotte Marie Herminie, morta aos três anos de idade, e a caçula, Henriqueta Margherita.

Sua infância foi tranqüila. Faz os estudos preparatórios na “Scuole Pie” dos jesuitas. É aluno diligente, ganhando prêmios ao fim de cada ano e escolhendo o violoncelo como instrumento a ser estudado. Alfredo e as irmãs estudavam piano. Em ambiente absolutamente musical, Carlos acostumou-se a dormir todas as noites ao som do piano do pai, do canto da mãe, excelente contralto, e da música de câmara executada por músicos que freqüentavam a casa.

Henrique Oswald jamais deixou que afrouxassem os elos que o prendiam ao Brasil. Recebia sempre os brasileiros que passavam por Florença, como nos dá o depoimento do autor de “Ana em Veneza”, João Silvério Trevisan, quando nos conta da passagem de Alberto Nepomuceno pela casa dos Oswald em Fiesole, bairro de Florença onde nasceu Carlos. O padrinho de Carlos foi Ignacio Porto Alegre, filho de Manoel de Araujo Porto Alegre.

Carlos estuda violoncelo com o grande violoncelista florentino Cinganelli. Em breve, entanto, descobre não ser esta sua vocação. Era excessivamente tímido, o que prejudicava as apresentações em público. Entusiasma-se com os progressos das ciências, e resolve ser engenheiro. Em julho de 1898 submete-se ao primeiro exame para a admissão ao Instituto Técnico Galileu Galilei, que formava os futuros engenheiros. Cursa até o quarto ano, faltando um apenas para tornar-se engenheiro. Mas contenta-se com o diploma de físico-matemático, e resolve não atrasar mais sua verdadeira vocação, que reconhecia, não era nem música nem ciência, mas a pintura. Antes da resolução definitiva hesitou ainda; pensou em ser arquiteto, carreira que o seduzia, chegando a fazer estudos neste sentido. Inscreveu-se na Escola de Diplomacia (com vistas em uma carreira no Brasil, seu objeto de desejo maior) e até pensou em ingressar na Escola de Química. Mas a Arte reivindicou seus direitos, e ei-lo enfim matriculando-se na Academia de Belas Artes, onde seguirá o curso de modelo vivo.

Na Academia não somente todas as línguas eram faladas, visto para ela acorrerem estudantes de todo o mundo, mas também debatiam-se todas as correntes artísticas. Carlos então toma conhecimento, em primeiro lugar, dos “impressionistas”, (na Itália os “macchiaoli”, movimento impressionista independente do dos franceses). Na Academia freqüenta também a aula de pintura. Mais tarde abjurará seus métodos, defendendo a maior liberdade artística do aluno. Ouve também conselhos do pintor Odoardo Gelli, seu primeiro professor, “o grande apaixonado das cores”, faz cópias em museus e percorre os campos buscando uma que foi de suas grandes paixões, a paisagem.

Tendo seu pai Henrique Oswald fixado residência no Brasil, nomeado para o cargo de diretor do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, Carlos começa a enviar quadros para serem expostos no Salão. Em 1904 consegue a “Menção Honrosa de 1º grau”, com ‘Paisagem à beira do Arno’.

Carlos percorre cidades da Itália: Veneza, San Gemigniano, Forte dei Marmi, importante em sua obra pelos estudos de bois que ali realizou e que usaria em quadros e painéis futuros. Em 1904 ganha no Salão deste ano a “Menção Honrosa de 2º Grau”, com outra paisagem: ‘Pinheiral em Viareggio’. Carlos resolve então expor no Brasil e para aqui parte pelo vapor “Minas Gerais” chegando em junho de 1906.

