Tarja Preta (RJ)

A trama mostra a conversa de uma mulher que vive à base de comprimidos com seu próprio cérebro, num diálogo cômico e surreal. Trata-se de uma serial killer de neurônios. Adriana Falcão, roteirista de TV e cinema, e autora de diversos livros para crianças e adultos, entre eles “A Máquina”, escreveu o conto inteiramente sob a forma de diálogos, prenunciando o seu potencial cênico.  O projeto teatral foi idealizado por Ivan, também responsável pela adaptação, e Letícia Isnard. Eles trabalham juntos há onze anos na companhia teatral Os Dezequilibrados e já fizeram uma série de espetáculos em parceria, como a comédia “A Estupidez”, de Rafael Spregelburd, encenada em 2011 no Rio de Janeiro e tendo sido sucesso de público e crítica. Com a peça, Letícia foi indicada aos prêmios Prêmio Shell e Quem Acontece – de Melhor Atriz.

O espetáculo participou da 9ª edição do Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis – FITA – no dia 02 de dezembro, onde fez a sua pré-estreia.

O TEXTO

A peça retrata com humor e sensibilidade uma mulher que, diariamente, precisa de uma injeção química no sangue, em forma de comprimidos, para que consiga viver. De certa forma, a personagem se orgulha do vício, mergulhando destemidamente em sua onda química e inventando uma espécie de paraíso artificial, no qual estabelece uma conversa incessante com seu próprio cérebro. Contudo, a tranquilidade não reina neste paraíso e seu cérebro a censura constantemente, reclamando dos efeitos letárgicos a que é submetido.

Além dos remédios tarja preta, sem os quais não consegue viver, ela também abusa de álcool e drogas, prejudicando de forma drástica o funcionamento do seu cérebro. A cada problema ou sofrimento da sua dona, em especial os surtos depressivos e brigas com o ex, é ele quem mais sofre com a morte de milhões de neurônios.

O ESPETÁCULO

Ivan e Letícia já fizeram mais de dez espetáculos juntos, em uma parceria que vem se mostrando extremamente frutífera. O estabelecimento de um canal comunicativo aberto e intenso com o espectador é uma prerrogativa em todos os seus trabalhos. Em “Tarja Preta”, a dupla pretende trabalhar novamente neste sentido, humanizando a história dessa mulher que encontra nos remédios a solução para os seus problemas, mas, com o tempo, acaba sofrendo  novas complicações.

“Os comprimidos são uma medida paliativa, mas dão forças para ela acordar a cada dia, buscando uma disposição renovada para enfrentar o que a espera. Podemos dizer que se trata de uma rotina idêntica ou no mínimo semelhante a que todos nós vivemos. E se pudermos encarar esse dia a dia com humor, tanto melhor,” explica o diretor Ivan Sugahara.

De um modo leve, divertido e delicado, o espetáculo aborda um tema extremamente atual e complexo: as implicações e funções dos remédios tarja preta. Sua protagonista é ansiosa, transgressiva, deliciosamente louca e profundamente humana. Perturbada, inquieta, dependente assumida de comprimidos “pesados” para acordar, dormir, ou qualquer variação possível do viver dentro do espaço de um dia ou de uma noite.

Texto Adriana Falcão | Elenco Letícia Isnard e Érico Brás | Direção e Adaptação Ivan Sugahara

<strong>INFORMAÇÕES </strong> <br>Teatro adulto: Tarja Preta&nbsp; <br>Duração: 50 minutos |&nbsp; Gênero: Comédia <br>Local: Centro Cultural Justiça Federal <br>Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro, Tel.:&nbsp; (21) 3261-2550<br>Data: 27 de janeir de 2013<br>Horário: quinta-feira a domingo, às 19h<br>Ingresso: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada)<br>Classificação etária: 14 anos<br>Bilheteria: de quarta-feira a domingo, das 16h às 19h<br>Lotação: 142 lugares<br>Estacionamento para público: não<br>Acesso para deficientes físicos: rampa lateral

Author: Redação

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