Drama 3

 

Drama

Gênero Dramático ou Teatral

A palavra drama em senso comum significa um acontecimento ou uma um situação de grande intensidade emocional. Todavia, em sentido literário, drama configura um texto destinado a representação, independentemente de seu caráter de tragédia, de comédia, de farsa, etc. Assim, falar do gênero dramático é falar do gênero teatral.

A definição do pensador grego Aristóteles é a de que nos encontramos perante um gênero que realiza a imitação da realidade por meio de personagens em ação e não pela forma narrativa. O ponto de partida é um texto, mas ao contrário do épico e do lírico, sua relação com o público não se dá através da leitura e sim através da mediação de atores que transformam a composição escrita em ação dialogada.

A arte do escritor dramático (conhecido também como dramaturgo) só adquire vida ao se corporificar numa encenação. Os atores emprestam ao texto – composto basicamente por diálogos – sua presença física, seus gestos, seu olhar e sua voz, comunicando ao público os personagens que estão representando.

O texto do escritor é vital para o teatro pois permite que os maiores momentos da literatura dramática sejam conhecidos e recriados, de geração a geração. Sem a palavra escrita, o teatro é quase impossível. Porém, como já vimos, o texto não basta, e desta maneira o drama é uma criação híbrida, uma síntese de recursos diversos, envolvendo atores, encenadores, cenário, música, e até coreografia. A peça escrita – antes de ser representada – é como uma partitura musical antes de sua execução pelos intérpretes.

HISTÓRICO

Assim como os outros gêneros, o dramático – ou simplesmente o teatro – nasceu dos rituais religiosos antigos, na Grécia. O culto a Dioniso, deus da fertilidade e da alegria, e que através do vinho possibilitava ao homem o êxtase divino, era celebrado com canções, procissões, máscaras, tochas. Ou seja, o culto tinha a dimensão de um grande espetáculo público. Sabe-se que certas exibições corais – unindo cantos e danças – ocorriam nestas festas dionisíacas. É possível também que entre a embriaguez e a orgia, alguém personificasse um herói mítico ou um tipo conhecido, divertindo as pessoas com a arte da imitação.

No século VI a.C., um grego chamado Tépsis, mascarado e fantasiado, desceu os degraus do altar que montara em sua carroça e gritou: “Eu sou Dioniso”. O povo ateniense escutou-o e tornou-se seu admirador, consciente de que se tratava de uma representação e que o homem que ali gritava não era verdadeiramente o deus dos prazeres, mas alguém que falava palavras imaginárias em nome de uma figura divina.

O êxito de Tépsis decorre da verossimilhança daquilo que dizia? Ou da maneira arrebatada e emocionante com que se expressava? Nada sabemos. Aliás, sua história pode ser apenas uma lenda que atravessa milênios, mas serve para ilustrar os primórdios de uma arte que, até hoje, nos seus instantes mais felizes, envolve os espectadores no mesmo arrebatamento dos velhos rituais.

Entre a encenação solitária de Tépsis e o apogeu da literatura dramática grega, no século V a. C., há um abismo de sombras. Várias referências históricas registram, um teatro popular e de cunho realista – conhecido como mimo. É possível que com ele tivesse se iniciado a transformação de atores em personagens e se usasse o diálogo como núcleo da ação. Composto por quadros breves, cenas fragmentárias, e cheio de protagonistas comuns, que deviam se valer da linguagem coloquial da época, o mimo desapareceu quase inteiramente, sem deixar um conjunto de textos que permitisse melhor avaliação de seu significado na história do teatro.

O nascimento da tragédia grega

O apogeu do gênero – e quem sabe de toda a arte grega – deu-se com a emergência da tragédia. Os seus grandes criadores surgiram no século V a.C.: Ésquilo (524-456 a.C.); Sófocles (496-406 a.C.); e Eurípedes (480-406 a.C.).

Deles, preservam-se trinta e três tragédias, sete do primeiro, sete do segundo e dezenove do terceiro. Todos vivem na época clássica, a mais esplendorosa de Atenas, entre a vitória sobre os persas nas Guerras Médicas (490 a.C.) até a derrota para Esparta, (404 a. C.).

A notável democracia ateniense encontrou sua melhor expressão no teatro e este constituiu-se como a forma artística preferida dos cidadãos gregos. As encenações ocorriam durante os festejos a Dioniso e eram gratuitas. Pagos pelo Estado, os autores competiam em concursos decididos pelo voto popular ou de jurados. No palco, três atores masculinos representavam todos os papéis, usando máscaras. A eles, se somava o corifeu, chefe do coro. O coro, onipresente na tragédia, pontuava e comentava os episódios.

Para este modelo de espetáculo se construíram teatros ao ar livre. Os que chegaram até o nosso tempo, mostram uma divisão clara entre as arquibancadas de pedra, um espaço circular reservado ao coro e o palco propriamente dito. Claro que todo o interesse do Estado em construir locais específicos para a representação e promover o gênero dramático tinha uma causa política: mostrar ao povo os valores supremos de uma elite aristocrática e educá-los dentro desses valores. Por isso, os personagens eram semideuses, heróis grandiosos, figuras míticas, cujas decisões morais deviam ser tomadas como exemplos pelos cidadãos.

Os assuntos trágicos

O tema predominante da tragédia é o enfrentamento do homem contra os deuses e o destino. Muitas vezes, inconscientemente, o personagem trágico comete um crime ou um erro e precisa pagar por isso. Seu comportamento face a essas imposições terríveis deve ser o de um homem superior, cheio de grandeza ética e capaz de enfrentar os tormentos a que foi condenado.

Segundo Aristóteles, o objetivo da tragédia é suscitar uma catarse, isto é, uma purificação das paixões, alcançada através da piedade e do horror que produzem os sofrimentos expostos em cena. Para isso o espectador necessita sentir simpatia pelo herói, que, além da nobreza deve reconhecer o seu erro. Assim, o terror e a compaixão, causados pelo protagonista, servem de libertação dessas mesmas emoções.

Entre os textos definitivos da tragédia grega, figuram:

–          Prometeu acorrentado e a trilogia Orestíada, de Ésquilo;
Édipo rei, Electrae Antígona, de Sófocles;
Medeia, As troianas e As suplicantes, de Eurípedes.

 

 

 

    Author: Redação

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