Sua emoção é profunda. Tendo no âmago de sua alma o sentimento da cidadania brasileira, é quando em contato com a cor e a luz de nossa Terra que expande sua arte, procurando na paisagem e nas pessoas realizar-se completamente como artista. Mora na Tijuca e de lá se desloca para conhecer toda a cidade. No Jardim Botânico descobre a palmeira, que será tema de futuras gravuras e quadros. Vai ao Corcovado, que mais tarde ajudará a coroar com a imagem do Cristo Redentor. Visita nossas igrejas barrocas, maravilhando-se e afirmando: “…neste gênero o Brasil atinge um nível superior a tudo que se executou neste período na Europa.” Conhece as praias e pinta o mar. Vai ao Campo de Sant’Ana e ao Passeio Público, pintando as centenárias figueiras.

Aqui pinta o autoretrato à maneira de Carrière, monocromático, que expõe no Salão de 1907. Já em 1906 recebera crítica favorável do Gonzaga Duque, conhecido crítico de arte, sobre seu quadro “O Violinista”.

Sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro dá-se no ano de 1907. As críticas são favoráveis e Carlos retorna revigorado a sua Florença para terminar o curso na Academia.

Já então pintor feito, Carlos começa a colher os primeiros resultados de seu trabalho. Vê quatro quadros seus serem aceitos na “Promotrice” de Florença, conceituada exposição anual que aceitava pintores de qualquer nacionalidade, sujeitos entretanto à avaliação.

Carlos viaja pela Itália, enriquecendo o próprio acervo de imagens, com a intenção de ampliar suas possibilidades. Absorve as novas tendências, que passariam pelo crivo de sua sensibilidade, na escolha de um estilo próprio.

Em 1908 começa a trabalhar no ateliê de Carl Strauss, agua-fortista americano de origem alemã. É quando descobre a gravura em metal, que seria uma paixão em sua vida. Visita a Alemanha, onde expõe e estuda, apresentando já uma técnica segura e definitiva.

Em 1910 é convidado pelo Governo do Brasil a decorar a “Sala de Música” do Pavilhão Brasileiro na Exposição Internacional de Turim. A seu lado, o que havia de mais representativo da arte brasileira: João e Arthur Timotheo da Costa, Carlos e Rodolfo Chambelland, Eugênio Latour, etc. Como os trabalhos deveriam ser executados em Paris, para lá parte ele, quando aluga uma sala para usar como ateliê e toma conhecimento de todas as vanguardas francesas. Sofre a influência do lionês Puvis de Chavanne cujo estilo o influenciaria daí por diante quando de execuções de murais. Esta exposição em Turim, de grande importância histórica para o Brasil, seria praticamente esquecida, pois foi toda desmanchada no término da mesma.

A família toda se transferiria em seguida para o Brasil pois Henrique Oswald fora oficialmente chamado a ocupar uma cátedra de piano no Instituto Nacional de Música (hoje Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro).

Em 1913 Carlos embarca com seu irmão Alfredo para o Rio de Janeiro, pensando ele em fazer exposições aqui e depois retornar a Florença, onde deixa inclusive um ateliê montado, e seu irmão Alfredo a cumprir contratos de uma série de concertos em que se apresentaria como pianista. Os dois pensavam em retornar logo à Europa, mas com o advento da lª Guerra Mundial, adiariam seus planos. Carlos integra-se à vida artistica do Rio de Janeiro, apresentando seus trabalhos em uma exposição em conjunto com o amigo Eugène Latour. Logo em seguida, sendo convidado para inaugurar a Oficina de Gravura do Liceu de Artes e Ofícios, da Sociedade Propagadora de Belas Artes, entidade quase centenária, resolve estabelecer-se definitivamente no Brasil, o que aliás sempre fora seu desejo maior.

Funda então o que viria a ser a “Escola Carioca de Gravura” a primeira do Brasil e que formaria excelentes gravadores. Daí por diante, Carlos passa a ser o grande difusor da Gravura, presente em todas as suas manifestações.

Casa-se em setembro de 1917 com Maria Gertrudes Menezes Bicalho, filha do engenheiro Francisco Bicalho, construtor do Cais do Porto do Rio de Janeiro, da nova capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, da abertura da Avenida Central, e outros grandes empreendimentos de nossa engenharia.

