Bebê de um ano e oito meses é o “músico” mais jovem da Oficina de Música de Curitiba

A mãe é musicista – toca violoncelo, viola de gamba e piano. O pai, um jazzista dedicado aos instrumentos de corda. A avó materna, uma violonista e terapeuta musical. O avô também pratica violão, além de ser um exímio tecladista. Essa é a família de Gael Villamayor, bebê de um ano e oito meses que, pela segunda vez, vem de Assunção para visitar a Oficina de Música de Curitiba. No pátio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde aconteceu a primeira fase da Oficina, Gael passeia no carrinho de bebê com um pequeno violino pendurado ao lado, sendo carregado pela mãe, Sariah Blanco (25), e também na companhia da avó, Gladys. Sariah tira o violino da caixa, e entrega a Gael, que já demonstra habilidade ao segurar o instrumento nas mãos. Ele pede o arco e já começa a expressar alguns movimentos, com o desejo de tirar as suas primeiras notas.

Sariah está em Curitiba, na sua sexta Oficina de Música. Ela vem para estudar violoncelo e, há dois anos, também faz o curso de viola de gamba. “O evento é uma oportunidade única, não existem cursos assim por aí. O nível é alto, são grandes professores. Aqui formamos uma ‘família’, compartilhamos experiências e ideias da carreira musical, que, talvez, eu não teria a chance de conhecer em outra ocasião.” É essa experiência que Sariah quer que Gael também tenha. “Ao voltarmos ao Paraguai, ele vai começar a fazer aulas de violino. E, no próximo ano, vem comigo para fazer o Suzuki aqui”.

Gladys fala emocionada do neto. “Gael está mostrando para a gente que tem uma facilidade muito grande para a música, ele nos surpreende todos os dias. Quando eu começo a cantar ‘dó, ré, mi…’ ele já consegue completar a escala musical. Ao ver a Clave de Sol, fica animado, já sabe que se trata de música. Fico feliz em estarmos investindo no seu talento”. Mãe e filha se orgulham em falar sobre o contato precoce que Gael está tendo com a música. Ele às acompanha em concertos de jazz, de música clássica e em óperas. Assiste compenetrado a todos e, na hora dos aplausos, se empolga: “Bravo! Bravo!”.

No ano passado, durante a 31ª Oficina, Gael carregava seu ukelelê – instrumento de cordas, popular no Havaí – com o qual teve o primeiro contato aos seis meses de idade. Há pouco tempo, ganhou uma bateria do tio, na qual deposita grande parte de sua energia. “Estou ficando doida com isso”, brinca Sariah. Por último, veio o violino. “Foi engraçado quando demos o violino a ele, na primeira vez que em que colocou as mãos no instrumento, já pegou da maneira correta. Ele me pede o arco para tocar, nunca tratou o objeto como um mero ‘pauzinho’, como faria qualquer criança”, revelou a mãe. “Estamos apresentando a música ao Gael, espero que ele siga os paços da família”.

Gladys fala mais das raízes musicais que fazem parte da sua família. “Comecei a estudar música aos sete anos, meu avô era músico também. Meus filhos tiveram a oportunidade de aprender algum instrumento ainda mais cedo, com cinco, seis anos de idade. Começaram a ler partitura antes de aprender a escrever ‘papai’ e ‘mamãe’ na escola, influenciados pelos nossos hábitos em casa. E agora, meu neto, que tem contato com todo esse universo desde que nasceu. Não queremos impor nenhum gosto ou trajetória a ele. Mas a esperança de que leve a diante a nossa ‘vida de músico’ sempre fica. Esse garoto promete.”

    Author: Redação

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