Exposição resgata sociedade Xingu através da memória de Orlando Villas Bôas

kuarupKuarup – A última Viagem de Orlando Villas Bôas lança uma percepção que foge dos estigmas ligados à cultura indígena 

Boa parte da sabedoria e experiência adquirida pelo sertanista Orlando Villas Bôas será transmitida ao visitante na exposição Kuarup – A Última Viagem de Orlando Villas Bôas, que será inaugurada dia 26 de Abril, na CAIXA Cultural Rio de Janeiro e poderá ser vista até dia 6 de Junho. Depois a mostra segue para Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

Com curadoria de Denise Carvalho, Gilberto Maringoni e Noel Villas Bôas, a intenção é mostrar a cultura indígena do Alto-Xingu, na qual não só Orlando, como também os seus irmãos Cláudio e Leonardo Villas Bôas, tiveram período de imersão intensa em sua cultura e sociedade. Contrariando concepções equivocadas, eles identificaram ali uma sociedade equilibrada, estável, erguida sobre sólidos princípios morais, em que o comportamento ético sustentava uma organização tribal harmônica.

Na exposição, o visitante é convidado a desbravar esses costumes, sobretudo a maneira como encaravam a morte. Isso acontecerá por meio do olhar sensível de Renato Soares, que captou uma série de fotos do ritual de homenagem aos mortos ilustres indígenas, o Kuarup, feito especialmente para Orlando em 2003.

A mostra ainda reúne mapas, textos explicativos, retratos antigos e utensílios pessoais do sertanista. Entre os objetos dos Villas Bôas apresentados na exposição, estarão duas obras do pintor Poty Lazzarotto e uma aquarela do artista plástico Carybé, ambos muito amigos de Orlando.

Quatro espaços distintos foram pensados para a concepção cenográfica. Na primeira sala, a biografia de Orlando é representada por fotos pessoais além de agrupar mapas e textos explicativos. A segunda parte reúne objetos pessoais. Em seguida, o visitante é levado a um ambiente multimídia em que poderá assistir a um vídeo que traz uma entrevista com Orlando Villas Bôas preparada pela fotógrafa Maureen Bisilliat. Para finalizar, uma oca em estilo Xingu foi montada na última e principal sala, onde são exibidas as 34 fotografias de Renato Soares.

A importância de Orlando e seus irmãos no contato do homem “branco” com os indígenas é inegável. Eles tiveram papel fundamental na implantação de políticas de proteção à saúde e à cultura locais. Tal luta pelos direitos indígenas a uma cultura própria representou uma verdadeira ruptura intelectual e política, e acima de tudo, o reconhecimento das comunidades indígenas envolvidas.
Por esses motivos, o Kuarup feito em homenagem à Orlando foi a maior honraria que um caraíba (homem branco) poderia receber. Mais de dois mil índios vindos de diversas regiões se concentraram na aldeia Yawalapiti para celebrar o que eles mesmos consideraram o maior Kuarup já realizado na região. Através da mostra, os habitantes das grandes cidades se aproximarão da relevância e força dessa cerimônia.

RENATO SOARES é fotógrafo e documentarista da arte e da cultura brasileiras. Desde 1986 percorre o território nacional, registrando a diversidade biológica de plantas e animais e documentando ritos e costumes da cultura popular. Seus focos principais têm sido as nações indígenas do norte e do centro-oeste do Brasil . Com vários livros publicados, é também colaborador das revistas Scientific American e National Geographic.

Kuarup – A última Viagem de Orlando Villas Bôas
27 de Abril a 6 de Junho – terça a sábado, das 11h às 22h; domingo, das 10h às 21h
CAIXA Cultural Rio de Janeiro Av. Almirante Barroso, 25 – sobreloja – Rio de Janeiro – RJ
Entrada: Gratuita
Abertura: 26 de Abril, às 19h para convidados

    Author: Redação

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