Maria Gertrudes, tratada por todos de Lilita, era gêmea, e teve em sua primeira gestação os gêmeos Francisco de Paula e Henrique Carlos, logo seguidos por Maria Isabel, José Lucas, Maria Beatriz, Maria Carlota, e Maria Thereza, totalizando em pouco tempo sete filhos. Lilita foi maravilhosa companheira por mais de cinqüenta anos, sempre atenta para que Carlos pudesse dedicar-se inteiramente ao seu trabalho.

Foi realmente a partir de 1918 que a carreira de Carlos se firmou. Grande êxito nas exposições realizadas, permitiram-lhe já em 1918 construir sua casa na Rua Piratini 78, mais tarde Carmela Dutra, onde residiu toda a vida, dividindo-a entretanto com a casa de Petrópolis, à Rua Carlos Gomes 42, comprada por seu pai e que ele compraria mais tarde das irmãs, fazendo tanto da casa da Tijuca como da de Petrópolis, um centro de expansão da Arte.

Em 1918 conhece o poeta Paul Claudel e seu secretário Darius Milhaud, desenvolvendo com ambos uma bela amizade. Fez de Milhaud, que se celebraria mais tarde na França como um dos elementos da música de vanguarda, integrando o Grupo “Les Six”, um retrato cubista, que levado para Paris fez muito sucesso.

Na primeira década do século, a pintura de Carlos é quase exclusivamente profana. São paisagens, naturezas mortas, retratos, composições com a figura da mulher. Seu nu “Estudo de reflexos”, premiado na Exposição Promotrice de Florença, hoje no Museu Nacional de Belas Artes, em estilo impressionista, dá bem idéia de sua pintura nesta época. Pinta também muito composições com a figura do boi que estudara em Forte dei Marmi, de onde nos vem o mármore de Carrara. Um dos mais conhecidos, também do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, é o “Último Esforço”, óleo onde se vê bois no esforço de puxar um navio para a terra. Existe uma gravura com o mesmo tema, talvez das mais belas de sua obra.

Na segunda década do século, Carlos pinta sobretudo a mulher, mas aí já em seus afazeres domésticos, mais a mulher-mãe, a mulher-irmã, a mulher-esposa. E começa então a pintar seus primeiros quadros sacros: “Eu sou a Luz do Mundo”, seu primeiro Sagrado Coração de Jesus. Ele estava então no auge dos estudos sobre efeitos de luz, usando o resultado de suas pesquisas em quase todos os quadros pintados nesta época. Aliás era então conhecido como o pintor dos efeitos de luz, e a crítica o saúda por isto. É desta época também um de seus quadros que mais sucesso alcançou. Pintado inicialmente para a Igreja do Brás em São Paulo, Carlos iria repetir esta composição em outro quadro que foi editado pela Stehli&Frères da Suíça que o divulgaria por todo o mundo ocidental. Trata-se da “Santa Ceia do Senhor” reproduzida por centenas de vezes, guardando sempre a composição, mas variando na cor, no ambiente, nas expressões dos Apóstolos. Deste quadro aliás já aconteceram muitas falsificações, a maioria delas grosseira o que denuncia imediatamente sua origem.

É também por volta de 1915 que Carlos tem sua primeira encomenda para um mural. Trata-se dos dois murais que se encontram no Palácio S. Joaquim, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, representando a “Primeira Missa no Rio de Janeiro” e “A batalha dos Tamoios”. Também executou o “plafond” para a Capela do mesmo Palácio.

As duas primeiras décadas do século foram talvez as mais férteis na produção de Carlos Oswald. Ele via seu talento reconhecido, a família crescendo, os trabalhos se multiplicando.

Com o advento do modernismo, depois da Semana de Arte Moderna de 1922, as encomendas oficiais começaram a rarear. Não acompanhando as novas tendências, permanecendo fiel à sua maneira de entender e fazer arte, Carlos prosseguiu em seu trabalho, acompanhado por um público sempre crescente, que o apoiava. A partir de 1930 as encomendas de quadros de assunto religioso sobressaiam-se em sua obra. Painéis para igrejas, vitrais, cenas do Evangelho, que ele realizava com a religiosidade que lhe era peculiar.

