As Troianas – Vozes da Guerra

as troianasA inovadora montagem do diretor Zé Henrique de Paula para o clássico de Eurípides, indicada em 2009 a dois prêmios Shell (pela direção de Zé Henrique de Paula e direção musical de Fernanda Maia) e um CPT (pela direção musical de Fernanda Maia), abre nova temporada na Funarte com ingressos a 10 reais.

Depois de temporada no Sesc Avenida Paulista, no Instituto Capobianco e no Teatro Sergio Cardoso, As Troianas – Vozes da Guerra abre sua quarta temporada em São Paulo e reestreia dia 25 de junho, às 21 horas na Funarte. O espetáculo está também selecionado para participar neste ano dos festivais Porto Alegre em Cena (RS) e Isnard Azevedo (Florianópolis – SC).

Livre adaptação do texto de Eurípides, com o Núcleo Experimental (grupo da produtora Firma de Teatro) e direção de Zé Henrique de Paula, a peça resgata a história das sobreviventes a Guerra de Troia traçando um paralelo entre o conflito, ocorrido em 1.250 a.C., e a Segunda Guerra Mundial. O principal elemento cenográfico é uma réplica de um vagão de um trem que era utilizado para transportar os judeus para os campos de concentração.

Ao término da Guerra – travada entre Troia e Esparta devido ao amor de seus governantes pela mesma mulher –, Troia, a cidade perdedora, foi aniquilada e todos os homens, mortos. As mulheres sobreviventes foram aprisionadas e escravizadas pelo inimigo. A partir do relato dessas personagens, Eurípides conseguiu mostrar uma visão feminina sobre a guerra. Apesar de terem histórias diferentes, elas estão juntas pelo mesmo motivo: a sobrevivência.

Mesmo escrita há mais de 2500 anos, o enredo mantém sua atualidade, já que os sofrimentos da guerra sempre foram os mesmos. Revisitar a obra de Eurípides é dar uma vez mais a palavra às vítimas de guerra e propor um novo olhar aos campos de refugiados. Para Zé Henrique, “o local é Troia, mas poderia ser a Alemanha nazista, a Europa dos guetos e dos campos de concentração, das casas deixadas às pressas, das famílias desfeitas pela fúria do preconceito e da intolerância”.

Teatro sem fala

Livre adaptação do texto de Eurípides, a peça apresenta uma proposta inovadora: nenhuma das mulheres da peça, a não ser Helena de Tróia, se expressa através da fala, apenas pelo canto. “Todo o sentido do texto foi gradativamente sendo substituído por ações físicas e canções de diferentes regiões do globo: Croácia, Rússia, Japão, Grécia, Irlanda, França, Israel etc. Todos povos que estão ou já estiveram em situação de guerra ou refugiados”, explica Zé Henrique.

Já os homens, esses sim falam, mas em alemão. “As mulheres estão em estado de submissão, por isso também não têm voz. No texto de Eurípides, são as troianas, cujos maridos foram massacrados pelo exército grego. O autor fala, assim, sobre a violência e arbitrariedade da guerra e o vazio deixado por ela”, explica o diretor. Falar em alemão foi um modo de tornar essas diferenças explícitas, mas sem situar o texto como elemento essencial de compreensão.

AS TROIANAS – Vozes da Guerra – Reestreia dia 25 de junho, sexta-feira, 21 horas, na Sala Carlos Miranda da Funarte Alameda Nothmann, 1058. Duração – 75 minutos. Capacidade – 52 lugares. Temporada – sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h. Até 15 de agosto. Censura: Recomendado para maiores de 16 anos. Ingressos: 10 reais.

    Author: Redação

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