História do carnaval brasileiro – Só prá começar…

 

Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. A comemoração carnavalesca data do início da colonização, é uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu
desenvolvimento e originalidade.

Tanto em Portugal, como no Brasil, o carnaval não se assemelhava de forma alguma aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta, onde se cometia todo tipo de abusos e atrocidades. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma, laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados.

Foi esse carnaval mais ou menos selvagem que desembarcou no Brasil com as primeiras caravelas portuguesas e os primeiros foliões.

Com o passar do tempo e devido a insistentes protestos, o entrudo civilizou-se, adquiriu maior graça e leveza, substituindo as substâncias nitidamente grosseiras por outras menos comprometedoras, como os limões de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) ou como os frascos de borracha ou bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha.

Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885.No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pode notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.

FIGURAS CARNAVALESCAS

Colombina – Como Pierrô e Arlequim, é um personagem da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell’Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados.

Arlequim – Rival de Pierrô pelo amor de Colombina, usava traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores. Representa o palhaço, o farsante, o cômico.

Pierrô – Personagem sentimental, tem como uma de suas principais características a ingenuidade.

Momo
– Personagem que personifica o carnaval brasileiro. Sua figura foi inspirada no bufo, ator de proveniência portuguesa que representava pequenas comédias teatrais que tanto divertiam os nobres.

MÁSCARAS E FANTASIAS
        Em 1834, o gosto pelas máscaras se acentuou no país. De procedência francesa, eram confeccionadas em cera muito fina ou em papelão, simulando caras de animais, caretas, entre outros. As fantasias apareceram logo após o surgimento das máscaras, dando mais vida, charme e colorido ao carnaval, tanto nos salões quanto nas ruas.

Criação das Escolas de Samba

Com a evolução do carnaval, surgem na década de 20 as primeiras escolas de samba. A primeira foi a Deixa Falar, criada no bairro do Estácio. Depois vieram a Portela, antes Vai como pode, e Mangueira. As escolas absorveram características de várias manifestações, como as Grandes Sociedades, os ranchos e os corsos. Com as escolas, nasceu o samba-enredo. A força das escolas foi tão grande que contribuiu para a decadência das marchinhas, do desfile de blocos de rua.
A primeira disputa entre escolas de samba aconteceu em 7 de fevereiro de 1932, na Praça Onze, e foi organizada pelo jornalista Mário Filho. Preocupado com a falta de assunto para o seu jornal, O Mundo Sportivo , entre os meses de dezembro e março, criou o primeiro concurso de escolas de samba.
Os desfiles das escolas foram realizados por muito tempo na Praça Onze e na Avenida Rio Branco. Até que em 1984 foi inaugurada a “Passarela do Samba”, ou Sambódromo, como apelidara Darcy Ribeiro. Uma avenida projetada por Oscar Niemeyer, e por onde passaram a desfilar as escolas cariocas, ladeadas por grandes arquibancadas. No dia 2 de março, os brasileiros assistiram ao primeiro desfile. Pela manhã entrava a primeira escola, a verde e rosa mangueira, que saiu vencedora do carnaval daquele ano, com o enredo “Yes, nós temos Braguinhã.

Gravação do Primeiro Samba
O primeiro samba oficialmente gravado foi o “Pelo Telefone” datado de 1917. Foi registrado em nome de Donga, mas  pesquisadores indicam que além de Donga outros músicos participaram da composição na casa de Tia Ciata na Cidade Nova. Donga porém foi o único a ter visão comercial.    Posteriormente Mauro de Almeida conseguiu constar como co-autor.
 

    Author: Redação

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