O trabalho de gravador e professor continuava. Lecionando ainda no Liceu, Gravura e Desenho, continuava em sua residência regularmente o ofício de gravador, executando nesta época algumas de suas mais belas gravuras.

Em 1946 funda com alguns colaboradores a S.B.A.C. Sociedade Brasileira de Arte Cristã que se propunha não somente difundir como controlar o mau gosto imperante em algumas igrejas. Por meio de artigos em jornais e revistas, de conferências e exposições, a S.B.A.C. vai difundindo novos conceitos de Arte Sacra, ganhando adeptos e se espalhando pelo Brasil.

Em 1943 Carlos mandara vir de Petrópolis a prensa que pertencera a Henrique Bernardelli, cópia da de Rembrandt. E a Rua Piratiny 78, na Tijuca, passa a ser mais um núcleo de gravura, aberto à impressão de alunos e amigos.

Em 1946, com Tomás Santa Rosa e Alex Leskoschek, inicia um curso de Gravura na Fundação Getúlio Vargas, que embora tenha durado apenas um ano, despertou para a gravura artistas como Fayga Ostrower e outros.

Fundou também por esta época o “Ateliê de Arte”, tendo como companheiros seus ex-aluno José d’Avila, seu filho Henrique C. Bicalho Oswald, e o gravador austríaco Hessheimer. A alma do empreendimento era o húngaro Peter Morris, um idealista que arriscou tudo o que tinha nesta empreitada que infelizmente não logrou êxito.

Carlos Oswald participou durante anos do Júri para os Salões Oficiais da Escola de Belas Artes. Também era presença obrigatória em qualquer Concurso ou Salão quando se tratava de Gravura. Foi membro do Conselho de Arte do I.B.E.U. tendo atuação ativa e empreendedora.

Chamado pelo arquiteto Heitor da Silva Costa na ocasião da criação e construção do Cristo Redentor do Corcovado, fez os estudos e desenhos da estátua, detalhados no naturalismo, partindo depois para o sintetismo, estilo que gostava de usar em seus murais de Arte Sacra, como comprova aliás, a Matriz de Santa Therezinha do Túnel, onde tanto o mosaico como os painéis e os vitrais são de sua autoria. É dele, aliás, a idéia do Cristo de braços abertos, dando a impressão, ao ser visto de longe, de uma cruz plantada no granito.

Durante muitos anos foi professor. Primeiramente no Liceu de Artes e Ofícios, onde lecionou Gravura e Desenho, e particularmente em seu ateliê. Formou artistas do naipe de Hans Steiner, Poty, Orlando DaSilva, e muitos outros.

Participou de Comissões de Arte. A mais importante foi o Conselho Nacional de Belas Artes, em 1951. Havia duas Seções: a tradicionalista, representada por Flexa Ribeiro (crítico de arte), Henrique Cavallero (pintor, Leão Veloso (escultor) e Carlos Oswald (água-fortista). A Seção Modernista era representada por Tomás Santa Rosa (crítico), Iberê Camargo (pintor), Bruno Giorgi (escultor) e Oswaldo Goeldi (xilógrafo). Dois membros perpétuos, o Dr. Rodrigo Mello Franco de Andrade, Diretor do Patrimônio Artístico, e Oswald Teixeira, Diretor do Museu Nacional de Belas Artes.

Perde o filho pintor Henrique, no dia 12 de dezembro de 1965. Em 13 de maio de 1969 morre sua bem amada Lilita. Ele ainda lhe sobreviveria dois anos, embora já totalmente cego pelo glaucoma que lhe destruiu uma das maiores alegrias de sua vida, a sua essência, a pintura. Preso a uma cadeira de rodas, passou a desenvolver seu lado espiritual. Sempre fora extraordinariamente religioso. Falece em Petrópolis, no dia 14 de fevereiro de 1971.

Maria Isabel Oswald Monteiro

    Author: Redação

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