A exposição Tarsila do Amaral

 

 

 

 

 

 

 

 

A exposição Tarsila do Amaral – O nascimento do modernismo no Brasil inaugurada dia 15 de dezembro ficará aberta até 20 de fevereiro de 2006, na Maison de l’Amérique Latine, em Paris. É a primeira exposição individual da obra da artista desde 1926.

 

 

 São mais de 40 obras distribuídas entre 15 pinturas, 21 desenhos e nove documentos dos períodos de Paris (1923), Pau-brasil (1924 a 1927) e Antropofagia (1928 a 1929).

 

 

 

Além das obras, provenientes de instituições públicas e de coleções particulares brasileiras, também compõem a exposição trabalhos de artistas franceses que conviveram com Tarsila nos anos 20, como Albert Gleizes, Georges Valmier e André Lhote. E, ainda, um painel biográfico de textos, fotos e reproduções de obras criando uma linha do tempo.

 

Catálogo – Durante a inauguração da exposição foi lançado catálogo bilíngüe francês/português, com textos dos curadores Paulo Herkenhoff, diretor do Museu Nacional de Belas Artes; Brigitte Hedel-Samson, diretora do Museu Fernand Léger; Jean-François Chougnet, do Comissariado Francês do Ano do Brasil na França; Elza Ajzenberg, diretora do MAC/USP; e uma breve biografia de Tarsila, escrita por Tarsila do Amaral, sua sobrinha-neta e homônima.

 

 

Tarsila do Amaral – Nasceu em 1º de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, em Capivari (SP). De família rica, teve uma bela infância, morando em fazenda, crescendo entre bichos e plantas, um cotidiano de menina rica: tudo o que sua família usava – roupas e utensílios – vinha diretamente da Europa. Cresceu aristocrática em meio a paisagens simples e gente humilde.

 

Seu amor à arte iniciou com a família, em saraus domésticos em que a mãe tocava piano e o pai lia poemas em francês. Aos 16 anos foi estudar em Barcelona, na Espanha, onde literatura e desenhos passaram a fazer parte de sua vida. Voltou para o Brasil em 1906, a fim de casar-se com o marido que sua família escolhera. União que se revelou infeliz dada a diferença cultural gritante entre os cônjuges. Do casamento fracassado – mais tarde anulado – teve uma filha: Dulce.

 

 

 

Uma decidida Tarsila agora se esforçava para seguir a vocação para a pintura. No início de seus estudos artísticos, com os escultores Zadig e Mantovani, e com o pintor Pedro Alexandrino, não havia ainda os sinais do que ela viria a ser. Eram somente naturezas mortas e paisagens, ainda muito distantes de seu surto criativo em outros momentos.

 

Depois disso, fez uma rápida passagem entre os impressionistas e, em 1920, seguiu para a França, onde freqüentou a Academia Julian, e o atelier do retratista Émile Renard. Algumas de suas pinturas desse período apontam influências de Renard, então um artista da moda: tons de cor desmaiados, com predomínio do azul. Esses também muito distantes da arte que ela viria a construir, mas já se pode verificar nessas telas a promessa do que viria futuramente sob as formas simplificadas e a iluminação particular.

 

Em 1922, estava expondo no Salão dos Artistas Franceses, em Paris. Ano em que pintou A Espanhola (Paquita). Retorna ao Brasil no Massilia, navio de luxo, quatro meses depois da efervescência da Semana de Arte Moderna. A amiga e também pintora Anita Malfatti a apresenta a amigos intelectuais vanguardistas e que participam da Revista Klaxon: Oswald, Mário, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Graça Aranha. Devidamente identificada com o ideário modernista, envolve-se afetiva e artisticamente com os novos amigos. Sua beleza física impressionava a todos nos salões elegantes e nos círculos intelectuais.

 

Com Oswald, Menotti, Mário de Andrade e Anita Malfatti compõe o chamado Grupo dos Cinco, que teve vida curta. No final de 1922, ela decide voltar para Paris, mas havia um Oswald no meio do caminho. Esse homem impetuoso, apaixonado e um mestre da ousadia a seguiu pela Europa e teve com ela mais que um casamento. Fizeram uma parceria intelectual poderosa em que um alimentava a arte do outro.

 

Em 1923, Tarsila passa a travar contato com mestres cubistas, entre eles Picasso, Fernand Léger e André Lothe. De Léger guardará influências que serão visíveis em muitos dos seus trabalhos. Nesse período, conhece artistas do porte de De Chirico, Stravinsky, André Breton e Blaise Cendrars.

 

Suas telas estão nitidamente mais cubistas, mas impregnadas de uma brasilidade que se manifesta sobretudo nas cores que o poeta Carlos Drummond de Andrade tão bem definiu: “O amarelo vivo, o rosa violáceo, o azul pureza, o verde cantante”. (Ao lado a tela Urutu, 1928)

 

 

 

 

Em 1924, depois de uma viagem feita com Oswald e Blaise Cendrars às cidades históricas de Minas Gerais, iniciou uma pintura definida como de cores ditas ‘caipiras’, rosas e azuis, as flores de baú, a estilização geométrica das frutas e plantas tropicais, dos caboclos e negros, da melancolia das cidadezinhas, tudo isso enquadrado na solidez da construção cubista. É a fase Pau-Brasil registrando cidades, paisagens e tipos comoventemente brasileiros.

 

 

Em 1928, casada há aproximadamente dois anos com Oswald de Andrade, decide dar ao marido um inusitado presente de aniversário: pintar um quadro “que assustasse o Oswald, uma coisa que ele não esperasse”.

 

Nasce então o famoso Abaporu, figura monstruosa de cabeça pequena, braço fino e pernas enormes, tendo ao lado um cactus cuja flor dá a impressão de ser um sol.

 

Ao ver tal imagem, de fato Oswald se assusta. Acha a composição magnífica, extraordinária, selvagem: “Uma coisa do mato”.

 

Tarsila morreu em 17 de janeiro de 1973, aos 86 anos, deixando pouco mais de duas centenas de quadros, alguns desenhos e esculturas. É relativamente pouco, mas fundamental para uma busca que prossegue até hoje: a consolidação de uma pintura nacional.

    Author: Redação

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